RH
O poder do feedback
Milene Lopes Schiavo
Publicado em 04/08/2014 às 13:17
Utilize a favor da sua gestão e não contra ela!
Há algum tempo foi necessário criar, promover e estimular uma cultura corporativa que incluísse o feedback como instrumento fundamental no processo de avaliação e evolução dos profissionais. Atualmente já mudamos de patamar e praticamente todos já sabem e reconhecem o quanto este processo é importante, necessário e saudável para as organizações e para os indivíduos.
A questão que ainda permanece em questionamento é a qualidade do feedback e a capacidade que o gestor tem para organizar as informações (fatos, dados, exemplos concretos) a serem compartilhadas, a forma que transmite para o profissional e como contextualiza este momento, tornando-o uma oportunidade de amadurecimento e evolução para ambos os participantes.
Embora as áreas de RH tenham ao longo dos últimos anos investido na capacitação de seus gestores na “arte de prover feedback”, infelizmente ainda observamos uma parcela bastante expressiva de executivos que negligenciam este processo e/ou o fazem de maneira inadequada.
Por conta dessa atuação equivocada de muitos gestores, o momento do feedback ainda gera muita tensão no ambiente corporativo. O que deveria ser um instrumento positivo e aguardado por todos, termina transformando-se num processo por vezes indesejável.
Uma dica interessante para auxiliar os gestores neste processo é fazer com o feedback o que costuma fazer com outras situações de trabalho e negócio: construa uma análise SWOT*. Quais são as potencialidades do profissional? Liste seus pontos fortes e indique situações reais que exemplifiquem esta percepção. Quais são as fragilidades do profissional? Liste seus pontos fracos e indique situações, fatos e dados que demonstrem esta constatação. Verifique com o funcionário se ele concorda ou tem outros pontos de vista a respeito. Faça uma análise de cenário, tentando identificar e entender o que ocorreu no entorno e qual foi o contexto durante o período. Muitas vezes o profissional apresenta desempenho diferente do esperado por algum motivo que é desconhecido por você. Ele teve o treinamento adequado? Foi orientado corretamente? Quais as adversidades encontradas? Precisa de mais suporte? Aconteceu algo de importante no seu contexto pessoal que está impactando no trabalho? Tudo isso pode ser muito relevante e ajudará no entendimento do cenário como um todo.
Outra dica importante é: jamais dê um feedback se não tiver preparado para fazê-lo. O feedback pode ser um instrumento poderoso e favorável para o crescimento, desenvolvimento e amadurecimento do profissional e das empresas – mas apenas se feito com critério, preparo, conhecimento e respeito ao indivíduo. Um feedback inapropriado pode gerar um efeito totalmente oposto ao desejado, pois pode trazer à tona sentimentos negativos (frustração, ressentimento, desconfiança) e que não contribuirão para o desenvolvimento do profissional, nem para a melhoria da sua performance.
Portanto, se não estiver preparado para dar um retorno, não faça! Se o seu feedback é baseado na opinião de outros (e não na sua) e o que ouviu através de alguém ou percepção de “corredor”, não dê! É preferível ter uma conversa para escutar o profissional e ouvir sua opinião a princípio. Depois é preciso acompanhar de fato o seu trabalho e as suas entregas. Somente quando tiver reunido elementos suficientes e que possam compor um feedback justo e real, você estará pronto para realizar uma contribuição benéfica ao profissional, que com certeza será enriquecedora para ele, para você como gestor, com ganhos para todos. Com certeza é isso que queremos, certo? Boa sorte!
*Análise SWOT: ferramenta utilizada para fazer análise de cenário, muito utilizada como base para gestão e planejamento estratégico das organizações. O termo SWOT é uma sigla oriunda do idioma inglês e significa Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats).

