A Covid-19 chacoalhou as estruturas físicas e emocionais de bilhões de pessoas ao redor do mundo. Em semanas, virou nossas vidas de cabeça para baixo para percebermos o quão frágeis somos e o quanto apreciamos viver em grupo. Sem dúvida, o isolamento total causa um sofrimento psicológico. A boa notícia é que, diferentemente das pandemias anteriores, isolamento físico não precisa ser social, e muito menos sem diversão e cultura. Aliás, nada melhor do que uma crise para descobrirmos novas formas de entretenimento e de convivência, mesmo que a distância. 


Soluções digitais estão aliviando a dura rotina da quarentena, levando um pouco de entretenimento em tempos difíceis. Um exemplo é o streaming, seja ele de vídeos, músicas ou conteúdos, que já vivenciava um crescimento expressivo antes do isolamento e vive agora o melhor momento de sua recente história. Fato esse que em maio pela primeira vez o Ibope registrou em suas medições em aparelhos televisivos um consumo maior de conteúdos por streaming do que pela própria TV, reforçando um divisor definitivo no comportamento do público espectador em relação à mídia no Brasil


O esporte também mudou de endereço. Com as competições esportivas suspensas, campeonatos de jogos eletrônicos organizados por emissoras ganharam espaço na grade de programação enquanto os “de verdade” não retornam. Nesta onda, sites especializados em e-Sports aumentaram sua audiência e bateram todos os recordes. Um exemplo é o Twitch, um dos mais famosos sites de jogos do mundo, que reuniu em junho mais de 2,3 milhões de espectadores simultâneos em sua plataforma para assistir uma disputa de Fortnite, um dos jogos eletrônicos populares da atualidade.  


Distanciamento físico também não significa privação cultural. Famosos museus ao redor do mundo aumentaram o número de visitas virtuais no período como: o Britânico em Londres, o Guggenheim em Nova York e o Louvre em Paris. O mesmo acontece com algumas exposições e parques, acessíveis digitalmente, inclusive com recursos explicativos e interativos inéditos que propiciam uma experiência única aos visitantes. Sites de pesquisa e de curiosidades também ganharam mais adeptos como a Wikipedia, que até pouco tempo antes da pandemia registrava uma queda de usuários e uma crise de orçamento.  


Outro setor que também se beneficiou com a crise foram as versões eletrônicas dos livros – os chamados ebooks – na contramão dos tradicionais. Uma das fontes que confirmam esse crescimento é a própria Amazon, líder global na comercialização de livros, que apesar de não revelar números, registrou em maio um aumento de 30% em royalties pagos em relação ao ano anterior, superando pela primeira vez a marca de um milhão de dólares por dia.


Soluções de videoconferência e de bate-papo também estão sendo mais usadas, não só pela pessoa comum, mas pelo mercado corporativo. Redes sociais ganharam mais usuários e algumas se tornaram febre no gosto dos jovens como a TikTok, pertencente a ByteDance, uma das maiores empresas de tecnologia da China. Classificado como uma plataforma de conteúdo criativo, o aplicativo se tornou neste curto período o quarto mais popular do mundo com mais de 2 bilhões de usuários ativos e promete continuar ganhando espaço em um setor disputado por gigantes de tecnologia, como o Facebook.  



Essas mudanças no comportamento de consumo que pareciam difíceis de se consolidarem em tão pouco tempo, devem se tornar ainda mais presentes após a pandemia. É o caso da educação a distância, que assumiu um papel de protagonismo nas instituições de ensino, oferecendo qualidade e conveniência que com certeza modificarão para sempre a forma que se consome nesse mercado.


Sim, a pandemia passará, mas novos hábitos ficarão entre nós de maneira definitiva. A transformação digital já estava em curso e só se tornou mais rápida. Tudo a partir de agora terá um olhar diferente, mesmo a diversão. E quem vai sair na frente? Aquele que enxergar primeiro que crises são repletas de oportunidades para solucionarmos problemas. O entretenimento é um doce remédio para aliviar a tensão atual e desenvolver boas soluções digitais que possam ajudar o consumidor a superar esse momento, que tem tudo para dar certo. 




Marcelo Martinez

Marcelo Martinez

Marcelo Martinez é engenheiro químico pela Poli-USP, pós-graduado em Marketing pela ESPM, com Mestrado em Administração pela FEA-USP e Doutorado em Administração pela FGV. Executivo com mais de 20 anos de atuação em empresas multinacionais, possui sólida vivência nas áreas de vendas, produtos e marketing, e experiência na elaboração e implementação de estratégias de negócios orientadas a resultados em diversos canais. Já foi membro efetivo de conselho consultivo de empresa de tecnologia, atuou como representante da indústria em entidades setoriais e participou de vários projetos de grande relevância, entre eles aquisições de empresas e implementação de Políticas Comerciais e Programa de Relacionamento. É palestrante em Congressos nacionais e internacionais e tem artigos publicados em revistas. Dê sua opinião sobre o artigo ou faça sugestões para nossos colunistas, envie seu e-mail.