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Mudanças no perfil do executivo

Paulo Augusto Lopes

Publicado em 02/02/2011 às 00:00

  

O perfil do executivo sofre modificações no decorrer do tempo. Isso acontece em face da reestruturação das empresas, das mudanças no relacionamento com os clientes e do alto índice de competitividade do mercado. Antes da década de 70, o executivo era considerado um profissional acomodado, pois a arma de sua liderança e comando era a “experiência” e suas principais características: acomodação; dependência; carreirismo; resistência a mudanças; remuneração fixada pela empresa; conhecimento como fruto da experiência profissional.

Já na década de 80, seu perfil era de um gestor competitivo, tendo o grau de escolaridade como principal ferramenta de comando, ou seja, o “background” é fator-chave. As características principais são: confiança; política; criatividade; flexibilidade; muito competitivo; salário negociado com a empresa.

Na década de 90, o perfil era marcado por sua “performance”, que também representa a principal ferramenta de comando, ou seja, os resultados obtidos lhe dão um poder muito forte dentro da estrutura empresarial. São características importantes: curiosidade; independência; geração de mudanças; cooperação e trabalho em equipe; remuneração conquistada pela competência e geração de valor para a empresa.

Na projeção do perfil do executivo internacional do século XXI, constata-se que há uma sensível mudança nas características desse profissional, principalmente em relação à diversificação de suas necessidades, da localização geográfica das sedes das empresas onde trabalham, do crescimento do número de países representados e dos seus níveis hierárquicos. As características descritas a seguir são as mais desejáveis nos executivos da atualidade e receberam uma denominação que representa o conjunto de atributos possíveis, assim denominados: navegador, alpinista, empreendedor, malabarista e viajante.

O navegador expressa a evolução do navegador de caravelas aos astronautas, em 500 anos de história. A metáfora indica a percepção da necessidade de atualização tecnológica, em função da complexidade das viagens e a evidência de que é preciso dominar os instrumentos de navegação disponíveis.

A representatividade do alpinista deve-se aos seguintes traços: esportivo, coloca sua vida em risco a cada empreitada, trabalha com alto grau de eficiência, sempre estimulado pela visão do conjunto que lhe impulsiona e o faz, após a façanha realizada, sonhar novamente e arquitetar sua próxima escalada.

A presença das características do empreendedor mostrou a forte tendência dos diretores em ser “conhecedores de negócios” e não somente de suas funções. Ficou clara a necessidade de visão de conjunto, presente nas modernas estruturas organizadas, tendo em vista à satisfação do cliente. Os traços que formaram o perfil do empreendedor estão relacionados à competência em gerir, motivar, unir e trabalhar com pessoas.

O malabarista apresenta o mais polêmico conjunto de traços do novo executivo. A organização clássica, racional, cartesiana, sempre criticou aqueles que desenvolviam várias tarefas ao mesmo tempo. Já a atual organização horizontal e a redução dos níveis hierárquicos exige do executivo um perfil de malabarista, com alto grau de flexibilidade e agilidade. Contemporaneamente é fundamental a competência para manter “12 pratinhos rodando ao mesmo tempo”.

O perfil do viajante obriga todos os gerenciadores a estarem abertos a novas culturas, novos hábitos e costumes. Em países extensos, como o Brasil, o executivo precisa entender o país, suas diferentes características regionais e, depois, abrir-se para o mundo, que fica cada vez menor.

O executivo do século XXI é uma combinação dos cinco perfis citados. Em algumas situações, é fundamental ser mais alpinista. Em outras, ser mais empreendedor. No entanto, tornou-se muito importante ter todas as características. No caso do executivo brasileiro destacam-se os atributos necessários para atender às mudanças geradas pela globalização. A ênfase está nas habilidades que permitam uma atuação eficaz nesse mercado.

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Paulo Augusto Lopes

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Paulo Augusto Lopes é mestre em Administração pela EAUFBA, Coach formado pelo ICI – Integrated Coaching Institute. Especialista em Recursos Humanos e Metodologia Aplicada à administração pela EAUFBA, especialista em Planejamento e Desenvolvimento Organizacional pelo CEPCOM - ODEA – USA, administrador de empresas pela EAUFBA, professor adjunto da EAUFBA nos cursos de Pós-Graduação, diretor da Associação Comercial da Bahia, Headhunter, consultor de Gestão Empresarial, palestrante e autor do livro “Segredos de um Headhunter”. (lopes.p142@gmail.com). Dê sua opinião sobre este artigo ou faça sugestões para nossos colunistas, envie seu e-mail.
 

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