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Estratégias Digitais

E-scooters: diversão ou negócio?

Marcelo Martinez

Publicado em 05/12/2018 às 15:30

Desafogar o trânsito cada vez mais caótico nas grandes cidades tem sido uma árdua missão ano após ano para os governantes. Um dos desafios é encontrar novos modais de transporte mais econômicos, ecológicos e ágeis para deslocamento em trechos curtos de vias urbanas. Enxergando esse filão de oportunidades, empresas de tecnologia e mesmo de setores tradicionais, tem investido pesado nos últimos meses no negócio de compartilhamento de e-scooters, aqueles mesmos patinetes elétricos que até pouco tempo atrás eram usados exclusivamente

para diversão.

 

A explosão dos serviços de e-scooters nos Estados Unidos em 2018 surpreendeu muitos. Fáceis de pilotar e ocupando menos espaço nas ruas e calçadas, os equipamentos se tornaram uma opção divertida e atrativa para usuários que precisam fazer pequenos trajetos com baixo esforço físico, mesmo em cidades com desníveis. São mais leves que as bicicletas convencionais e por terem um custo baixo, são baratos de alugar e, portanto, acessíveis a diversos públicos, mesmo aqueles de baixa renda.

Como no caso das bicicletas, o sistema de aluguel de e-scooters pode ser do tipo de docas, com estações fixas para retirada e devolução, ou do tipo autotrava (dockless) que permite que o usuário use e abandone seu equipamento em qualquer lugar dentro de uma área pré-definida pela empresa. Ambos os modelos funcionam em geral via aplicativo com cartão de crédito pré-cadastrado e são remunerados pelo tempo de utilização.

Pesquisas indicam que o mercado potencial é muito grande. Segundo dados de uma delas feita pela consultoria Populus especializada em mobilidade urbana, metade de todas as viagens nos Estados Unidos são de até 5 quilômetros. De olho nesta demanda por micromobilidade, várias startups estão surgindo ao redor do mundo. Dois bons exemplos que estão dando certo, a Bird e Lime, são duas unicórnios (valor de mercado estimado de US$ 2 bilhões e US$ 1,1 bilhão, respectivamente) que fazem sucesso com investidores. Ambas, com menos de dois anos de existência, receberam em meados deste ano aportes de centenas de milhões dólares, e ainda assim, continuam negociando novas rodadas de investimento para expansão de suas iniciativas.

Empresas de mercados tradicionais, algumas teoricamente concorrentes a essa onda, também fazem suas apostas. A Uber, por exemplo, começou a operar em outubro um serviço de e-scooters na cidade de Santa Mônica, na Califórnia sob a marca da Jump. Essa decisão veio depois que a empresa, em julho, participou de uma rodada de financiamento de US$ 335 milhões na Lime. Outra empresa que está apostando alto nesse mercado é a Ford, que em novembro anunciou a compra da Spin, outra startup de compartilhamento sediada em São Francisco.

No Brasil, três startups nascidas localmente, Yellow, Ride e Scoo, começaram esse semestre a testar esse tipo de serviço em São Paulo, ainda que em áreas bem restritas e com poucos equipamentos disponíveis. Todas essas empresas prometem expandir a atuação antes da chegada das gigantes Bird e Lime, que já anunciaram planos para o Brasil em 2019.

Entretanto, apesar da euforia, o que se constata é que operar esse tipo de serviço ainda é um desafio global. Na França, a startup Gobee desistiu de atuar após uma “destruição em massa” de seus equipamentos, e na China, a Wukong Bikes fechou após perder 90% de sua frota em cinco meses.

Outra dificuldade é a falta de regulamentação. Tanto a Bird quanto a Lime enfrentam críticas da administração pública por terem lançado milhares de e-scooters sem nenhum pedido de licença. Como aconteceu com os serviços de carona remunerada, a tendência é que as cidades adequem suas legislações para o uso seguro de patinetes pela cidade.  Um exemplo local é a prefeitura de São Paulo que apesar de ainda não ter definido regras para exploração comercial desses equipamentos, já permite o seu uso em ciclovias ou calçadas, desde que com velocidades seguras (máximo de 20 km/h para ciclovias e 6 km/h para calçadas).

Como as redes compartilhadas de e-scooters, outras estão surgindo ao redor do mundo oferecendo novas opções de deslocamento. Grandes montadoras, até pouco tempo formadoras de tendências para o mercado de mobilidade, já enxergaram a ameaça das empresas de tecnologia, seus novos concorrentes. De fato, todas elas entenderam que não basta mais vender carros se quiserem sobreviver ao futuro. A nova sociedade que está se formando busca por serviços e acesso, não mais apenas por posse. É a tecnologia mudando a mobilidade de forma irreversível.

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Marcelo Martinez

Automação

Marcelo Martinez é engenheiro químico pela Poli-USP, pós-graduado em Marketing pela ESPM, com Mestrado em Administração pela FEA-USP e Doutorado em Administração pela FGV. Executivo com mais de 20 anos de atuação em empresas multinacionais, possui sólida vivência nas áreas de vendas, produtos e marketing, e experiência na elaboração e implementação de estratégias de negócios orientadas a resultados em diversos canais. Já foi membro efetivo de conselho consultivo de empresa de tecnologia, atuou como representante da indústria em entidades setoriais e participou de vários projetos de grande relevância, entre eles aquisições de empresas e implementação de Políticas Comerciais e Programa de Relacionamento. É palestrante em Congressos nacionais e internacionais e tem artigos publicados em revistas. Dê sua opinião sobre o artigo ou faça sugestões para nossos colunistas, envie seu e-mail.
 

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