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Estratégias Digitais

Efeito Netflix

Marcelo Martinez

Publicado em 04/02/2019 às 17:17

Uma das grandes transformações culturais do século 21 é a digitalização do entretenimento. O tempo em que as séries mais divertidas estavam restritas apenas à televisão é cada vez mais coisa do passado. As plataformas de streaming, aquelas em que o espectador escolhe quando e qual conteúdo quer assistir conectando sua tela à internet, estão ampliando fronteiras e modificando o setor de entretenimento como um todo.

O serviço de streaming tem diversas vantagens em relação às transmissões convencionais: são acessíveis em várias plataformas, possuem diversos conteúdos exclusivos em alta definição, e principalmente, oferecem tudo isso a um preço reduzido. Não é à toa que estão dominando o mercado. Só no Brasil, um levantamento realizado recentemente pela consultoria Business Bureau aponta que existem 78 plataformas de distribuição digital de conteúdo de televisão, com 139 canais ao vivo, um repositório de 72 mil filmes e 12,9 mil séries.

Com cerca de 8 milhões de assinantes no país e 137 milhões ao redor do mundo, a Netflix, é a maior referência mundial de plataforma de streaming de vídeos. A empresa lidera com folga a disputa interna com 18% do mercado local, 4,5 vezes mais que a segunda colocada, a plataforma Globoplay. A chave para o sucesso da empresa em todo o mundo, além de toda a tecnologia em si, tem sido sem dúvida seu vasto repositório de conteúdos, em especial de terceiros. De acordo com dados da consultoria 7Park Data, em outubro de 2018, 80% das transmissões da plataforma foram de séries e filmes adquiridos, uma característica que se tornou uma enorme fragilidade com o crescente interesse de grandes produtoras como Disney, Warner, Sony e Fox em participar diretamente desse negócio.

A chegada mais esperada neste novo cenário é a da Disney, que anunciou que retirará seu conteúdo da Netflix para lançá-lo no final de 2019 em sua própria plataforma, a Disney Plus, uma aposta de sucesso considerando seu imenso catálogo próprio, turbinado com a recente aquisição da Fox. A Warner Media, outra gigante do setor, controladora de marcas famosas do entretenimento como a Warner Bros, DC Entertainment e HBO, também anunciou seu próprio serviço de streaming em 2019.

Reconhecendo a importância estratégica de reduzir a dependência de algumas produtoras famosas, a Netflix se mexeu rapidamente e investiu apenas em 2018 cerca de US$ 13 bilhões em conteúdos próprios e originais. No mesmo caminho, a HBO também apostou forte no seu maior sucesso e investiu cerca de US$ 90 milhões na produção dos seis últimos episódios da série Game of Thrones. Como elas, outras empresas de streaming resolveram seguir o mesmo caminho, migrando de simples distribuidoras para produtoras de conteúdos, alguns deles premiados pela crítica especializada.

Por outro lado, enquanto o streaming surfa no sucesso e se prepara para um novo cenário competitivo, as grandes redes de televisão nacionais parecem não conseguir acompanhar esse movimento, mesmo com a perda contínua de telespectadores e anunciantes ano após ano.  A exceção parece ser a Globo, aparentemente a única entre as emissoras atuais a ter uma estratégia definida para participar desse novo mercado com sua plataforma Globoplay, inclusive anunciando em dezembro na CCXP 2018 a sua ampliação com um novo catálogo de produções nacionais e internacionais.

A internet revolucionou a forma como vivenciamos o entretenimento. Ignorar os novos hábitos da sociedade, em especial da geração millennial, aquela nascida na internet, é um grave erro. As plataformas de streaming de vídeos sabem que estão no caminho certo e vão brigar acirradamente pelo seu espaço. Para nós espectadores só nos resta esperar e assistir pela internet quem irá sobreviver a essa corrida.

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Marcelo Martinez

Automação

Marcelo Martinez é engenheiro químico pela Poli-USP, pós-graduado em Marketing pela ESPM, com Mestrado em Administração pela FEA-USP e Doutorado em Administração pela FGV. Executivo com mais de 20 anos de atuação em empresas multinacionais, possui sólida vivência nas áreas de vendas, produtos e marketing, e experiência na elaboração e implementação de estratégias de negócios orientadas a resultados em diversos canais. Já foi membro efetivo de conselho consultivo de empresa de tecnologia, atuou como representante da indústria em entidades setoriais e participou de vários projetos de grande relevância, entre eles aquisições de empresas e implementação de Políticas Comerciais e Programa de Relacionamento. É palestrante em Congressos nacionais e internacionais e tem artigos publicados em revistas. Dê sua opinião sobre o artigo ou faça sugestões para nossos colunistas, envie seu e-mail.
 

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