Automação
A Tecnologia Wearable e seu guarda-roupa de oportunidades
Marcelo Martinez
Publicado em 04/05/2015 às 10:09
O mercado de tecnologia é ávido por novidades. Não é à toa, portanto, toda a cobertura que a imprensa especializada dá às principais feiras ao redor do mundo, nas quais fabricantes de todas as partes e tamanhos se apressam em mostrar seus produtos, mesmo aqueles ainda não lançados. É nesse momento em que elas fazem de tudo para ocupar um espaço de vanguarda que lhe renderá bons frutos comerciais.
Nesta área, a Apple é uma referência em criar tendências e superar expectativas. Prova disso foi o lançamento, em março, do Apple Watch, aquele relógio inteligente (ou smart watch) que quando conectado ao iPad ou iPhone, proporciona ao usuário vários recursos, desde o monitoramento de sua saúde (o que, aliás, já não é tão novidade assim) até a possibilidade de ser utilizado como uma carteira digital, substituindo aqueles cartões de débito e crédito em pagamentos por meio da tecnologia NFC, aquela mesmo sobre a qual já conversamos no passado. A grande notícia é que após duas semanas de comercialização, segundo a consultoria Thing Big Analytics, o Apple Watch já é o lançamento mais rentável da companhia de todos os tempos, com mais de 3 milhões de unidades vendidas e uma receita de vendas estimada de US$2 bilhões para os três modelos.
O Apple Watch é, no linguajar tecnológico, um wearable device, ou dispositivo de vestir ou vestível, produtos que se acoplam diretamente ao corpo humano, coletam e transmitem dados com processadores próprios e conectividade wireless. Não se trata, entretanto de uma novidade, uma vez que já existem no mercado outros dispositivos de vestir disponíveis, mas o certo é que conquistas como a da Apple consolidam essa nova categoria e promovem uma explosão de aplicativos e dispositivos similares, alguns proporcionando possibilidades até então não previstas nem mesmo por aqueles que gostam e estudam o assunto.
Entre os wearables devices, além de relógios, enquadram-se várias outras peças de vestuário como pulseiras, trackers, tornozeleiras, braceletes, óculos, anéis, trajes, entre outros dispositivos que podem ser acoplados ao corpo para tornar o usuário passível no uso de gadgets. Um ponto interessante é que, neste caso, os fabricantes, além da tecnologia, precisam se preocupar muito com a aparência de seus produtos, afinal a maioria são objetos de adorno que envolvem critérios de moda e portanto, de gosto popular. Não basta ter tecnologia, tem também que ser bonito e fácil de usar.
Na Autocom 2015, algumas empresas já começaram a mostrar soluções wearables, apesar de ainda serem pouco viáveis economicamente e necessitadas de aperfeiçoamento. De fato, apesar da maioria dos dispositivos ainda se concentrarem no segmento de infoentretenimento (lazer e estilo de vida) e de saúde, alguns setores tem buscado essa tecnologia e novos desenvolvimentos para fins bens específicos visando melhorar sua performance, como por exemplo a indústria de modo geral e mesmo o segmento militar.
Em relação ao futuro do mercado de tecnologias de vestir, o relatório The Future of Wearable Tech feito pela PSFK, uma consultoria americana de tendências e comportamento de consumo, aponta cinco delas como sendo as mais impactantes: 1. Ampliação da computação orgânica: gestos e pensamentos integrados às tecnologias proporcionando uma nova gama de produtos e aplicações; 2. Estilo de vida sincronizado: integração com outros equipamentos e sistemas, automatizando, por exemplo, atividades diárias e outras funções atualmente executadas manualmente; 3. Aperfeiçoamento do potencial humano: ampliação da nossa capacidade motora e cognitiva para executar atividades por um período maior de tempo ou com maior precisão com auxilio de sensores; 4. Fusão do bio com o tech: diminuição dos componentes e integração com a pele e o corpo humano; e 5. Controle da saúde: desenvolvimento de diagnósticos mais precisos e preventivos, antecipando doenças e auxiliando na definição do tipo de tratamento mais eficiente.
Apesar do potencial, os wearables ainda se encontram em fase inicial de introdução e certamente muitas oportunidades de negócios irão surgir com o desenvolvimento e popularização dos conhecimentos relacionados. Para se ter uma idéia do crescimento exponencial esperado para a categoria, segundo estudo do Credit Suisse (The Next Big Thing – Wearables Are In Fashion), a expectativa é que o tamanho desse mercado cresça 10 vezes nos próximos 3 anos. Na mesma linha a consultoria Business Inteligence Berg Insight prevê vendas globais de 64 milhões de dispositivos de vestir em 2017.
Se agora a moda é vestir tecnologia, meu conselho para aqueles antenados e que querem aproveitar o momento, é ficarem atentos aos wearables ao seu redor e no seu guarda-roupa de soluções para encontrar as melhores peças para vesti-las no mercado de automação e AIDC. Com certeza essa moda vai chegar até você muito em breve. Aproveite e faça negócios.

