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Marketing

A visão do balão

Marco Antonio Pereira

Publicado em 05/07/2010 às 14:03

align=leftEm umas das minhas viagens conheci um balonista divertidíssimo. Assim como Bertrand Piccard, psiquiatra que deu a volta ao mundo em um balão, a pessoa me contou com muito entusiasmo sobre suas aventuras.

Piccard disse, certa vez, em relação aos passeios de balão, que quando nos deparamos com ventos fortes, a solução não é lutarmos contra eles, mas procurar novas altitudes com outros ventos que nos levem na direção certa.

Utilizando o exemplo de Piccard como metáfora, podemos associar os balões às empresas. O vento é o macro-ambiente, que é aquela parte do ambiente de marketing que não controlamos, nem influenciamos. Outros exemplos análogos a este: não conseguimos mexer na taxa de câmbio, nas novas leis, e, especificamente neste caso, com os ventos que sopram ao seu bel-prazer. Mas o que fazer nestes casos? Precisamos nos adequar à realidade apresentada, buscando alternativas (novas altitudes) que nos permitam seguir adiante.

Os passeios de balão me despertaram interesse pelas conversas entre as pessoas que estão nele e o seu time de terra, que segue por estradas e caminhos conhecidos – ou não – acompanhando os direcionamentos recebidos por rádio.

Os ventos mudam e o balonista que está no alto dá o direcionamento para o pessoal de terra. Bastante parecido com o mundo dos negócios: a mudança do cenário competitivo (dos ventos) faz com que os líderes usem de sua visão estratégica para que seu time de operação (pessoal de terra) tenha caminhos mais fáceis a seguir.

A equipe de apoio que está em terra nem sempre vê um rio que está logo à frente. Mas o líder, com visão privilegiada do alto, enxerga e avisa para que seja possível buscar outro caminho. É assim também com o líder de uma empresa. Quantas vezes nos deparamos com uma visão tática do negócio não enxergando um rio logo à frente e que o líder com sua visão ao longe, dava o caminho a seguir!

Mas o caminho inverso também pode ocorrer. Quando o balonista voa acima das nuvens e perde a referência de terra, cabe ao pessoal tático dar a direção ao líder, o que chamo de liderança situacional.

Por fim, cabe ao pessoal de terra cortar as amarras para o balonista alçar voo. Nas empresas, as amarras têm que se soltar para que o voo seja pleno, tal qual um planejamento de vendas para 12 meses, com uma boa decolagem e, por fim, uma tranqüila aterrissagem.

Meta cumprida! E bons voos a todos!

 

Aventuras de um consumidor não tão misterioso

Um amigo me conta que foi a uma concessionária de veículos em busca de um novo modelo da marca que ele estava interessado em conhecer, apesar da sua fidelidade a uma outra marca...

Ao chegar à loja, encontrou um ambiente agradável, mas sentiu uma arrogância desconfortável no vendedor, que parecia estar acima de tudo e de todos. A explicação das características do novo bólido estavam na mesma linha, parecendo que tudo era muito inovador, quando na verdade o mercado já as conhecia...

Meu amigo seguiu em frente e quis entender preços e formas de pagamento, mas o pior ainda estava por vir! Quando o vendedor foi informar o preço, disse:

- Sobre o preço de tabela há um pequeno acréscimo!

Meu amigo:

- Referente a ... ???

O vendedor não sabia o que dizer, e meu amigo completou:

- Ágio? De verdade?

O vendedor não sabia o que dizer e se justificava que, por ser um lançamento, a procura estava grande e que a montadora não estava conseguindo abastecê-los a contento, etc e tal...

Meu amigo voltou-se ao vendedor, agradeceu e saiu.

Eu fico me perguntando se a montadora sabe de tais peripécias das lojas, pois se ela não projetou adequadamente a oferta de produção para o lançamento do novo modelo, existem outras formas de regular o mercado, ao invés de deixar esta “regulagem” aos artistas do ponto-de-venda. Ágio? Nunca mais!