Automação
O varejo e os bancos
Marcelo Martinez
Publicado em 29/05/2015 às 15:28
Estamos em um ano de crise. Nossa economia está longe de sua melhor forma e a impaciência da população está refletida no som dos panelaços que ecoa insistentemente pelo Palácio do Planalto, aterrorizando seus frequentadores. O ajuste fiscal em construção já prevê novos aumentos de impostos e as corporações, preocupadas com o futuro, estão adiando investimentos e cortando despesas. Neste panorama negativo, entretanto, existem algumas empresas que estão comemorando. Recentemente, foram divulgados novos recordes de rentabilidade do setor bancário em 2014, notáveis mesmo no cenário mundial. Para se ter uma ideia desta pujança, no ano passado os cinco maiores bancos brasileiros tiveram, juntos, um lucro de R$ 60,3 bilhões, 18,5% maior que 2013, superando inclusive PIBs de vários países da América Latina. Para esse resultado, além das taxas cobradas e de uma boa ajuda do nosso Banco Central estabelecendo os juros básicos da economia (taxa Selic) em um dos maiores patamares globais, as instituições financeiras tem como mérito o incessante aprimoramento de sua eficiência e a busca contínua de novas oportunidades de negócio, principalmente em momentos de crise.
Uma das apostas recentes mais bem-sucedidas do setor financeiro foi a ampliação de sua capilaridade para oferta de determinados serviços via varejistas, conhecidos também como correspondentes não-bancários. Todos ganham com essa parceria. Para os bancos é uma forma de terceirizar suas operações reduzindo custos fixos, flexibilizando o horário de atendimento e encontrando novos canais de venda. Para as empresas, uma maneira simples de aproveitar recursos ociosos, melhorar o fluxo e fidelização de clientes em sua loja, conseguir receitas extras com prestação de serviço e utilizar a marca do banco para uma melhor percepção de valor agregado no seu negócio. Segundo a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), existem, no país, 165 mil correspondentes não-bancários, desde pequenos varejos até grande redes de supermercados, casas lotéricas e postos dos Correio, todos recebendo comissões por serviços prestados. Entre os serviços contratados mais comuns destacam-se o pagamento de contas e tributos, as consultas aos saldos e extrato do correntista, as recargas de pré-pagos, o acolhimento e encaminhamento de propostas de cartões e de abertura de conta corrente e até os empréstimos por consignação para aposentados e pensionistas do INSS e empregados de empresas conveniadas.
O processo de contratação de um correspondente não-bancário passa por algumas etapas entre elas o estudo do tipo de comércio, das suas instalações e do ponto de venda, além da análise creditícia da empresa e de seus sócios. A remuneração em geral é por operação e o banco responsabiliza-se pelos serviços prestados. Em relação à infraestrutura necessária, existem agentes intermediários que suportam o varejo na viabilização destas soluções como na instalação do equipamento (hardware e software) para a captura e transmissão de dados, no treinamento de pessoal, no suporte e assistência técnica e em outros pontos necessários para a implementação da solução no ponto de venda.
Nesta linha, o varejista ainda pode explorar por completo outra oportunidade que vem crescendo rapidamente nas transações do dia-a-dia, o segmento de cartões pré-pagos. Regulamentados pelo Banco Central no final de 2013, os cartões recarregáveis, bandeirados ou não, servem para realizar compras e saques ou para usos específicos como os cartões-frete, cartões-combustível, cartões-transporte e até cartões-mesada. O fato é que o dinheiro de plástico dá a segurança ao usuário e a praticidade ao ponto de venda. Segundo a ABECS (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) que representa mais de 95% do mercado de cartões de crédito no Brasil, trata-se de um dos segmentos que mais cresce, em especial com o maior interesse da iniciativa privada no assunto com projetos específicos para atender consumidores das classes mais baixas que apesar de ativos economicamente, não têm conta bancária ou mesmo cartão de crédito.
Quero ressaltar que não há a pretensão desse artigo em recomendar oportunidades de negócios, ainda mais sem entender o contexto de cada cliente. Meu objetivo é propor para as revendas que busquem conhecer o assunto, analisem os prós e contras, e se viável, preparem soluções aos seus clientes. Se ainda for o caso, por que não fazer parcerias com outros fornecedores e tornar-se representante de algumas marcas que atuem neste mercado e que precisam de parceiros que conheçam o ponto de venda, implementem a tecnologia e deem suporte à solução. O importante como sempre digo, é estar atento às tendências, e como iniciei esta coluna, se realmente estamos realmente em crise, está aqui um exemplo de um caso de sucesso que pode nos ajudar. Vamos ver a crise de frente e encontrar oportunidades. Essa é a diferença entre o sucesso e o fracasso.

