Programa de Canal
MUDAR PRA QUÊ?
Silas Santos
Publicado em 06/02/2017 às 12:33
Com certeza, quando você estiver lendo este artigo, já terá esquecido que há alguns dias atrás estava brindando com muita alegria o Ano Novo (2017) que estava por chegar e mandando embora, “bem lá pra longe” - pra nunca mais se lembrar, o Ano Velho (2016), que “já foi tarde”! Mais certo ainda foi a euforia que tomou conta daquele momento, pois você estava cercado de pessoas queridas que desejam o mesmo que todos: deixar para trás tudo de ruim que aconteceu no ano passado com um simples passe de mágica: “Tchau 2016”! Mas o dia 2 chegou e nada mudou!!! Mais uma vez o calendário enroscou, os fogos de artifício cessaram e o estouro de champanhe confundiu: Continuamos em 2016,
2015, 2014...
Todo o ano a gente se ilude, e esquece que o calendário é apenas uma forma de contar o tempo, que ele não tem o poder de gerar qualquer mudança. Para haver mudanças é preciso haver uma forte decisão interna que afeta nossas atitudes e pensamentos, para enfim termos nossos dias, anos e vida mudados. Quem de fato decidiu mudar não espera o calendário, como quando a gente joga tudo para a já tão pesada segunda-feira: começar uma dieta, começar a caminhar, parar com algum hábito ruim ou tantas outras coisas. Se formos honestos conosco mesmo vamos concordar que quando decidimos algo com sinceridade queremos começar naquele momento mesmo, pois entendemos claramente que aquela mudança, por mais esforço interno que exigirá, nos beneficiará.
E é esse entendimento que precisa sempre existir também em nosso ambiente de trabalho, em nossos projetos e atividades: qual o benefício da mudança? Já fui “incentivado” a mudar um programa pelo simples fato de mudar. Mudança sem sentido, sem propósito, não é mudança, é atraso, mesmo porque ter que voltar atrás atrasa ainda mais o calendário. Inclusive recebi uma sugestão de pauta de um leitor para escrever exatamente sobre isso, que hoje em dia muitos programas de canal mudam constantemente, trimestre a trimestre.
Eu fico tranquilo em responder que de uma certa forma abordamos isso anteriormente. Digo até mais, que mesmo todos os pontos que já abordamos refletem essa instabilidade.
O primeiro deles é a falta de alinhamento com a estratégia corporativa, ou a simples inexistência dela. Também falamos que o descumprimento de promessas dos programas simplesmente reforça a falta de sinergia e abre espaço para a livre negociação de vantagens – não benefícios (perceba a diferença). A falta de controle, a tão falada inteligência do negócio, também abre a porteira para uma enxurrada de “péssimas” ideias, que ganham força, forma e depois deformam. Por fim, a inspiração, que as empresas devem incentivar (elas sim) para que todos transpirem na mesma direção e propósito.
Não dá para ignorar que há mudanças que independem de nós – o que eu chamaria de a grande roda da vida, o avanço tecnológico, social... global. Dessas mudanças somos todos telespectadores! Mas há outras que devem acontecer através de nós. Temos que começar a ter domínio sobre aquilo que queremos mudar em nós mesmos, aquilo que nos compete e pelo qual somos reconhecidos e pagos – pois me recordo bem da sensação ruim que é a de não ter sido o agente transformador das minhas próprias coisas.
Não tenho a pretensão de ser minha esta frase, pois com certeza alguém em algum lugar já disse: que para as grandes mudanças acontecerem, é preciso começar com as pequenas. Eu digo para começarmos com as interiores, principalmente aquelas que todo mundo já viu que precisam ser feitas, menos você. De dentro para fora! Então vamos enxergar a grandiosidade das coisas que somos capazes de fazer.
Eu desejo a nós mais que um feliz ano novo, desejo que façamos o nosso próprio ano novo, o nosso próprio caminho, a nossa própria mudança, porque não dá mais pra viver de calendário... o próximo só acaba daqui a 365 dias.

