Não há fronteiras para a transformação digital. Escolas, empresas, pessoas: é quase impossível imaginar em 2020, alguém que não tenha incorporado em sua rotina alguma nova tecnologia


A pandemia obrigou que diversos negócios se reinventassem em tempo recorde para conter os efeitos da crise, e que a sociedade ignorasse seus preconceitos sobre a inclusão da tecnologia em seu dia a dia. 

Nesta onda, um dos setores mais impactados foi sem dúvida o da Educação. Segundo a ONU, até meados de julho, mais de 160 países estavam com suas escolas fechadas, afetando ao redor de 1 bilhão de estudantes. No Brasil, que já vinha sofrendo de outros males no setor, cerca de 48 milhões de estudantes deixaram de frequentar as atividades presenciais nas mais de 180 mil escolas de ensino básico como forma de prevenção à propagação do vírus, de acordo com o último censo escolar divulgado pelo Inep. Aulas remotas se tornaram a única alternativa, e Secretarias de Educação e instituições de ensino precisaram rapidamente se adaptar a essa realidade, investindo em tecnologia, professores e novos conteúdos.

Entretanto, um lado ficou evidente nesse cenário: a diferença social entre a parte mais privilegiada da sociedade, da maioria da população, sem estrutura domiciliar, conhecimento básico e recursos tecnológicos mínimos para usufruir de um modelo de aulas a distância. Desigualdade social e tecnológica mostraram-se diretamente relacionadas. O momento que exigia medidas ousadas na criação de sistemas educativos inclusivos, resilientes e de qualidade, adequados para o futuro, e disponíveis para todos, mostrou que o desafio era ainda maior. 

Ainda assim, 2020 é um divisor de águas para a educação. Mesmo para aqueles mais tradicionais, é difícil admitir um retorno às aulas com princípios e práticas educativas de antes da pandemia, com alunos assistindo passivamente à exposição de conteúdos do professor em atividades que não engajam.  

Especialistas em pós-crise sabem que muito precisará ser feito se quisermos reduzir as diferenças, o caminho começa pela educação. Ela é o principal pilar para a redução da desigualdade e é a chave para o desenvolvimento pessoal e o futuro das sociedades. Um mundo mais informado e tolerante tem acesso à educação, e o digital é talvez o principal impulsionador desse desenvolvimento sustentável e democrático do conhecimento.


Marcelo Martinez

Marcelo Martinez

Marcelo Martinez é engenheiro químico pela Poli-USP, pós-graduado em Marketing pela ESPM, com Mestrado em Administração pela FEA-USP e Doutorado em Administração pela FGV. Executivo com mais de 20 anos de atuação em empresas multinacionais, possui sólida vivência nas áreas de vendas, produtos e marketing, e experiência na elaboração e implementação de estratégias de negócios orientadas a resultados em diversos canais. Já foi membro efetivo de conselho consultivo de empresa de tecnologia, atuou como representante da indústria em entidades setoriais e participou de vários projetos de grande relevância, entre eles aquisições de empresas e implementação de Políticas Comerciais e Programa de Relacionamento. É palestrante em Congressos nacionais e internacionais e tem artigos publicados em revistas. Dê sua opinião sobre o artigo ou faça sugestões para nossos colunistas, envie seu e-mail.