Gestão
A Inovação Reversa e o “Jeitinho Brasileiro”
Marco Leone Fernandes
Publicado em 04/02/2013 às 10:43
Não é somente dos grandes laboratórios de pesquisa e desenvolvimento das maiores universidades e empresas do mundo que sairão as maiores ideias dos próximos dez anos. Elas provavelmente virão da necessidade e da limitação de algum país emergente. O conceito da Inovação Reversa - que já não é tão novo assim – aposta que as grandes ideias que funcionaram bem em mercados em desenvolvimento terão o mesmo sucesso nos mercados desenvolvidos. A conhecida limitação de infraestrutura e de renda per capita, estimula esses mercados a usarem a criatividade e em repensar modelos já consagrados, adaptando-os para mercados menores e com menos renda. O efeito colateral positivo desse movimento é o que possibilita essa inovação reversa.
Muitos produtos e serviços se consagraram por uma característica principal, mas o seu custo total é influenciado por outras características consideradas desnecessárias por esse potencial consumidor. Aqui mesmo no Brasil, uma subsidiária de uma grande multinacional que, entre outros vários produtos fabrica fraldas descartáveis, percebeu que apesar de ser a marca preferida do mercado, perdia muitos negócios em virtude do preço alto do seu produto. Entendendo que, a capacidade de manter o bebê sequinho durante toda a noite era o que realmente importava, criou um modelo básico do seu produto, preservando essa característica e tirando todo o resto que não era percebido como benefício por esse potencial consumidor e o novo modelo básico e mais barato de sua fralda descartável, é um sucesso e traz milhões em receita no Brasil e no mundo.
Os exemplos como esse são muitos, e vem se multiplicando em diversos países emergentes em segmentos dos mais variados, desde aparelhos ultraportáteis para realização de exames cardíacos, até o carro indiano de 2000 dólares. No segmento de serviços, vemos vários exemplos que funcionaram muito bem aqui e lá, como por exemplo, o pequeno salão de manicure das J Sisters, que se estabeleceram nos USA e faturam hoje algo como 7 milhões de dólares por ano, e que ainda deverá virar filme em breve.
Não há limites para essa criatividade e nem tampouco para o empreendedorismo, existem dezenas de outras iniciativas e ideias, surgidas das limitações e necessidades locais, que poderão ser bem sucedidas em países desenvolvidos.
Esse conceito tem estimulado diversos fabricantes a usarem o Brasil como um laboratório avançado para ideias e novos modelos de negócios, a criatividade e persistência dos executivos brasileiros são ingredientes importantes para que esses projetos sejam bem sucedidos e sirvam de base para a sua utilização na matriz e nos mercados mais importantes.
Convido a você a observar o que você faz de melhor na sua empresa e principalmente o que você faz de maneira diferente do convencional, aquilo que é o seu “molho secreto”, isso poderá um dia ser um negócio por si só, muito maior do que o seu negócio inteiro é hoje, desde que possa ser documentado, replicado, e usado em larga escala em mercados desenvolvidos. Vamos usar todo o potencial do nosso “Jeitinho Brasileiro” para o bem, de maneira ética e positiva, e assim assumir o nosso verdadeiro papel no mundo dos negócios, o de ser um grande líder criativo, empreendedor e inovador.

