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RH

O Planalto Corporativo

Milene Lopes Schiavo

Publicado em 12/05/2016 às 16:05

Politicagem demais, resultados de menos


Qualquer semelhança entre as relações existentes no Planalto Central, em Brasília, e o mundo corporativo não é mera coincidência. É fato que, também dentro das organizações, existem relações políticas, interesses, troca de favores e conflitos que nem sempre estão a favor dos resultados da organização. Infelizmente essas situações estão a serviço de alguns profissionais que dedicam seu tempo, não ao trabalho propriamente dito, mas às ações que o levem a um patamar mais alto e melhores cargos, tudo isso em benefício próprio.



Todos conhecem bem o que acontece na política brasileira e, a maioria, vive criticando os políticos, seus atos e a forma como o país é conduzido por esses homens e mulheres, eleitos para defender o país e os interesses do povo, mas que demonstram estar ali para proveito próprio. As pessoas criticam os atos desses políticos e dizem-se indignadas e revoltadas com relação a tudo que acontece. Muitas dessas mesmas pessoas trabalham em empresas. E o que fazem ? Ora, que coincidência; fazem politicagem em benefício próprio, ao invés de dedicar seu tempo ao trabalho para o qual foi contratado.



Alguns, certamente, trabalham como “formigas operárias”; respeitando o contrato de trabalho, entregando os resultados necessários, com foco na realização das atividades e sempre prontos para contribuir com outros colegas ou realizar mais funções se preciso for. Palmas para nossas “formigas”. Infelizmente existem muitas outras coisas que acontecem nos “bastidores” do mundo corporativo que não estão relacionadas diretamente à realização do trabalho, tampouco com a busca de melhores resultados para a organização.



Enquanto alguns trabalham arduamente, muitos ocupam seu tempo com a politicagem, atuando em prol de interesses pessoais e troca de favores. A organização termina sendo, então, um meio para que diversos profissionais colham benefícios que vão muito além dos contratuais, porque para esses, assim como para os políticos, não basta o seu cargo e seu pacote de remuneração. É preciso obter mais poder, criar caminhos para promoção, novos cargos e vantagens pessoais. E como fazer isso? Triste constatar que nem sempre o bom trabalho realizado é a resposta. É por meio do “jogo político” que muitos conseguem ascensão, reconhecimento e valorização.



E na sua organização? Você consegue identificar alguém assim? Você faz parte de qual grupo? Das formigas operárias ou dos profissionais políticos? Você conhece alguém que foi promovido, beneficiado ou reconhecido e que as pessoas ficaram se questionando? Na sua visão esse profissional não faz o trabalho, está sempre circulando por , não entrega os resultados para o qual foi contratado e ainda é escolhido para uma promoção e/ou reconhecimentoEsse profissional pode não trabalhar bem, mas provavelmente, sabe muito bem fazer a politicagem corporativa. Ele deve fazer parte de um grupo de interesse, estar em conchavo com outros profissionais, dedica a maior parte do seu tempo em manter o relacionamento com os executivos que considera “poderosos” e faz de tudo para marcar “gol” político.



Enquanto todo esse jogo acontece, as empresas estão pagando profissionais que não estão participando da busca pelo resultado. Quanto dinheiro vai pelo ralo? Muito! E a tal da “produtividade” será sempre um desafio. Qual é o real custo Brasil? E o real custo organizacional?



Se os profissionais não fizessem tanta politicagem e não tornasse a empresa um grande Planalto Central, com certeza as organizações colheriam mais resultados, a produtividade seria muito mais elevada e a saúde corporativa estaria muito melhor. Será que dá para mudar esse cenário? Muito difícil mudar a complexidade da política nacional, mas a empresa tem sim condições de amenizar a politicagem corporativa. Mas para isso é preciso de líderes bem intencionados e dedicados a formar equipes produtivas com foco realmente no trabalho a ser realizado e que reconheçam e promovam os bons exemplos.