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É Legal

COLABORADOR WHATSAPP?

Patricia Peck Pinheiro

Publicado em 29/05/2015 às 15:49


Recentemente, um comerciante mineiro divulgou a seguinte oferta de emprego: “precisa-se de vendedora, sem WhatsApp”. Será que no ambiente de trabalho este recurso vem sendo bem utilizado, para promover maior fluxo de informações, ou vem contribuindo para a dispersão do colaborador, perda de produtividade e até mesmo aumento dos riscos de segurança da informação?



Como lidar com um recurso que já se popularizou tanto e que junto com o celular e a internet trouxe o efeito da “desconcentração digital” para dentro das empresas?



Por certo, não tem como proibir totalmente, mas tem como limitar, como gerar uma regra clara sobre uso de aplicativos sociais no ambiente de trabalho.



O termo de uso do WhatsApp tem duas informações muito relevantes: a idade mínima, que é a partir de 16 anos, e de que o usuário não deve utilizar o serviço para compartilhar informações protegidas por segredo industrial, confidencialidade ou privacidade. Bem, pelo visto, ninguém leu o termo de uso no Brasil.



A sociedade atual vive uma grande mazela: o excesso de ansiedade. É tanta informação chegando o tempo todo que gera uma aceleração no cérebro, que depois tem dificuldade seja de se desligar para dormir, ou de memorizar qualquer coisa.



O fato de o WhatsApp contar para o usuário que alguém está “escrevendo” para ele é um sinal dessa influência. Que efeito isso gera? Aquele que acha que vai receber uma mensagem passa a ficar em estado de expectativa, paralisado em frente à telinha do celular, aguardando que a tal da mensagem chegue.



E se não chegar? O que será que aconteceu? Será que a pessoa do outro lado não gosta mais de mim? É gerado então o efeito inverso, o de “carência digital”, abandono, solidão. Vemos pessoas olhando para seus celulares à espera de um diálogo do “além”.



Isso é tão forte que não existe nada mais desesperador do que ficar sem o celular, acabar o crédito ou a bateria. Aí a mensagem não vai chegar! Mas que mensagem afinal? E se foi um engano, digitou sem querer? Quanta ansiedade gerada por conta disso!



Uma coisa é certa, nunca vivemos tão interconectados. Isso tem efeitos positivos, aproxima quem está longe, mas também tem efeitos negativos, pode afastar quem está perto, além de contribuir para desenvolvermos vícios tecnológicos.



Ademais, tudo que escrevemos no WhatsApp é considerado prova escrita, tem valor jurídico, fica documentado. Portanto, cuidado para não ficar “lavando roupa corporativa” através desse recurso.



O Judiciário já julgou vários casos em que responsabilizou todos de um grupo de WhatsApp pela ofensa ou ridicularização de uma pessoa, integrante ou não do grupo. Por ter muita prova, sempre configura dano moral, e a indenização tem sido em média de 10 mil reais por integrante do grupo.



Na era digital, é bem difícil apagar o que já foi compartilhado; não existem mais “palavras ao vento”. É preciso preparo para usar essas novas ferramentas da melhor forma possível, saudável e segura. Qualquer descuido pode gerar muita dor de cabeça e danos bem reais.