Gestão
O que é que tem dentro da caixa-preta da TI das grandes corporações?
Publicado em 16/07/2009 às 13:04Conversando com outros CIOs de grandes bancos locais, percebi que de um modo ou de outro a estória é bem semelhante: sistemas heterogêneos e proprietários vindos de diversas aquisições que convivem com o legado já existente, se conectando como um grande quebra-cabeça com o cliente final.
O mais interessante é que a maior parte de tudo que é investido por essas empresas destina-se, tão somente, a “manter as luzes acesas” – ou seja, as aplicações funcionando.
Isso, por si só, já se constitui em grande desafio, principalmente ao tomarmos como exemplo o setor bancário brasileiro: onde menos de 50% da população é “bancarizada”, mesmo conquistando mais e mais clientes dia-a-dia os sistemas bancários precisam manter a mesma performance, segurança, infraestrutura e disponibilidade.
Na média, aproximadamente 80% de todo o investimento é para isso, e somente os 20% restantes vão para a inovação e para a criação de novos produtos para os seus clientes.
Essas aplicações foram desenvolvidas na década de 60 e o grande desafio foi modernizá-las. É certo que muito já foi reescrito, mas a um alto risco e custo, e que uma outra parte foi substituida por pacotes que, apesar de apresentarem um risco menor, continuam custando muito caro em razão da necessidade de customização e de um longo prazo de implementação.
Parte dessas aplicações foi migrada para ambientes abertos e modernizada, como o caso do CIO acima, e pelo que parece, pelo baixo risco e curto prazo de implantação, tem se demonstrado a alternativa mais interessante.
Comecei minha vida profissional como programador, e durante os últimos 20 e poucos anos assisti a ascensão e a queda de muitas linguagens de programação. Neste ano, comemora-se o cinquentenário da mais longeva de todas as linguagens: o COBOL, que, não obstante os anos que se passaram, continua firme e forte.
É importante ressaltar que mais de 70% das aplicações de missão crítica das grandes empresas ainda usam COBOL. São mais de 65 bilhões de linhas de código com uma performance e alta disponibilidade invejável!
O grande desafio para esses usuários é quanto ao custo de desenvolver, testar e “rodar” essas aplicações em sistemas proprietários, pois o custo por MIPS pode variar de 500 até 4000 mil dólares, dependendo do ambiente e do volume processado. Esse ambiente agora está renovado, podendo funcionar diretamente na Web inclusive no modelo de SaaS e cloud computing.
Talvez sejam essas as razões pelas quais muita gente jovem venha estudando essa linguagem já “balsaquiana”, que continua com demanda de empregos maior do que a capacidade do mercado em oferecer novos profissionais, traduzindo-se em emprego garantido para aqueles que a dominam, coisa muito rara nos dias de hoje em qualquer profissão.
Muita coisa mudou nos últimos 50 anos, mas neste nosso mundo de TI, o COBOL continua sendo o motor das grandes aplicações e, se a opinião dos mais entendidos no assunto se concretizar, ele continuará por aí por pelo menos mais 50 anos. Quem viver verá!

