Plataformas de aplicativos estão presentes na nossa vida digital desde a popularização dos smartphones e as empresas sabem que precisam delas para oferecer seus produtos. 


No final de julho, uma audiência no Congresso dos EUA com os líderes de algumas das maiores empresas de tecnologia discutiu o risco de práticas anticompetitivas no mercado digital. Vários pontos foram abordados, mas um dos mais questionados foi a taxa de 30% de comissão cobrada nas lojas de aplicativos do Google e Apple. 

Em agosto, aumentando ainda mais a polêmica, a Epic Games, responsável pelo Fortnite, um dos jogos eletrônicos mais populares da atualidade, foi banida da App Store e da Play Store por quebra de regra contratual depois que uma atualização permitiu aos seus jogadores fazerem compras fora das plataformas da Apple e Google, escapando das taxadas lojas. Em resposta, a Epic além de imediatamente ir à justiça contra o que ela alega ser um duopólio, lançou uma hashtag (#freefortnite) e divulgou uma ação de marketing criticando as duas empresas. 

Plataformas de aplicativos estão presentes na nossa vida digital desde a popularização dos smartphones e as empresas sabem que precisam delas para oferecer seus produtos. Poucos podem seguir os passos da Epic, mas sem dúvida o caso Fortnite, como está sendo chamado, expôs uma situação que incomoda desde pequenos desenvolvedores a grandes empresas como Spotify, Microsoft e Facebook.  

Existem dezenas de lojas de aplicativos como a Galaxy Store e Amazon Appstore, porém o desafio é que ainda todas estão muito distantes em popularidade e tamanho em relação as duas maiores. Para se ter uma ideia da distorção, em 2019, dos mais de 204 bilhões de aplicativos baixados, 115 bilhões foram provenientes do Google Play e App Store. 

Uma das apostas para se romper esse domínio é a AppGallery, da chinesa Huawei. Terceira maior loja de aplicativos do mundo, que vem ganhando espaço no mercado ocidental apesar da sanção comercial americana à empresa. Recentemente anunciou parcerias estratégicas com fabricantes como Xiaomi, Oppo e Vivo e implantou incentivos monetários para desenvolvedores se instalarem em sua plataforma. Ainda assim, o caminho a percorrer é longo, principalmente enquanto aplicativos populares como Zoom, Twitter, Instagram, WhatsApp e Netflix não estiverem em sua loja. 


A briga está só começando, mas a expectativa do mercado é que qualquer que seja a mudança, que ela beneficie não só os milhões de desenvolvedores, mas toda a comunidade de usuários de aplicativos refletindo em custos menores e produtos de maior qualidade. 

Marcelo Martinez

Marcelo Martinez

Marcelo Martinez é engenheiro químico pela Poli-USP, pós-graduado em Marketing pela ESPM, com Mestrado em Administração pela FEA-USP e Doutorado em Administração pela FGV. Executivo com mais de 20 anos de atuação em empresas multinacionais, possui sólida vivência nas áreas de vendas, produtos e marketing, e experiência na elaboração e implementação de estratégias de negócios orientadas a resultados em diversos canais. Já foi membro efetivo de conselho consultivo de empresa de tecnologia, atuou como representante da indústria em entidades setoriais e participou de vários projetos de grande relevância, entre eles aquisições de empresas e implementação de Políticas Comerciais e Programa de Relacionamento. É palestrante em Congressos nacionais e internacionais e tem artigos publicados em revistas. Dê sua opinião sobre o artigo ou faça sugestões para nossos colunistas, envie seu e-mail.