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A bolha Bitcoin

Marcelo Martinez

Publicado em 11/12/2017 às 12:05

O termo disrupção foi criado pelo professor de Harvard, Clayton Christensen, para descrever inovações que oferecem produtos acessíveis, criam novos mercados consumidores e desestabilizam os líderes no setor. Nos últimos anos, várias disrupturas surgiram para mudar nossas vidas. Netflix, Uber, Airbnb são apenas algumas delas. No setor financeiro não poderia e não foi diferente. Novas tecnologias financeiras revolucionaram a relação que conhecíamos entre bancos e consumidores, tornando-a mais enxuta e eficiente. Ir ao banco é cada vez mais desnecessário e quase tudo se resolve com o uso de dispositivos conectados à internet.

Nesta revolução silenciosa, as criptomoedas surgiram com uma nova disruptura ao modelo financeiro atual, centralizado e regulado. Para se ter uma noção do potencial dessa nova tecnologia, no início de novembro as quase 1,3 mil criptomoedas em circulação no mundo, possuíam um valor de mercado de US$ 203 bilhões e movimentaram cerca de US$ 16,5 bilhões em negócios por dia, segundo o site CoinMarketCap. Desse total, pouco menos de 85% da capitalização e do giro se concentraram em quatro delas: Bitcoin, Ethereum, Ripple e Litecoin. Seja pela exposição na mídia, pela consolidação do assunto ou por mera especulação, a cotação do Bitcoin disparou nos últimos meses, atingindo um patamar recorde de quase de US$ 7.500 por unidade versus US$ 761 em junho de 2016. Essa bolha, de crescimento rápido e espantoso pode significar sinais de problema, razão pela qual ainda muitos analistas desconfiam dessas moedas, em especial, quando se fala em investimentos.

De todas as moedas virtuais existentes, a mais líquida é o Bitcoin, criado em 2009 e já aceito como meio de pagamento legal em alguns países. Com Bitcoins, é possível contratar serviços ou adquirir produtos ao redor do mundo. Apesar do número de empresas que aceitam a moeda ainda ser pequeno, vários países se movimentam no sentido de regulá-la. Em abril deste ano, o Japão decidiu aceitar Bitcoins como meio legal de pagamento e em setembro regulamentou 11 corretoras de criptomoedas. Estima-se que cerca de 300 mil estabelecimentos no país aceitarão até o final do ano este tipo de dinheiro.

No Brasil, o giro total de Bitcoins em 2016 foi de R$ 363 milhões, volume ainda reduzido para o padrão internacional. Hoje, na cidade de São Paulo, apenas cerca de 70 empresas aceitam moedas virtuais em troca dos seus produtos ou serviços, segundo informações do Coin Map, site que faz o mapeamento global dos estabelecimentos que apostam nessa nova modalidade de transação comercial. Além do desconhecimento, uma das razões para a baixa adesão é que, por ser ainda uma moeda muito exposta à regra da oferta e demanda, o valor de face é bastante volátil, podendo flutuar rapidamente. Quem comercializa Bitcoins, por segurança ainda limita valores por transações e os converte rapidamente para reais. Outro fator impeditivo que está com os dias contados, é a falta de soluções tecnológicas mais simples, confiáveis e eficientes, que permitam receber essas moedas como pagamento em qualquer lugar. Com o crescimento desse mercado, não faltam startups focadas no desenvolvimento de soluções para meios de pagamento com criptomoedas, inclusive algumas delas aqui no Brasil.

Seja como for, no mundo dos negócios, renovar e inovar é fundamental para não perder mercado e ser engolido por mudanças disruptivas. Apesar de ainda estarmos de frente a algo muito novo, não restam dúvidas de que cada vez mais as moedas virtuais tomarão espaço no nosso dia-a-dia. Os entusiastas dessa onda dizem que a alta deve continuar com o interesse de novos adeptos e a maior aceitação. Críticos afirmam que existe uma bolha que estaria prestes a estourar. Seja como for, cabe a nós acompanharmos esse movimento de perto e nos lembrarmos que o futuro está em construção, e que querendo ou não, precisamos estar preparados para ele e suas disrupturas. Ainda é cedo para fazer prognósticos perfeitos, mas acreditem nas oportunidades que surgirão. Essa é a única certeza que temos e que vale a pena sempre investir.

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Marcelo Martinez

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Marcelo Martinez é engenheiro químico pela Poli-USP, pós-graduado em Marketing pela ESPM, com Mestrado em Administração pela FEA-USP e Doutorado em Administração pela FGV. Executivo com mais de 20 anos de atuação em empresas multinacionais, possui sólida vivência nas áreas de vendas, produtos e marketing, e experiência na elaboração e implementação de estratégias de negócios orientadas a resultados em diversos canais. Já foi membro efetivo de conselho consultivo de empresa de tecnologia, atuou como representante da indústria em entidades setoriais e participou de vários projetos de grande relevância, entre eles aquisições de empresas e implementação de Políticas Comerciais e Programa de Relacionamento. É palestrante em Congressos nacionais e internacionais e tem artigos publicados em revistas. Dê sua opinião sobre o artigo ou faça sugestões para nossos colunistas, envie seu e-mail.
 

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