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Opinião

Gerenciando conflitos

Publicado em 30/09/2011 às 10:23


José Ruy Alvarez CEO da Teikon Tecnologia Industrial



O conflito dentro das empresas muitas vezes é visto como um estado de tensão, que gera uma mobilização para operar mudanças e melhores resultados. Nos dias atuais o conflito é normal, às vezes desejável e em alguns casos deveria ser incentivado. As frequentes modificações que são implementadas nas organizações, com alto grau de complexidade e especialização, fazem com que as situações conflituosas sejam uma constante no ambiente de trabalho.



Lidar com pessoas nem sempre é algo fácil, mas identificar os perfis profissionais e saber se relacionar com cada um deles, com certeza é um dos caminhos de sucesso dos bons gestores.



As corporações vivem em constantes modificações, e as melhoras, muitas vezes dependem do grau de aceitabilidade e comprometimento com as mudanças de cultura, que às vezes são necessárias.



Em fases de transição é possível identificar diferentes grupos dentro de uma corporação: o grupo dos comprometidos, o grupo dos indiferentes e o grupo dos inconformados. Muitas vezes é necessário adotar modelos de gestão distintos com membros dos diferentes grupos:



O relacionamento com os comprometidos é construído na troca de informações, de maneira transparente e objetiva, tendo como meta principal o crescimento ou retomada da rentabilidade da empresa (dependendo de cada situação). Este grupo tem consciência plena de que as mudanças muitas vezes são necessárias e apesar das dificuldades sempre estão prontos a experimentar novos caminhos e quebrar antigos paradigmas. Nesse caso o conflito é praticamente inexistente, o objetivo é claro e as discussões se dão em nível técnico. Não existem ressentimentos nem promessas não cumpridas, sempre se busca o melhor para a empresa.



Os indiferentes são aqueles que praticam a ciência do "muddling through", ou seja, empurrar com a barriga, não estão muito interessados no futuro da empresa, tem baixo comprometimento e querem esticar a permanência na organização por razões meramente pessoais. Esses acabam fazendo política de bastidores e não são totalmente transparentes. O conflito nesse caso existe, é velado, e está baseado na cobrança por resultados com qualidade técnica e comportamento transparente, sempre questionando que caso a decisão fosse deles, qual seria o caminho a ser adotado.



Os inconformados muitas vezes deixam claro que entendem a necessidade da mudança, mas que também possuem acesso a alta administração, e que qualquer mudança no "modus operandi" não seria fácil de ser viabilizada sem concordância. Este grupo apresenta certo comprometimento com a empresa, mas, não está disposto a abrir mão da "independência" adquirida. Também faz política de bastidores para manter o "status quo", ou seja, prefere continuar na mesma situação.



Obviamente, o conflito neste caso é declarado e neste contexto a cobrança por resultados palpáveis e de fácil medição torna-se incessante.



A incompetência em administrar os conflitos causaria:



•    Sabotagem - aberta ou mascarada;

•    Deslealdade com a organização, chefes e colegas;

•    Auto Preservação - não aceitação de responsabilidades - omissão ou anonimato;

•    Acomodação - renúncia altruísta em nome do interesse comum;

•    Alienação - Desligamento, busca de outros interesses fora do trabalho, um indivíduo presente em corpo, porém, de "espírito ausente";

•    Segregação - A pessoa "deixa disso" que evita contato direto;

•    Polarização Melodramática - Aquele que acha que tudo é culpa dos outros e ele está sempre certo.



Caso isto acontecesse, de maneira generalizada, os resultados dentro de uma empresa seriam desastrosos.

Apesar das dificuldades, que são inerentes a qualquer relação, os conflitos podem criar ótimas oportunidades para mudança de percepção. Ter consciência de que a maioria dos gestores sabe com quem está lidando e que é de costume identificar cada perfil dentro de suas equipes pode propiciar alguns alertas e até incentivar a adoção de novas posturas, proporcionando cooperação entre as pessoas e, principalmente o estímulo para que exista transparência nas relações interpessoais.