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Business

A alta do dólar e o impacto no dia a dia

Fabio Yamamoto

Publicado em 08/03/2016 às 15:47


Muito se comenta sobre o impacto da alta do dólar nas viagens internacionais, muitos brasileiros assistem decepcionados a alta do dólar e o sonho da viagem para a Disney ficando cada vez mais distante e as compras nos sites chineses ficando cada vez menos vantajosas.





O que poucos enxergam são os impactos da alta do dólar no dia a dia da população em geral, todos irão sentir direta ou indiretamente os efeitos da escalada do dólar, uma vez que boa parte de nossa produção está atrelada ao dólar em função dos insumos, equipamentos e alguns custos indiretos.





Peguemos o exemplo do trigo, grande parte do trigo consumido no País é importado, e tem origem principalmente dos Estados Unidos e Argentina, portanto comprados em dólar, desta forma a alta do dólar deve impactar produtos cuja principal matéria prima é o trigo, farinha, pães e macarrão.





O combustível, é outro bom exemplo, o Brasil importa cerca de US$ 20 bilhões por ano de petróleo e derivados. Por este motivo apesar do preço do combustível ser controlado por uma estatal, este sofre inegável pressão com a alta do dólar. Os efeitos são os mais diversos, além do preço na bomba, sentido diretamente pelo consumidor, o aumento dos custos logísticos é outro item relevante que sofrerá pressão pela alta do dólar, uma vez que o custo com combustíveis pode variar entre 15% a até 40% do custo do frete rodoviário. As passagens aéreas e o transporte de cargas aéreo também vão ser impactadas uma vez que o combustível representa cerca de 40% do custo das companhias aéreas.





Outros produtos presentes no dia a dia do consumidor também devem sofrer pressão, como medicamentos e cosméticos, o primeiro grupo apesar de ter uma boa parcela de produtos com preços controlados pelo governo, deve ter autorizados reajustes de forma a repassar parte da variação cambial. o segundo grupo deve ter o preço diretamente afetado uma vez que mesmo produtos nacionais utilizam-se de insumos importados.





Mesmo produtos cuja importação e insumos importados não é relevante, como as carnes (bovina, suína e frango) passam a ser atrativas para exportação de forma que acabam elevando indiretamente os preços no mercado interno devido a menor oferta e pela equalização do preço a cotação da carne exportada, ou seja, para vender no mercado local o produtor espera ter ganho similar ao de exportar o produto.





Temos ainda uma ampla gama de produtos e até mesmo serviços que podem sofrer pressão por conta da alta do dólar, como produtos eletrônicos, veículos, serviços que dependem de alta tecnologia, entre muitos outros.

Por consequência, outro efeito de extrema relevância é a pressão que a alta generalizada de preços vai exercer sobre a inflação, que consequentemente gera outros efeitos para nosso dia a dia, como reajustes de contratos de aluguel, contratos de prestação de serviços, dissídios que afetam diretamente os custosdas companhiasencarretando o aumento dos preços, especialmente na indústria de serviços, aumento das taxas de juros, apenas para citar alguns.

Claro que nem todos os efeitos são negativos, alguns pontos positivos como a melhora na competividade do produto similar nacional em relação aos importados.





As empresas classificadas como exportadoras que tem boa parte de seus custos em reais, mas parcela ainda mais significativa de suas receitas em dólar também serão beneficiadas.





O turismo doméstico pode ser influenciado positivamente, turistas brasileiros que mesmo com a crise ainda pretendem viajar podem trocar os destinos internacionais pelos atrativos de nossa vasta imensidão territorial, bem como o país passa a ser um destino atrativo a turistas estrangeiros em função do fortalecimento do dólar.

Contudo os efeitos positivos dificilmente suplantam os aspectos nocivos do câmbio exageradamente elevado, por este motivo todos nós devemos ficar preocupados com a valorização do dólar frente ao real, pois os impactos em nosso dia a dia são muito maiores e complexos do que podemos imaginar.