RH
Liderança - como você tatuará sua imagem?
Milene Lopes Schiavo
Publicado em 12/11/2012 às 16:33
Para falar de liderança, vou usar como analogia um tema bastante comum (e até da moda): tatuagem. Para quem já se tatuou ou já ouviu alguém contar sobre isso, sabe que é um processo dolorido e definitivo. A tatuagem pode ser colorida, apenas preta, em desenhos e tamanhos diversos. E, geralmente, fica para sempre! Até existem técnicas modernas de apagar uma tatuagem, mas sabe-se que é um processo demorado, caro e nem sempre bem sucedido.
Mas vocês devem estar se perguntando: o que tatuagem tem a ver com liderança? O que quero aqui é usar um tema atual para comparar com o processo da gestão de pessoas. Afinal, assim como a tatuagem, o “efeito” exercido sobre uma equipe pelo seu líder pode ser bom ou ruim, mais ou menos doloroso, mas com certeza, duradouro e até eterno. Se eu perguntar sobre os líderes que você teve ao longo da sua carreira, facilmente saberá identificar o que foi “imperdoável” e também o “inesquecível”. Qual o melhor? E o que eles fizeram de diferente para que a “imagem” cravada em você fosse negativa ou positiva? E você? Como quer ser lembrado?
Ser líder não é fácil, todos sabem. Exige uma dedicação imensa e constante, além de competências técnicas e comportamentais. Mas a forma como o líder enxerga e se apossa desse “poder” imbuído no cargo de chefia, faz com que tenha uma ou outra atitude perante aos seus subordinados. E é incrível ver, ainda nos tempos atuais, como encontramos líderes mal preparados (técnica e emocionalmente) nas organizações. E é triste constatar o impacto que causam – nas empresas e nas pessoas! Existem pesquisas realizadas que mostram que o profissional entra na empresa pelo pacote ofertado no processo seletivo (ele analisa a empresa, o segmento, o cargo, o salário e os benefícios). Mas a permanência do profissional na organização, assim como a sua contribuição, dá-se muito mais pela qualidade do seu líder imediato, do que qualquer um dos outros fatores. Podemos então concluir o quanto o fator liderança é crítico para o sucesso das organizações.
Se o líder agir de forma positiva, deixando claro o plano de trabalho para toda a equipe, distribuindo atribuições interessantes para todos, acompanhando a realização dos projetos, reconhecendo os resultados obtidos, comemorando as conquistas, estando aberto ao diálogo de mão dupla e provendo feedbacks construtivos e constantes, terá grande chance de exercer um excelente trabalho e conquistar bons resultados. Além disso, com certeza estará tatuando uma excelente imagem sua como líder. E, assim como as pessoas que são tatuadas por bons tatuadores (e terminam voltando e fazendo mais tatuagens), os subordinados provavelmente desejarão trabalhar mais e melhor com esse líder.
Agora, quando a liderança exercida é negativa, através de autoritarismo, pouco diálogo, metas impossíveis, comunicação falha, baixa compreensão com questões pessoais, pouco apoio para o desenvolvimento, falta de ética e confiança, dificilmente esse líder terá apoio, assim como não contará com engajamento da equipe. Ao contrário, contará com profissionais que estão de olho no mercado ou tentando uma transferência de área na mesma empresa. E essa tatuagem será daquelas que não se esquece! Dolorida, que sangra a pele, que não fica legal e que a pessoa se arrepende de ter feito. E que demora muito para apagar... muitas vezes não apaga nunca. E como esse líder será lembrado? Provavelmente como o “imperdoável” citado anteriormente. E, com tanta energia negativa nesse processo, infelizmente temos por resultado o crescimento de doenças organizacionais psicossomáticas (estresse, síndrome do pânico, depressão) com conseqüências negativas para as empresas, como afastamentos, absenteísmo e até tratamentos psicológicos e psiquiátricos.
Então LÍDER, pense bem! Antes de preparar a “agulha”, cores, formato e tamanho da sua tatuagem da liderança, reflita sobre qual imagem de fato você quer tatuar na pele, na memória e no coração dos seus subordinados.

