Estratégias Digitais | Marcelo Martinez | colunistas@partnersales.com.br

 

O tema revolução digital está presente nos discursos da maioria das empresas. De startups à multinacionais, a tecnologia está transformando o mundo como conhecemos e exigindo das empresas não só um novo posicionamento perante o mercado, mas uma nova cultura colaborativa, com funcionários capazes de engajar equipes e entregar resultados em um cenário dinâmico e repleto de oportunidades e riscos.

Para isso, na era digital, mais do que investir em ferramentas e tecnologias, as empresas sabem que uma boa gestão de colaboradores é fundamental para garantir as mudanças que o mercado demanda. Organizações maduras digitalmente revisam seu portfólio de produtos e serviços com mais frequência, são melhores em alocar os funcionários nas iniciativas, e, sobretudo, mantêm uma cultura que prega agilidade nos processos e incentivo à inovação. Nada disso é possível sem talentos na equipe.

É nesse contexto que surgem os talentos digitais, profissionais de vanguarda com visão transformadora, competências tecnológicas e habilidades diferenciadas. São colaboradores de diferentes gerações que em comum tem a paixão por aprender, o foco no cliente, o perfil colaborativo e uma capacidade única de adotar e adaptar novas tecnologias para atender às necessidades dos negócios e clientes.

Entretanto, o que se constata no mercado, em especial o brasileiro, é que esse tipo de colaborador ainda é uma peça rara. Segundo o estudo The Digital Talent Gap – Are Companies Doing Enough?, realizado em parceria entre o LinkedIn e a Capgemini com 753 profissionais e 501 executivos de nove países, 54% dos respondentes disseram que há falta de colaboradores capazes de conduzir a transformação digital em suas empresas, e mesmo quando os encontram, existe ainda outro desafio de conquistá-los para seus projetos e posteriormente, mantê-los no negócio.

Com a alta procura do mercado por talentos digitais, mais do que escolhidos, eles é quem escolhem as empresas nas quais querem trabalhar. De acordo com o mesmo estudo, agora sob o ponto de vista dos funcionários, 55% dos entrevistados afirmaram que mudariam de emprego se sentissem que suas competências estivessem estagnadas, e 47% deles se interessavam apenas por empresas com projetos que lhes oferecessem a possibilidade de desenvolver suas competências. Outro ponto que corrobora a exclusividade desses profissionais é constatado pela Robert Half, consultoria de recrutamento e seleção, que levantou que o salário em 2017 para cargos com habilidades digitais apresentou um incremento de até 7% em relação a 2016, reflexo do desequilíbrio entre oferta e procura de talentos com essa formação.

De fato, talentos digitais só ficam em uma empresa se acreditarem que a mesma está contribuindo para suas carreiras e realizações pessoais. É o que mostra o estudo Aligning the organization for its digital future com 3.700 executivos de 131 países realizado pelo MIT e Deloitte, que indica que apenas 10% das companhias em estágio inicial de digitalização conseguem atrair os funcionários que desejam, ante 71% das empresas maduras digitalmente. Sem dúvida não se trata de uma disputa justa, mas real, um obstáculo a ser superado pelos entrantes que precisam conquistar os melhores candidatos, mesmo com menos atrativos que grandes e consolidadas empresas.

As empresas precisam de talentos para serem mais rápidas e flexíveis, e acompanharem as oportunidades nesse mundo de mudanças contínuas. Formar, contratar e manter talentos digitais, por mais difícil que possa ser, são tarefas essenciais nesta caminhada de transformação para que as empresas não sejam dragadas pela onda digital. Afinal, se a revolução digital está relacionada à adaptação da cultura do negócio e da maneira como ele opera para trabalhar com as novas tecnologias, uma abordagem centrada em pessoas sempre será a melhor estratégia de sucesso.

Marcelo Martinez

Marcelo Martinez

Marcelo Martinez é engenheiro químico pela Poli-USP, pós-graduado em Marketing pela ESPM, com Mestrado em Administração pela FEA-USP e Doutorado em Administração pela FGV. Executivo com mais de 20 anos de atuação em empresas multinacionais, possui sólida vivência nas áreas de vendas, produtos e marketing, e experiência na elaboração e implementação de estratégias de negócios orientadas a resultados em diversos canais. Já foi membro efetivo de conselho consultivo de empresa de tecnologia, atuou como representante da indústria em entidades setoriais e participou de vários projetos de grande relevância, entre eles aquisições de empresas e implementação de Políticas Comerciais e Programa de Relacionamento. É palestrante em Congressos nacionais e internacionais e tem artigos publicados em revistas. Dê sua opinião sobre o artigo ou faça sugestões para nossos colunistas, envie seu e-mail.