Automação
Indústria 4.0: Conectados com o Futuro
Marcelo Martinez
Publicado em 07/08/2017 às 15:57
Nesta esteira de inovações, uma das mais promissoras que promete revolucionar o dia-a-dia das pessoas e empresas é a Indústria 4.0, ou simplesmente, Quarta Revolução Industrial. A Indústria 4.0 é um conceito nascido na Alemanha no ano de 2012, que foi originado a partir de um projeto liderado pelo governo voltado para alavancar novas estratégias que aliassem tecnologia e meios de produção, estabelecendo sua base tecnológica nos sistemas cibernéticos, na impressão 3D, na Internet das Coisas (IoT) e no Big Data. A ideia é que combinadas, essas tecnologias tornariam autônomas e mais eficientes as etapas de produção, propiciando a descentralização do controle dos processos produtivos e uma proliferação de dispositivos inteligentes interconectados ao longo de toda a cadeia fabril.
Não há dúvida de que os efeitos da Indústria 4.0 alterarão definitivamente nosso modo de vida muito em breve. Além da conquista de uma maior eficiência e produtividade dos processos por meio de tecnologias baseadas em inteligência artificial, a Indústria 4.0 modificará a relação das empresas com os consumidores, por exemplo, possibilitando a customização prévia de produtos de acordo com as suas preferências por meio de máquinas comandadas por sistemas inteligentes. Outro impacto será sentido no mercado de trabalho. Posições que antes exigiam esforços manuais e repetitivos serão substituídas pela mão de obra automatizada. Em contrapartida, novas funções surgirão para atender a este novo cenário, baseadas em profissionais tecnicamente capacitados com formação multidisciplinar e habilidades de compreensão e reflexão que auxiliem o processo de decisão nesta nova realidade.
Em termos de Brasil, infelizmente ainda estamos em grande parte na transição do que seria a Indústria 2.0, caracterizada pela utilização de linhas de montagem e energia elétrica, para a Indústria 3.0, que aplica automação por meio da eletrônica, robótica e programação. Para se ter uma ideia da defasagem precisaríamos instalar cerca de 165 mil robôs industriais para nos aproximarmos da densidade robótica da Alemanha. No ritmo atual, cerca de 1,5 mil robôs são instalados por ano no país, levaremos mais de 100 anos para chegar a este patamar. De qualquer modo, a boa notícia é que a sociedade está se movimentando. Uma dessas iniciativas é a ABINC (Associação Brasileira de Internet das Coisas), associação sem fins lucrativos fundada no final de 2015 com a proposta de aproximar empresas, governo e sociedade para incentivar a troca de informações e na construção de um Plano Nacional sobre o setor. De olho nesta fatia, várias empresas também estão implantando seus próprios projetos para uso industrial ou para consumidores. Uma delas, bastante interessante pela abrangência e pioneirismo, é a Algar Telecom, que criou em Uberlândia em parceria com a prefeitura local um bairro inteiro conectado com serviços como, por exemplo, bueiros e lixeiras inteligentes que avisam quando atingem seus limites.
A Indústria 4.0 está acontecendo de forma evolutiva e sua velocidade de adoção ainda depende do conhecimento dos seus ganhos por parte das empresas e da redução do custo de implantação das soluções. De qualquer modo, as perspectivas são animadoras. Segundo Gartner Group, consultoria especializada em Indústria 4.0, ao final de 2017, 8,4 bilhões de “coisas” estarão conectadas ao redor do mundo representando investimentos acumulados da ordem US$ 2 trilhões, devendo chegar a US$ 11 trilhões em 2025.
Como em outras épocas e contextos, revoluções trazem consigo mudanças radicais e estabelecem uma nova ordem. Em todas as revoluções industriais, a estrutura do trabalho foi alterada e uma nova realidade de negócios foi estabelecida. Não será diferente na Indústria 4.0. A única diferença será a velocidade em que essa revolução se consolidará em uma sociedade cada vez mais conectada, atenta e participativa. Independente do nosso papel, precisamos acreditar que as mudanças sempre trazem consigo bons motivos para participar delas. No caso da Indústria 4.0 a pior decisão será ficar aguardando ou lutando contra esse movimento. Lembrem-se que as revoluções não perdoam os derrotados e que se nos prepararmos, podemos escrever um capítulo nessa história repleta de oportunidades.

