Marketing
As macro tendências
Marco Antonio Pereira
Publicado em 10/03/2011 às 11:55
Recentemente li um estudo do IDC que falava sobre o crescimento nas vendas dos smartphones no Brasil e que, em 2011, suas vendas – em unidades – devem superar a venda de PCs de mesa. O que está por trás disto?
Além dos interesses comerciais da indústria de telefonia móvel, sejam dos fabricantes ou dos prestadores de serviço, com suas políticas de subsídio levando estes produtos a custos muito atraentes, há uma tendência sócio-cultural que está empurrando estes números.
Hoje em dia não basta só estar “ligado”. E vamos definir “ligado”, pois há algum tempo isso significava estar antenado às notícias do cotidiano, às novidades... Depois de algum tempo significou estar disponível através de um celular, qualquer ele que seja.
Isso mudou! Estar ligado significa ver seus emails algumas vezes por dia. E respondê-los. Ver no Facebook as principais novidades da sua rede de amigos, comentando as de maior interesse. Ou twitar algo que seja importante durante seu cotidiano...
O mundo mudou! Caso você não atenda a estes pré-requisitos, seus amigos logo o rebaixarão a obsoleto ou desligado.
O que falo aqui na coluna de marketing é que deveríamos repensar sobre estas tendências e entender onde existem oportunidades de negócios. Desenvolver jogos, aplicativos e afins passa a ser uma baita oportunidade.
Um especialista em TI desenvolveu um aplicativo para iPod e iPad capaz de identificar onde existem radares pela cidade. Durante algum tempo este aplicativo fez parte da lista do Top 10 da Apple.
Que mais? Sabemos que uma outra grande tendência, devido a falta de tempo das pessoas, é usar curadores para ajudá-las na busca de determinados assuntos. Qual filme assistir? A qual peça de teatro devo ir? E, qual restaurante devo almoçar? Como as pessoas não têm tempo, buscam a ajuda destes curadores que passam suas opiniões endossando suas escolhas.
A volta do tradicional. Muitos homens estão retomando o sabão e pincel de barba para seu cotidiano. Coisas que só víamos nos nossos avôs, hoje existem lojas especializadas. Recentemente estive nos Estados Unidos e vi a loja “The art of shave” (A arte de se barbear). A loja tem inúmeros utensílios, cremes e acessórios para fazer barba. E mais, tem um barbeiro com um cardápio de diferentes barbas para o cliente escolher.
O que digo por aqui é que, seja nas últimas tecnologias ou nas novas tendências do comportamento humano, há muitas oportunidades e os que enxergarem primeiro sairão na frente.
Aventuras de um consumidor não tão misterioso
Diversas vezes ouvi o ditado que o cliente tem sempre razão. Lembro rapidamente de dois exemplos que fogem a este tema.
Primeiro, em uma pizzaria que insistia com seu cliente que o chopp deveria ter colarinho. E alto!
O cliente insistia em pedir um chopp sem colarinho e o garçom descrevia sobre as vantagens do sabor, da manutenção da temperatura do tal do colarinho. Fim da história: o chopp continua vindo com colarinho e o cliente nunca mais volta à pizzaria.
Outro exemplo é sobre uma rede de cafés que os servia nos moldes italianos: bem curtos.
Depois de muito insistir e acho que entendendo o gosto brasileiro, agora podemos tomar o café “longo”, que nada mais é que o nosso tradicional expresso.
Meu ponto aqui passa por entender o que o cliente deseja e atendê-lo. As empresas devem pensar de fora para dentro e não o contrário. Muitos quebram por fazer sua empresa de dentro para fora.
Tirando os momentos onde a decisão do cliente pode causar algum mal, físico ou financeiro, entendo que devemos respeitar suas opiniões na íntegra.
Só para pensar, tem uma frase que ouvi do meu amigo Carlos Alberto Julio que diz que toda empresa deve atender às necessidades do cliente, mas se você atender a todas as necessidades sua empresa quebra.

