RH
Agilidade de Aprendizagem
Milene Lopes Schiavo
Publicado em 04/04/2018 às 17:06
A transformação digital demanda um novo perfil de profissional
Um grande número de empresas já se mobilizou ou está se movimentando para a “corrida” da transformação digital. Este é um tema que está cada vez mais na pauta das agendas dos executivos.
Se as empresas estão buscando ampliar o uso da tecnologia nos seus negócios (sejam eles produtos, serviços, sistemas, logística, etc.), deverão pensar também em como a sua força de trabalho poderá alavancar essas mudanças necessárias e desejadas.
Quando falamos ou ouvimos sobre “transformação digital”, muitos termos vêm à “mesa”: Big Data, Data Analytics, Realidade Virtual, Inteligência Artificial, Internet das coisas... e a pergunta que faço é: como vocês estão se preparando para ter profissionais aderentes a esta nova realidade? Se precisamos avançar e atuar de forma disruptiva, o perfil de profissional atual dará conta deste recado?
Quando pensamos no mundo VUCA* (volátil, incerto, complexo e ambíguo) em que estamos inseridos, notamos que as coisas estão fora de controle e que não existe mais “fórmulas conhecidas e definidas” que nos levem ao alcance dos objetivos. O que deu certo no passado, não é mais garantia de sucesso no futuro.
Os profissionais precisam, então, estar prontos para enfrentar as situações novas e inesperadas e serem flexíveis para adaptar seus planejamentos sempre que necessário. Devem estar abertos a mudanças de paradigmas, pois as soluções de hoje provavelmente não serão aplicáveis aos problemas do amanhã. Não será mais viável prever situações ou resultados de ações isoladas, pois a complexidade do contexto atual nos apresenta um elevado número de variáveis que devem ser interconectadas e a ambiguidade abre um espaço para múltiplas interpretações.
Assim como se fala que as organizações de hoje precisam atuar de forma “Agile”, para que o profissional possa estar mais aderente a todo este novo contexto, deve apresentar algumas características e competências relacionadas à Agilidade de Aprendizagem (Learning Agility).
Segundo definição da Korn Ferry, agilidade de aprendizado é a habilidade e desejo em aprender a partir da experiência e, em seguida, aplicar o aprendizado para obter um desempenho de sucesso dentro de um contexto novo ou de uma situação nunca vivida. É avaliada em cinco dimensões:
• Agilidade mental: sente-se confortável com a complexidade e a ambiguidade, encontra soluções para problemas difíceis, tem interesse em diversas áreas do conhecimento, é uma pessoa muito curiosa.
• Agilidade com pessoas: tem facilidade de trabalhar com uma diversidade de pessoas, é politicamente ágil, habilidoso comunicador, gerencia bem conflitos interpessoais.
• Agilidade para mudanças: busca melhorar sempre (nunca está satisfeito), introduz novas perspectivas, diverte-se ao liderar esforços de mudança.
• Agilidade para resultados: entrega resultados (ainda que em situações difíceis), é engenhoso, inspirador, tem presença significativa, constrói times de alta performance.
• Autoconsciência: é perspicaz, reflexivo, claramente compreende suas forças e fraquezas pessoais, busca feedbacks e é consciente do impacto que causa nos outros.
Ter agilidade de aprendizagem é um forte indicador de alto potencial. Conforme pesquisas realizadas pelo Instituto Korn Ferry, estima-se que apenas 15% da força de trabalho global seja realmente ágil. Os estudos também mostram que as empresas com executivos altamente ágeis têm margem de lucro 25% maior que o grupo de empresas com as quais foram comparadas. Executivos com altos níveis de agilidade de aprendizado, tolerância à ambigüidade, empatia e fluidez social são cinco vezes mais propensos a serem altamente engajados. E indivíduos com alta agilidade de aprendizado são promovidos duas vezes mais rápido que indivíduos com baixa agilidade de aprendizagem.
Como estão os profissionais das empresas com relação a estas habilidades? E vocês, leitores? Acreditam que possuem essas características? Existem ferramentas de avaliação disponíveis para avaliar/mensurar o nível de Learning Agility do profissional. É um mapeamento muito importante a ser feito com os profissionais mais relevantes das empresas. Afinal, saber se os profissionais que vocês têm hoje poderão levar ao sucesso do amanhã, é uma informação totalmente estratégica.

