Depois de muita expectativa, a Amazon finalmente lançou no Brasil em outubro a versão em português do Alexa, seu famoso assistente virtual que responde a comandos de voz. O software instalado em caixas de som inteligentes traz consigo grandes expectativas para os planos da empresa no país, porém além do design e preço, a Amazon sabe que o sucesso desse produto será medido por sua capacidade em dar respostas corretas a suas perguntas e comandos.

 Para se preparar para essa disputa de mercado com a Google e sua enorme biblioteca de informações, a Amazon lançou em setembro o Alexa Answers, um projeto colaborativo onde usuários, a partir de uma espécie de jogo com classificação via pontos, são convidados a responder a uma série de perguntas em inglês para contribuir voluntariamente com o desenvolvimento do sistema e sua inteligência artificial. Quanto maior a colaboração, maior será o aprendizado. Por de trás da iniciativa, o que a Amazon está tentando fazer é utilizar de uma inteligência coletiva espalhada pela internet para resolver o seu problema, criando e testando novos conteúdos para a Alexa através de um modelo conhecido como crowdsourcing,

Descrito pela primeira vez em 2006, o crowdsourcing ou colaboração em massa via internet é uma revolução na capacidade de produção de soluções e tem atraído cada vez mais empresas de diferentes setores. Pessoas remuneradas ou voluntárias participam de um projeto enviando ideias em resposta a solicitações online feitas por meio de redes sociais, aplicativos, sites ou plataformas de crowdsourcing dedicadas, colaborando ativamente com uma solução, mesmo às vezes sem se dar conta dessa contribuição. 

O crowdsourcing tem vários benefícios que as empresas podem aproveitar em proveito próprio. Empresas de tecnologia por exemplo, recorrerem aos hackathons para encontrar soluções inventivas para problemas desafiadores. Outras utilizam as crowdsourcing para testar ideias ou mesmo fazer barulho, com intenção de envolver clientes em decisões de marca ou produto. Redução de custos operacionais, aceleração de processos, preenchimento de lacunas de conhecimento, aumento de escalabilidade e financiamento de projetos são outros recursos disponíveis a partir do crowdsourcing. Aliás, sobre financiamento várias startups recorrem a plataformas de crowdfunding como Kickstarter e Indiegogo que reúnem indivíduos, de doadores a investidores, dispostos a apoiar projetos em concepção. 

Um clássico exemplo de crowdsourcing bem-sucedido é o Waze, aplicativo referência em navegação que opera a partir de informações coletadas dos seus próprios usuários, monitoradas por uma camada de cerca de 30 mil editores voluntários, conhecidos como comunidade, muitos deles felizes pelo simples fato de pertencerem a um grupo exclusivo com um propósito nobre, no caso, melhorar as cidades em que vivem. Outra empresa que também utiliza a solução é a LEGO que lançou a plataforma LEGO Ideas para que clientes enviassem ideias para novos brinquedos, podendo inclusive votar e fazer comentários. Qualquer ideia que tenha recebido mais de dez mil votos é avaliada pela LEGO e se for selecionada, o responsável por ela é convidado a trabalhar com a equipe para torná-la realidade, além de receber royalties pelas vendas.

O crowdsourcing pode ser usado para encontrar soluções para todos os tipos de tarefas, mas nem todo projeto é adequado para ele. Se você está lidando por exemplo com um problema delicado ou um projeto que envolve propriedade intelectual valiosa, o crowdsourcing por envolver uma multidão com baixo controle, pode não ser a melhor solução. 

Na era digital em que vivemos, nossa capacidade de nos comunicarmos em larga escala tornou muito mais fácil a interação de grandes grupos de pessoas. O crowdsourcing, apesar de não ser um conceito tão novo, vem evoluindo junto com ela e se tornando um poderoso recurso estratégico para as empresas de todos os setores que queiram e precisem inovar ou ampliar o seu conhecimento através de um conjunto amplo e diversificado de talentos. 

Marcelo Martinez

Marcelo Martinez

Marcelo Martinez é engenheiro químico pela Poli-USP, pós-graduado em Marketing pela ESPM, com Mestrado em Administração pela FEA-USP e Doutorado em Administração pela FGV. Executivo com mais de 20 anos de atuação em empresas multinacionais, possui sólida vivência nas áreas de vendas, produtos e marketing, e experiência na elaboração e implementação de estratégias de negócios orientadas a resultados em diversos canais. Já foi membro efetivo de conselho consultivo de empresa de tecnologia, atuou como representante da indústria em entidades setoriais e participou de vários projetos de grande relevância, entre eles aquisições de empresas e implementação de Políticas Comerciais e Programa de Relacionamento. É palestrante em Congressos nacionais e internacionais e tem artigos publicados em revistas. Dê sua opinião sobre o artigo ou faça sugestões para nossos colunistas, envie seu e-mail.