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Como prevenir e combater a fraude eletrônica?
Publicado em 03/03/2009 às 16:33As transações eletrônicas crescem não apenas na Internet, passam por POS, ATM, celular. Se cada vez mais operações entre empresas e pessoas ocorrerão através de um ambiente digital, como prevenir e combater a fraude eletrônica, sem as partes estarem presentes?
Os relacionamentos eletrônicos significam, em geral, aumento de receita e redução de custos. A tecnologia “desburocratiza”. Mercados como Financeiro, Cartão de Crédito, Saúde, Seguros, Previdência, necessitam cada vez mais interagir com o cliente por vias eletrônicas. Mas isso não deve estimular a fraude.
O desafio não é mais migrar a operação ou o negócio para o meio eletrônico. É gerar a prova de autoria, requisito jurídico para validar obrigações e responsabilidades. Entram em cena novas tecnologias para viabilizar a autenticação do usuário e facilitar a operação onde quer ele que esteja. Buscam-se meios para certificar-se de ser o cliente que está do outro lado da interface fazendo a solicitação, bem como, quando não o for, recusar o pedido e gerar rastreabilidade para identificar o “agente falso”.
A tecnologia bem empregada, dentro de um modelo de blindagem jurídica, diminui a burocracia e apóia a prevenção e o combate à fraude. Quanto mais papel e interação humana, mais chances de morosidade e fraude. Com o crescente uso de biometria e certificados digitais, tokens e outros, como meios de autenticação associados a virtualização dos serviços, um banco pode conceder empréstimo ao cliente dentro de uma loja de materiais de construção, um plano de saúde, autorizar rapidamente a internação em um hospital.
Mas tecnologia só não basta. É essencial conscientizar o cliente para que saiba se proteger e não empreste a ferramenta de autenticação para outra pessoa (o que ocorre muito com senhas), nem caia em golpes pela internet (o que ocorre com e-mails falsos e outros). Já a empresa deve estruturar adequadamente a área de TI para fazer a guarda das evidências eletrônicas com proteção da cadeia de custódia, para que sirvam como prova na Justiça, se necessárias.
De um lado, aumenta-se a proteção preventivamente com educação dos usuários. Do outro, deve-se ampliar a capacidade de resposta a incidentes, para combater a fraude na raiz, alcançando as quadrilhas que atuam no ambiente virtual protegidas pelo anonimato.
É preciso fazer uso de novas tecnologias, em geral mais protetoras e capazes de dificultar a vida de quem quer fazer errado, somando-se campanhas de conscientização e implementação de procedimentos padronizados para reação aos incidentes e identificação do verdadeiro inimigo, o bandido, já que o cliente é, em geral, a vítima.
Há, portanto, dois elos fracos na corrente, não só um: o cliente, que por inocência, desconhecimento ou má-fé (auto-fraude), é envolvido em um incidente; e o próprio mercado de Internet e Telecom, que precisa se tornar um aliado no combate a fraudes e crimes eletrônicos, já que possui as testemunhas-máquinas que podem dizer se não foi o cliente, quem foi.
As empresas precisam oferecer e entregar serviços e produtos por meios eletrônicos, com maior geração de receita e redução de custos, tempo, burocracia e impacto no meio ambiente, com uso de menos papel. Mas o aumento da demanda atrai criminosos motivados pela falta de controle destes canais no tocante a autoria – não em relação a quem tem que ser (pois os modelos de autenticação estão se sofisticando), mas de descobrir quem foi de fato (quando alguém faz uso da identidade digital do cliente).
Não há como combater as fraudes eletrônicas com eficiência sem comprometimento efetivo de provedores de internet, de e-mail e de conteúdo, lan houses, cyber cafés e empresas de telecom, integrados em uma rede que deve reunir empresas, pessoas, autoridades e infraestrutura da sociedade digital.
Toda a sociedade ganha com mais usuários sem medo de se relacionar por canais eletrônicos. Já temos tecnologia, estamos iniciando o processo de conscientização para que os clientes saibam se proteger e fazer uso ético, seguro e legal dos meios eletrônicos. Só falta a união dos mocinhos. Que isso ocorra antes de estarmos no cenário de mobilidade total, pois se até lá o mercado não se articular da forma necessária os riscos e prejuízos serão incalculáveis.

