RH
A importância do processo de integração do novo funcionário
Milene Lopes Schiavo
Publicado em 03/04/2013 às 16:55
Muitas empresas e profissionais preocupam-se bastante com o processo seletivo de um novo funcionário e, no primeiro dia de trabalho, parece que o processo acabou ali. Ledo engano! O processo seletivo encerra uma fase importante quando define o candidato e este aceita a proposta de trabalho. Mas após isso, ainda existe uma fase fundamental que é o processo de integração na nova empresa. Infelizmente muitas organizações não dão a devida importância e perdem uma rica oportunidade de engajar o novo funcionário no início.
Lembro-me muito bem quando, no começo de minha carreira, iniciei em um novo desafio e a área de RH da empresa me informou que teria um mês de processo de integração. Confesso que estranhei e até achei um exagero. 30 dias de integração? Pois é... era um procedimento muito estruturado e sagrado. Não existia qualquer possibilidade de um novo funcionário “pular esta etapa”. Hoje confesso que se as empresas fizessem um terço deste processo de integração já estariam em grande vantagem... Fiquei uma semana aprendendo sobre o portfólio de produtos da empresa. Nomes, fornecedores e aplicabilidade de cada produto, como era sua venda no mercado, o que se comprava mais ou menos. Depois disso fiquei três semanas em lojas. A primeira foi de aprendizado da metodologia de vendas e do sistema. As outras duas semanas foram de balcão! Ou seja, atuei como uma vendedora da empresa, atendi cliente, tirei pedido, indiquei produto e pude acompanhar o dia a dia na “linha de frente” da empresa. Após esta integração fui direcionada à minha área de atuação – onde tive uma integração adicional na área de trabalho. E foi incrível, pois ali percebi o quão valioso foi este período de aprendizagem. Foi muito mais fácil desenvolver o meu trabalho, pois conhecia os produtos, o time comercial, o cliente! E aí fez todo o sentido este “teoricamente longo” período de integração.
Atualmente percebo uma “urgência” nos processos seletivos onde os requisitantes não apenas acreditam ser viável ter candidatos disponíveis de imediato, como acham que devem iniciar urgentemente na empresa. Ora... mesmo que o RH tente sugerir um processo de integração nos dias atuais (uma semana que seja!), este requisitante se apressa em dizer que não há tempo disponível para isso. Acredito que vale a pena refletir, porque um funcionário novo, por mais potencial e experiência que tenha, poderá entregar resultados de forma mais ou menos rápida. E o processo de integração tem todo o impacto nesta velocidade. Quanto melhor a empresa conseguir integrar este funcionário novo, mais rápido ele se sentirá confiante para desenvolver seu trabalho e gerar resultados.
Fora a questão de aprendizagem e resultados, existe ainda um terceiro ponto. O “acolhimento”. Como este novo profissional é recebido? Por quem é recebido? Existe uma reunião de apresentação? Um “padrinho” para ensinar as questões básicas da nova empresa (procedimentos, políticas, formulários, sistema, locais de refeição, etc.). São aspectos que parecem simplórios (e por isso julga-se como desnecessários), mas que fazem muita diferença em como o novo profissional se sente no novo emprego. Como diz o ditado “a primeira impressão é a que fica”! E se o profissional chega no seu primeiro dia de trabalho e sente-se abandonado e perdido, sem algo “estruturado”, termina tendo um sentimento negativo. E a sua conexão com a nova empresa já inicia de forma frágil ou não se inicia de forma alguma.
Vamos então reverter isso e garantir maior conexão dos novos profissionais? O RH deve formatar um processo de integração que envolverá os aspectos importantes da empresa, do negócio e da sua área de atuação (provendo a visão sistêmica). Além disso, é necessário apoio da sua equipe e do seu gestor. Deve-se treinar os gestores e prover um roteiro de como ele deve receber e acompanhar um novo funcionário nos primeiros três meses (período de experiência), incluindo feedbacks estruturados ao final de cada mês. É fato que dará resultado e que o funcionário se sentirá não apenas mais acolhido, como mais preparado para desenvolver a função para a qual foi contratado.

