Opinião
Copa do Mundo: a tecnologia dentro e fora dos gramados
Publicado em 05/05/2011 às 10:27
Valério Augusto Mateus é diretor da área de Vendas da T-Systems do Brasil
Paixão nacional, o futebol é motivo de comoção de toda a nação brasileira. Mas os números mostram que não estamos sozinhos nessa paixão. Na última Copa do Mundo, realizada na África do Sul, mais de 3 bilhões de pessoas ao redor do planeta acompanharam os 64 jogos do torneio. Esse número foi 14% maior que o registrado na Copa anterior, na Alemanha, em 2006, quando 2,63 bilhões de fãs assistiram aos jogos. Também foi 101% maior que o da Copa de 2002 e 183% maior que o da de 1998. Podemos esperar um novo recorde em 2014, ainda mais se considerarmos as novas formas de acesso à informação que estão se popularizando com a Internet. Dentro dos estádios, os números são igualmente impressionantes: mais de 3 milhões de pessoas assistem aos jogos presencialmente, uma média de 50.000 por partida.
Atender à demanda de todas essas pessoas requer a aplicação de soluções tecnológicas de ponta em diversas áreas, como transmissão de vídeo e dados, segurança física e de informações, transportes e outros diversos serviços voltados aos fãs do futebol. O Brasil tem experiência em sediar grandes eventos, como o carnaval e as eleições, nas quais apuramos mais de 101 milhões de votos válidos, número maior que o da população da França ou da Alemanha. Isso mostra a capacidade dos brasileiros para executar grandes espetáculos. Porém a Copa é mais que um torneio, ela vai além dos campos de futebol e o País precisa se preparar. Hoje muito se fala a respeito da infraestrutura física de estádios e aeroportos, mas é preciso começar a discussão sobre toda a tecnologia necessária para que essas estruturas possam realmente atender às necessidades de um evento como a Copa do Mundo.
Na Copa de 2006, o Estádio de Berlim contava com mais de 3.000 pontos de acesso à rede, via cabo, para a transmissão das informações dos jornalistas que cobriam as partidas. A segurança é fundamental nessa comunicação, pois a foto que revela os detalhes de um gol ou de um lance decisivo é um ativo de grande valor para os veículos de comunicação. Para garantir essa segurança, todo o estádio foi conectado por uma rede física, eliminando a necessidade de transmissões wireless. Numa sociedade online prover tantos pontos de rede, inclusive ao redor do gramado, para a transmissão segura e instantânea das informações é fundamental para garantir que aqueles 3 bilhões de pessoas possam acompanhar cada lance das partidas de uma Copa do Mundo.
Ainda na questão de segurança é importante considerar que milhões de pessoas, das mais diferentes culturas, estarão nas cidades sede para assistir aos jogos ou simplesmente para acompanhar o torneio. A paixão despertada pelo futebol pode trazer reações inesperadas, por vezes violentas, e as cidades deverão estar preparadas para responder de forma adequada e garantir a segurança não apenas de sua população, mas de todos os visitantes. Para isso as cidades sede de Copas anteriores se prepararam com muita tecnologia, criando centros de operação onde as diversas unidades de resposta a crises, como Polícias, Bombeiros e Centros de Saúde, podiam coordenar suas ações. Equipamentos avançados de comunicação digital dotados de GPSs, câmeras, criptografia de áudio e outras tecnologias permitiam a coordenação perfeita entre todos os envolvidos no gerenciamento de uma crise. A infraestrutura de tecnologia que permite a criação desses centros também deve ser prevista, tanto dentro quanto fora dos estádios.
Facilitar o deslocamento dessas dezenas de milhares de pessoas pelas cidades, não apenas nos dias de jogos, é outra tarefa que pode ser muito facilitada com o uso de tecnologias específicas. É importante considerar que esses visitantes se deslocam de forma distinta daqueles brasileiros que assistem a uma final do Brasileirão. Eles não conhecem a cidade e seus desvios, os caminhos alternativos ou os melhores horários para realizar esse deslocamento. Ferramentas de monitoração de trânsito, aliadas a displays inteligentes capazes de mudar suas orientações de forma online, indicam em tempo real a melhor rota para ir ao estádio.
A Copa do Mundo há muito tempo deixou de ser apenas um espetáculo de dribles, de jogadas ensaiadas, da genialidade dos jogadores. O evento é também um pontapé para o desenvolvimento dos países que sediam esse torneio. O Brasil tem todas as condições para sediar uma Copa do Mundo, mas precisa de planejamento, de uma visão ampla e de futuro, além de ações que aproveitem experiências bem-sucedidas em Copas anteriores. Com todos os avanços recentes, a expectativa é que a Copa de 2014 seja a mais tecnológica das Copas.

