Início | Automação | A volta dos IPOs

Automação

A volta dos IPOs

Marcelo Martinez

Publicado em 11/09/2017 às 14:29

Depois de alguns anos, ocorreu em julho o IPO (Initial Public Offer) do Carrefour na Bolsa de Valores de São Paulo, a maior oferta pública inicial de ações desde 2013. Apesar da crítica dos investidores em relação aos poucos números divulgados e do curto espaço de tempo para analisá-los, os lotes de ações foram avaliados em 5 bilhões de reais, levando a companhia a um valor de cerca de 29 bilhões de reais. Mesmo com o passado conturbado e a desconfiança de alguns investidores, não há dúvida de que o Carrefour fez sua lição de casa. Seu lucro dobrou nos últimos dois anos e sua receita subiu 29,3% entre 2014 e 2016, fechando o ano passado em 47,5 bilhões de reais. Após anos na sombra dos concorrentes, o Carrefour aproveitou esse momento para virar a rede a ser batida no varejo brasileiro.

Em tempo de crise, uma das principais finalidades de participar da Bolsa de Valores é levantar recursos para expansão das suas atividades e financiamento de novos investimentos sem a necessidade de recorrer a instituições financeiras. Além disso, como para lançar ações a companhia necessariamente precisa preencher alguns pré-requisitos, como registros na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), balanços financeiros e auditorias, o processo de IPO torna a empresa mais transparente e regulada, com boas práticas de gestão e governança corporativa. As informações financeiras da companhia se tornam públicas, e torna-se obrigatório possuir um departamento de relações com os investidores.

Ainda assim, aproximadamente 82% das companhias de capital fechado não conhecem ou conhecem apenas parcialmente os procedimentos necessários para a realização de uma oferta pública inicial de ações, aponta pesquisa com 97 empresas realizada pela Deloitte em parceria com o Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI). Além de desconhecerem o processo, 66% das organizações fechadas dizem não terem conhecimento dos custos de abertura de capital e 40% não compreendem os benefícios para além da captação financeira em si. Apesar desse elevado nível de desconhecimento sobre o processo, 32% das empresas de capital fechado declararam ter a intenção de fazer uma oferta inicial na bolsa no futuro, nível considerado positivo pela consultoria à luz da atual conjuntura econômica brasileira. No entanto, apenas 6% esperam realizar a abertura de capital nos próximos dois anos.

Antes da crise de 2008, o Brasil viveu seu momento de ouro para as aberturas de capital. Em 2007, 64 empresas realizaram um IPO na Bolsa de São Paulo e começaram a ter suas ações negociadas publicamente, demonstrando o otimismo com a economia naquela época, quando o país era a bola da vez entre os mercados emergentes. Com a crise econômica e política que se instaurou no Brasil logo em seguida, os IPOs desapareceram. Tivemos apenas dois nos últimos dois anos, e as empresas que tinham interesse em abrir capital optaram por adiar o processo, justificando a decisão no momento ruim do mercado.

Apesar de a maioria dos especialistas concordarem que o cenário econômico só voltará a melhorar a partir de 2018, várias empresas já demonstram interesse em abrir o seu capital em 2017. A BM&FBovespa estima só este ano entre 20 e 25 IPOs de empresas dos mais diversos segmentos, como a PagSeguro do grupo UOL, a Hermes Pardini de diagnóstico e serviços médicos, a Tenda Construtora, algumas de locação de automóveis como a Unidas e Movida, a NetShoes, entre outras. Se a oferta pública inicial de ações dessas empresas for bem-sucedida, elas consolidarão sua estratégia que passa pela evolução da gestão, pelo aumento da produtividade e das margens e pela expansão física da companhia.

Diferentemente dos EUA onde IPOs são comuns (só na NASDAQ estão listadas mais de 2800 ações de diferentes empresas, em sua maioria de pequenas e médias), no Brasil ainda existem algumas barreiras para as empresas que queiram participar desse mercado, porém as oportunidades são inúmeras, e com a consolidação de um novo momento da economia, é uma excelente opção para aquelas empresas sólidas, com estratégias de crescimento bem-estruturadas. Afinal, o que não faltam são investidores, nacionais e estrangeiros, sedentos em abocanhar fatias de um mercado relativamente estável e barato, com um enorme potencial consumidor pela frente.

Marcelo Martinez feed/rss ver artigos deste(a) colunista

Marcelo Martinez

Automação

Marcelo Martinez é engenheiro químico pela Poli-USP, pós-graduado em Marketing pela ESPM, com Mestrado em Administração pela FEA-USP e Doutorado em Administração pela FGV. Executivo com mais de 20 anos de atuação em empresas multinacionais, possui sólida vivência nas áreas de vendas, produtos e marketing, e experiência na elaboração e implementação de estratégias de negócios orientadas a resultados em diversos canais. Já foi membro efetivo de conselho consultivo de empresa de tecnologia, atuou como representante da indústria em entidades setoriais e participou de vários projetos de grande relevância, entre eles aquisições de empresas e implementação de Políticas Comerciais e Programa de Relacionamento. É palestrante em Congressos nacionais e internacionais e tem artigos publicados em revistas. Dê sua opinião sobre o artigo ou faça sugestões para nossos colunistas, envie seu e-mail.
 

Artigos Relacionados

voltar

Titulo: A volta dos IPOs

Destinatário(s)
Seus dados
Código de Validação:*
(*) Preencha o código de validação corretamente.

Titulo: A volta dos IPOs

Mensagem de Erro

Esta é a área central para comunicação entre revendas, distribuidores e fabricantes com a equipe da PartnerSales.
Incentivamos as mensagens de nossos leitores com sugestões de pautas, críticas, elogios ou reclamações.

Seus dados
Código de Validação:*
(*) Preencha o código de validação corretamente.

© Copyright PartnerSales - O site focado em parcerias de negócios e estratégias de vendas. Todos os direitos reservados. Outros nomes de companhias, produtos e serviços podem ser marcas registradas ou marcas de serviços de outros.

Sydow Marketing