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Estratégias Digitais

FemTechs: a escalada tecnológica do empoderamento feminino

Marcelo Martinez

Publicado em 09/12/2019 às 16:25

Empresas e investidores fazem apostas cada vez maiores em produtos e serviços que deem às mulheres uma chance para assumir o controle de sua saúde em todas as fases da vida.  


Historicamente, a indústria de tecnologia, o campo da saúde e o mundo dos negócios, negligenciaram as necessidades das mulheres por anos. Apesar de representarem metade da população mundial, apenas 4% de todo o financiamento global para pesquisa e desenvolvimento de produtos e serviços de saúde são investidos na saúde da mulher. Assuntos como menstruação, fertilidade, gravidez e menopausa ainda são tratados como tabu nas famílias e sem a devida atenção em um mundo corporativo comandado por homens. 

A boa notícia é que esse cenário está cada vez mais no passado - com o aumento da conscientização e os avanços da tecnologia, empresas batizadas de FemTechs, percebendo as inúmeras oportunidades advindas com o aumento da representação das mulheres na sociedade, estão desenvolvendo soluções inovadoras para problemas comuns ao universo feminino e já realizando muito dinheiro com suas apostas. 

FemTech (ou tecnologia feminina) é um conceito aplicado a uma categoria de produtos e serviços que utilizam tecnologia para melhorar a saúde e o bem-estar das mulheres. Aplicativos de celular, gadgets de inteligência artificial, sistemas e plataformas virtuais são apenas alguns exemplos. De acordo com o relatório da Frost & Sullivan 2018, trata-se de um fenômeno mundial com potencial de receita superior a US$ 50 bilhões até 2025. 

O interesse de investidores pelas FemTechs também disparou. Bons exemplos este ano dessa escalada são as startups Modern Fertility, especializada em testes de fertilidade, e a Elvie, que comercializa bombas mamárias vestíveis e aparelhos para melhorar a força da musculatura pélvica em mulheres pós-gravidez, que receberam respectivamente US$ 15 milhões e US$ 42 milhões para ampliar seus negócios. Conforme dados da Tech Crunch, startups dedicadas à saúde da mulher receberão em 2019 cerca de US$ 1 bilhão em investimentos, superando os US$ 650 milhões de 2018 e os US$ 400 milhões investidos somados todos os anos anteriores. 

No Brasil, uma das promissoras FemTechs é a Ziel Biosciences, fundada em 2011 com a proposta de viabilizar testes caseiros de detecção do HPV, principal fator de risco para o câncer de colo de útero e terceira maior causa de morte por neoplasia entre as mulheres brasileiras. Por meio de uma escovinha, semelhante a um aplicador de creme vaginal, as mulheres podem coletar amostras de tecido uterino e testar possíveis infecções, a um baixo custo e sem a ajuda do médico, ideal para áreas onde o sistema de saúde é precário.

 Apesar do sucesso, as Femtechs ainda enfrentam sérios desafios uma vez que os problemas de saúde das mulheres nem sempre são compreendidos pelos investidores, na sua grande maioria homens. Outro ponto é a resistência da comunidade médica que, apesar dos avanços da tecnologia, insiste na cautela, afirmando que soluções tecnológicas não são infalíveis e devem funcionar de maneira apenas complementar a métodos convencionais. 

O fato é que o mercado vem testemunhando uma revolução disruptiva no setor de saúde para mulheres desde controle digital de natalidade até tecnologias de rastreamento e diagnóstico precoce de doenças como câncer ou endometriose. Empresas e investidores fazem apostas cada vez maiores em produtos e serviços que deem às mulheres uma chance para assumir o controle de sua saúde em todas as fases da vida. O empoderamento feminino está em alta e a proliferação das FemTechs manterá o ritmo por anos, trazendo novos avanços para as mulheres, não só na medicina, mas na luta pela igualdade de direitos.