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Vendas

Não leia este artigo!

Publicado em 08/04/2009 às 20:30

src=/arquivos/image/colunistas/romeu.jpgVocê pode me dizer por que os seus olhos estão lendo estas palavras? Bem, está certo, pode ser apenas por curiosidade, mas pode haver também outra explicação...

 

Segundo os defensores da programação neurolinguística (PNL), o cérebro encontra dificuldades em interpretar a palavra “não”. Parece que ela, sozinha, não diz muita coisa. Por isso, nossos neurônios se fixam no que vem em seguida para terem uma correta imagem mental do que está acontecendo.

 

Faça um teste: pense em um elefante roxo com bolinhas amarelinhas. Agora, não pense em um elefante roxo com bolinhas amarelinhas. Entendeu? Para que seu cérebro compreenda o que não deve ser feito, primeiro ele tem que ter uma noção do que está em questão. E é aí que mora o perigo, pois o foco acaba ficando no que vem depois.

 

A PNL tem adeptos e críticos. Segundo os primeiros, ela nos ajuda a usarmos a linguagem com maior precisão. O que também se advoga é que devemos pensar e afirmar as coisas sempre no positivo, imprimindo imagens mentais corretas tanto no emissor quanto no receptor de qualquer comunicação. Por outro lado, segundo os seus críticos, faltam evidências empíricas que apóiem as afirmações feitas por aqueles que a defendem.

 

Na verdade, não há nada demais em manter-se o pensamento e as palavras num estado positivo. Aliás, muita gente anda ganhando rios de dinheiro ao compartilhar este tipo de “segredo”... Realmente, afirmar as coisas de forma positiva pode ajudar a muitos guarda-chuvas permanecerem com seus donos, a lembrarmos da data que começamos a namorar, ou do aniversário da querida tia Antonieta.

 

Agora, se quisermos ampliar bem mais as implicações da hipótese de que o cérebro simplesmente não digere bem a palavra “não”, podemos também pensar nos Dez Mandamentos! Talvez assim se explique porque muitos não estão nem aí para muitos deles: não matarás, não roubarás, não desejarás a mulher do próximo – principalmente quando o próximo está muito próximo... – e assim por diante. Certo, pode ser que os erros sejam cometidos pela certeza da impunidade ou, novamente, apenas por curiosidade. De qualquer forma, pode valer a pena se reenquadrar muitos deles: preservarás a vida, pagarás por aquilo que pegares, desejarás somente a tua mulher...

 

Seja como for, você pode tirar proveito disto quando um cliente solicitar uma concessão adicional para fechar uma venda. É sempre bom estar preparado para dizer pelo menos uns quatro “nãos”. Assim seu cliente terá maior certeza de estar fazendo um bom negócio.

Todavia, estes “nãos” devem ser ditos com sutileza, isto é, evitando-se pronunciar a própria palavra “não”. Ao invés de você falar “eu não posso dar esse desconto”, destaque, por exemplo, o problema sendo solucionado, o que acontecerá se a empresa não adotar a sua oferta, o retorno a ser obtido sobre os investimentos e por aí afora. Você e eu podemos até não acreditar em PNL ou em bruxas, mas que elas podem existir, ah, isso elas podem sim!