(...)“temos que ter muito cuidado com estereótipos e com conceitos pré-formulados.“ 


Uma situação corriqueira nos projetos que envolvem tecnologia é se deparar com equipes bem jovens, em geral na faixa de 20 a 30 anos. Muitos extremamente preparados, principalmente com os novos temas relacionados à inovação digital.

Mas certamente são profissionais que em algum momento de sua trajetória já passaram pelo desconforto de serem observados como se não tivessem “perfil” (leia-se idade suficiente) para assumir a responsabilidade exigida naquela atividade. 

 Curiosamente, ainda hoje, associa-se senioridade com “cabelos brancos”. Como se fosse a idade física que pudesse determinar a expertise e o nível de conhecimento de alguém sobre um determinado tema. Mas isso é uma grande falácia. Ainda mais quando se trata de um assunto que envolva uma questão muito atual.   

Claro que é importante sempre dentro de um contexto de time ter experiência, o que significa já ter realizado entregas similares. O que significa ter portfólio. E além disso, nem sempre o sucesso de um projeto está relacionado apenas ao conhecimento técnico, há outros fatores determinantes para que tudo ande bem, principalmente relacionados à gestão de tempo e à gestão de pessoas. E neste quesito, muitas vezes alguém com mais vivência pode agregar bastante valor em um time muito jovem, que tem habilidades técnicas, mas pode ter dificuldade em lidar com situações de pressão, de relacionamento ou mesmo de cronograma.   

Atuo com o Direito Digital há 20 anos, hoje estou com 44 anos de idade e agora começam meus primeiros cabelos brancos. E posso dizer que lidero equipes de jovens muito talentosos, comprometidos e tecnicamente preparados para os desafios que temos que enfrentar para apoiar os clientes. Melhor, sempre mentes curiosas que querem aprender mais sem medo da busca permanente pelo saber que exige pesquisa contínua. Também participo de projetos com equipes mistas de todas as idades, e o melhor é justamente unir toda esta diversidade. O segredo do melhor time está justamente nisso.   

Mas temos que ter muito cuidado com estereótipos e com conceitos pré-formulados. Como a ideia de que se não houver alguém acima de cinquenta anos na sala significa que a equipe é “júnior” no pior sentido do termo, ou seja, “sem experiência” ou despreparado. Ser jovem não é, necessariamente, ser júnior. Assim como ser velho não é, por sua vez, ser sênior.


Patricia Peck Pinheiro

Patricia Peck Pinheiro

A Dra. Patricia Peck Pinheiro é advogada especialista em Direito Digital, formada pela Universidade de São Paulo, com especialização em negócios pela Harvard Business School, curso de Gestão de Riscos pela Fundação Dom Cabral e MBA em marketing pela Madia Marketing School. É Sócia Fundadora do escritório Patricia Peck Pinheiro Advogados, da empresa de cursos Patricia Peck Pinheiro Treinamentos e do Instituto iStart de Ética Digital que conduz o Movimento Família mais Segura na Internet e lançou neste mês o app educativo iStartcare.