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Estratégias Digitais

Brasil, o país do eFutebol

Marcelo Martinez

Publicado em 30/05/2018 às 10:34

Copa do mundo de futebol é sempre assim: todo mundo tira do baú as camisetas de seu time e traça planos para ver os jogos. Sem dúvida, o futebol é nossa paixão nacional. E este ano nossa torcida será toda pelo Arte Virtual FC, única equipe brasileira classificada para o grande torneio em Paris.

 

Se você não entendeu nada do que estamos falando, em maio passado, Paris foi a capital mundial do futebol digital e reuniu por alguns dias os melhores clubes do mundo para se enfrentarem na segunda edição do FIFA eClub World Cup 2018, um dos torneios de maior prestígio do EA Sports FIFA Global Series. Organizado pela própria FIFA, o evento, transmitido para milhões de pessoas ao vivo ao redor do mundo pelo site do torneio e por mídias sociais, reuniu 16 equipes de vários países competindo pela glória e por prêmios em dinheiro.

 

Sem dúvida, aqueles joguinhos de criança que conhecíamos se tornaram negócio de gente grande. Jogadores profissionais treinam por horas diárias e contam com psicólogos, treinadores, preparadores físicos e nutricionistas. Grandes clubes ao redor do mundo como Corinthians, Flamengo, Barcelona, Paris Saint Germain e Manchester City já investem em times profissionais de jogos eletrônicos. A estratégia de todos eles é clara: se aproximar cada vez mais do público gamer que costuma ter um ticket médio bastante elevado.

 

Os esportes eletrônicos ou eSports como são conhecidos, vem atraindo cada vez mais adeptos e investimentos ao longo dos anos, fortalecendo-se como um dos maiores propulsores da economia digital no país. Em rápida expansão, estima-se que em 2018 esse mercado atinja 385 milhões de espectadores únicos ao redor do mundo e fature algo ao redor de US$ 900 milhões. A expectativa é que esse número alcance US$ 1,5 bilhão até 2020, segundo as projeções da Newzoo, portal especializado em games. Somente o Brasil já possui mais de 12 milhões de espectadores de eSports, quase a metade da audiência na América Latina, e representa o terceiro maior mercado do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e China.

 

Outros indicadores desse crescimento são as apostas arrojadas que muitas empresas estão fazendo nesse mercado. Grandes espetáculos em arenas lotadas, com a presença de celebridades e apresentações musicais são cada vez mais comuns. ESPN e SporTV, por exemplo, já possuem inclusive uma programação dedicada aos eSports, com transmissões ao vivo de campeonatos com excelente estrutura de videografismo e narradores e comentaristas especializados. Somente o CBLoL (Campeonato Brasileiro de League of Legends), um dos jogos eletrônicos mais populares do planeta, atrai mais de 1 milhão de espectadores por partida.  Já existe até festa de gala para premiação dos melhores do ano no esporte digital brasileiro.

 

De olho nesses novos consumidores, o comitê olímpico internacional aprovou pela primeira vez no final de 2017 a inclusão de uma competição periférica de eSports nas Olimpíadas de Inverno de 2018 que aconteceram em fevereiro na Coreia do Sul. Para a entidade, os eSports podem ser considerados como uma atividade esportiva já que envolve o preparo e o treino com a mesma intensidade de atletas convencionais, e inclusive já admite a sua inclusão como modalidade esportiva de demonstração nos Jogos Olímpicos de 2024.

 

Com o crescimento do mercado e das oportunidades, a relação dos pais com os jogos digitais também está mudando. A profissionalização e remuneração faz com que os games comecem a serem vistos de maneira mais positiva pelos familiares, conforme citado pela Game Brasil 2017, pesquisa realizada pela Sioux, Blend New Research e ESPM, onde 65% dos pais acha que, se usados de forma moderada, jogos eletrônicos podem ajudar na construção de perfil e no desenvolvimento de raciocínio lógico.

 

Trazer uma paixão popular como o futebol para a realidade digital é estratégico para manter o interesse de uma nova geração de consumidores atraída pela popularidade dos eSports. Mesmo que os eSports não sejam um assunto tão novo, diante de números tão expressivos que não param de crescer, o futuro é muito promissor, repleto de oportunidades para patrocinadores. Gostando ou não, é uma nova era que está surgindo, reinventado aquela pátria de chuteiras com mouse e teclado. É o mundo digital transformando o futuro.

 

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Marcelo Martinez

Automação

Marcelo Martinez é engenheiro químico pela Poli-USP, pós-graduado em Marketing pela ESPM, com Mestrado em Administração pela FEA-USP e Doutorado em Administração pela FGV. Executivo com mais de 20 anos de atuação em empresas multinacionais, possui sólida vivência nas áreas de vendas, produtos e marketing, e experiência na elaboração e implementação de estratégias de negócios orientadas a resultados em diversos canais. Já foi membro efetivo de conselho consultivo de empresa de tecnologia, atuou como representante da indústria em entidades setoriais e participou de vários projetos de grande relevância, entre eles aquisições de empresas e implementação de Políticas Comerciais e Programa de Relacionamento. É palestrante em Congressos nacionais e internacionais e tem artigos publicados em revistas. Dê sua opinião sobre o artigo ou faça sugestões para nossos colunistas, envie seu e-mail.
 

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