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É preciso repensar atitudes na era da praça pública digital

Patricia Peck Pinheiro

Publicado em 12/03/2018 às 17:15

São 28 anos da invenção que revolucionou o mundo: a World Wide Web (WWW). Seu criador, o físico britânico Tim Berners-Lee, diz estar preocupado como a ferramenta vem sendo usada e acredita que práticas como o uso indevido de dados pessoais e as notícias falsas “têm um efeito assustador sobre a liberdade de expressão”.

Estamos vivenciando e aprendendo com os desdobramentos sociais, econômicos e políticos decorrentes da Internet. Além dos itens citados pelo seu criador, temos também outro aspecto poderoso que é a possibilidade de gerar mobilização por meio das redes sociais. Desde o início da década, presenciamos movimentos como Occupy Wall Street, Primavera Árabe, as manifestações de junho, e tantos outros que utilizaram o ambiente online como meio de articulação.

Também há 28 anos entrou em vigor a Lei 7.716, que define os crimes resultantes de preconceito racial. Ainda assim, vários estudos apontam para o crescimento dessas práticas no país. Dados do Observatório da Discriminação Racial do Futebol Brasileiro indicam alta de 64% em ocorrências de injúria racial, tanto nos estádios como na internet, somente neste ano. Já uma ONG especializada em crimes digitais registrou mais de 35 mil denúncias relacionadas a crimes raciais na internet em 2016.

Não são poucas as ocorrências de racismo que na Internet ganharam intensa repercussão, com espaço para mobilização e criatividade em favor das vítimas. Após casos emblemáticos como as ofensas contra o jogador Aranha, a atriz Taís Araújo e a jornalista Maju, a hashtag #ÉCoisaDePreto vem tendo tanta visibilidade quanto as declarações de William Waack.

O incidente envolvendo o vídeo com declarações do jornalista, que iniciou compartilhado por WhatsApp e viralizou na Internet, demonstra o quanto devemos ter cuidado redobrado com opiniões que possam desabonar a imagem e a reputação de profissionais e empresas. Foi menos de 10 horas entre a popularização do conteúdo e o informe da Rede Globo anunciando o afastamento do profissional.

Que “atire o primeiro mouse” quem nunca falou algo que se arrependeu depois, mas a Sociedade Digital não permite mais as confidências e os pecados entre quatro paredes. É o crescente poder da influência digital. Está tudo muito mais exposto e documentado, o conteúdo registrado e compartilhado mesmo tempos depois, é capaz de causar muita repercussão pois o passado ressurge para assombrar a qualquer momento os envolvidos. Ainda mais se forem formadores de opinião, pessoas públicas, celebridades, líderes empresariais ou políticos.

A Internet não perdoa! Há um dano permanente, distribuído em larga escala, com alcance global. Mais uma reputação enterrada por uma mistura de comportamento sem noção, que envolve praticar gafe relacionada às más escolhas da liberdade de expressão, temperada com o ingrediente azedo e perverso da vingança digital. #vazoudançou.

Todo tipo de liberdade exige educação e um ambiente seguro para se manifestar. Neste sentido, qualquer excesso é prejudicial, seja pela falta da liberdade ou pelo abuso dela. Ainda vamos todos sofrer as consequências dessa nossa delinquência digital. Para garantirmos a sustentabilidade na tecnologia, é preciso ser ético, ser transparente, ter governança e estar compliance.

 

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Patricia Peck Pinheiro

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A Dra. Patricia Peck Pinheiro é advogada especialista em Direito Digital, formada pela Universidade de São Paulo, com especialização em negócios pela Harvard Business School, curso de Gestão de Riscos pela Fundação Dom Cabral e MBA em marketing pela Madia Marketing School. É Sócia Fundadora do escritório Patricia Peck Pinheiro Advogados, da empresa de cursos Patricia Peck Pinheiro Treinamentos e do Instituto iStart de Ética Digital que conduz o Movimento Família mais Segura na Internet e lançou neste mês o app educativo iStartcare.
 

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