Opinião
IDC comenta como a parceria entre Nokia e Microsoft pode impactar o mercado brasileiro de smartphones
Publicado em 21/03/2012 às 11:46
*Luciano Crippa – gerente de pesquisas da IDC Brasil
Quando anunciada a parceria entre Nokia e Microsoft, em fevereiro de 2011, muitos rumores foram levantados sobre a real capacidade das duas gigantes mundiais em combater a ascensão das plataformas iOS e Android.
Até o ano de 2007, ano em que o primeiro iPhone foi lançado, a Nokia detinha quase 50% do mercado mundial de smartphones, seguida pela RIM (proprietária da marca Blackberry) e da Motorola. De 2007 em diante a Nokia enfrentou consecutivas perdas de market share, fechando o ano de 2011 com 15,65% do mercado mundial de dispositivos inteligentes, mas ainda assim como a terceira maior fabricante no mundo, atrás apenas de Samsung e Apple respectivamente.
Apesar dos números de participação de mercado serem diferentes, o movimento ocorrido no mundo também se refletiu aqui no Brasil. Até 2010, a Nokia conseguiu se manter, com folga, na liderança do mercado de dispositivos inteligentes,. Porém com a ascensão da plataforma Android no país e da gigante coreana Samsung, em 2011, a empresa finlandesa perdeu a liderança do mercado para sua competidora asiática, fechando o ano como a segunda maior empresa no país.
E agora, o que esperar desta aliança não apenas no mundo, mas principalmente no Brasil?
A Nokia não irá competir com celulares Windows Phone no segmento de entrada, pelo menos por enquanto. A empresa trará apenas dois modelos compatíveis com a nova plataforma da Microsoft, sendo um modelo de R$ 999 (Lumia 710) e outro de R$ 1699 (Lumia 800), sem o subsídio da operadora. No Brasil, cerca de 70% dos smartphones vendidos estão posicionados abaixo destes valores anunciados pela empresa, deixando a briga concentrada nos usuários de maior poder aquisitivo e também no segmento corporativo.
Apesar da parceria com a Microsoft, a Nokia deixa claro que, pelo menos por enquanto, continuará com a sua linha de celulares Symbian para competir no segmento de dispositivos mais baratos. A fabricante segue investindo tempo e dinheiro para fazer com que os usuários desta plataforma conheçam todos os benefícios oferecidos pela empresa, apesar de não ter o mesmo apelo com relação à quantidade de aplicativos disponibilizados pela Apple ou Google, por exemplo. A Nokia possui uma base instalada de celulares e uma marca bastante forte no país. Estes fatores poderão contar a seu favor.
A Microsoft, por sua vez, não deverá figurar no país apenas com a parceira da Nokia. Outros fabricantes como Samsung, LG, HTC etc também deverão ter seus primeiros produtos com Windows Phone ainda em 2012, o que deixará a disputa entre os fabricantes muito mais acirrada.
Concluindo, a aliança entre as duas empresas não necessariamente trará resultados expressivos imediatamente. O período para a Microsoft ainda é de adaptação e desenvolvimento de aplicativos para tornar sua plataforma mais atrativa aos usuários. Durante o ano de 2012, a empresa lança suas duas grandes apostas ao mercado: o Windows Mobile, para celulares, e o Windows 8, para computadores e tablets. Com a possibilidade de integração destas duas plataformas e ainda dos aplicativos Xbox, Skype, Office e Messenger, entre outros, a empresa terá um grande trunfo em suas mãos, que deverá lhe garantir a vice-liderança do mercado mundial de smartphones até 2016.

