RH
Inteligência Emocional
Milene Lopes Schiavo
Publicado em 20/09/2019 às 11:20Cada vez mais é importante falar disso.
Inteligência emocional pode até parecer um tema ultrapassado ou “soft” demais para alguns, mas nunca foi tão importante falar disso quanto atualmente. Estamos vivenciando um mundo cada vez mais complexo, incerto, ambíguo, acelerado e digital. Tudo é urgente, não podemos perder tempo, é necessário equilibrar cada vez mais demandas em paralelo, as cobranças são crescentes... é visível e concreta a ansiedade que toma conta dos colaboradores das mais diversas organizações. Nesse contexto, a inteligência emocional pode se tornar uma importante aliada à sobrevivência e progresso, tanto para os profissionais dos mais diferentes níveis, como, principalmente, para os líderes.
Recentemente tive a oportunidade de participar de um encontro que contou com a presença de Daniel Goleman, renomado autor de livros sobre o tema de Inteligência Emocional. Foi uma oportunidade para relembrar os conceitos defendidos por ele e que trazem impactos diretos no nosso jeito de trabalhar e lidar; com nós mesmos e com os outros. O mundo digital e as novas tecnologias proporcionarão diversos avanços e facilidades, mas a competência da inteligência emocional, é algo que não virá desses elementos, mas sim dos recursos internos de cada um de nós. E, cada vez mais, esses recursos serão responsáveis por determinar e promover nosso sucesso, ou inibi-lo.
Daniel Goleman apresentou alguns números interessantes relacionados aos profissionais de excelente desempenho. Dos profissionais de destaque, 66% das suas competências estão relacionadas a aspectos de inteligência emocional. Quando focamos em profissionais de destaque que estão em posições de liderança, esse índice sobe para 85%. Ou seja, as competências que definem a excelência e entrega de melhores resultados são, essencialmente, competências de inteligência emocional. E é por esse motivo que é cada vez mais importante falar sobre isso!
“Inteligência Emocional é a capacidade de reconhecer nossos sentimentos e os sentimentos de outras pessoas a fim de gerenciar as emoções de forma efetiva, tanto em nós mesmos quanto nos outros”. É essencial o autoconhecimento, para que possamos ter consciência dos nossos sentimentos e, assim, sermos capazes de gerenciá-los. Precisamos ter controle emocional, sermos capazes de nos adaptar e enfrentar as pessoas e as situações com sabedoria e menos ansiedade. É importante, também, entender sobre as relações (nossa interface com os outros), para que possamos administrá-las e, assim, causar impactos positivos. Precisamos ter empatia e consciência situacional; entendimento dos impactos que causamos nas pessoas, nas situações, e vice-versa. Se conseguimos gerenciar nossas emoções e ações, assim como gerenciar o impacto que causamos nos outros, ficamos mais resilientes e aptos a influenciar, gerenciar conflitos, trabalhar em equipe e inspirar pessoas.
Quando falamos de trabalho e entrega de resultados, no “final do dia” estamos nos referindo às pessoas e suas interações. Estamos falando dos impactos que umas causam nas outras, tornando o trabalho mais fácil, mais difícil, mais produtivo, mais penoso, mais engajador, mais desmotivador. Elevar as competências relacionadas à inteligência emocional nas organizações, torna-se um fator primordial, não apenas para que as pessoas tenham maior facilidade nas suas relações e sejam mais felizes, mas, principalmente, para que as empresas sejam mais produtivas e bem sucedidas, contando com ambientes de trabalho mais positivos e líderes mais efetivos.
Daniel Goleman também apresentou dados que demonstram que os pontos que fazem com que líderes sejam classificados como “ruins” estão relacionados à baixa inteligência emocional. E que numerosos estudos dizem que a Inteligência Emocional e Social é um diferenciador entre os líderes e profissionais de alta performance e os medianos. Como será oportuno contar, cada vez mais, com líderes capazes de entregar melhores resultados, diante de contextos cada vez mais desafiadores, convido vocês a refletir sobre a importância de desenvolver as competências relacionadas à inteligência emocional nas organizações. Vamos pensar e agir sobre isso?

