Automação
Pense verde para não ficar no vermelho no futuro
Marcelo Martinez
Publicado em 03/07/2015 às 13:14
Para elaborar estratégias eficazes, as empresas monitoram o ambiente mercadológico, absorvendo as tendências. Aceitando uma nova visão da relação entre meio ambiente e sociedade, criam para si novos critérios de avaliação e julgamento, a partir de um processo de entendimento das necessidades e do comportamento dos consumidores, almejando fornecer mais valor que a concorrência. Do lado está o consumidor avaliando as consequências de sua decisão de compra e buscando propostas capazes de garantir todos os aspectos de seu bem-estar para o presente e futuro.
Recentemente, a Igreja Católica deu sua participação no assunto com a publicação da encíclica “Laudato Si” (Louvado Sejas), na qual o midiático papa Francisco juntou-se a outros líderes mundiais empenhados em limitar o aquecimento global e seus efeitos nefastos para a humanidade. Ao discorrer sobre o assunto, reforçou a necessidade de enfrentar a questão com tecnologias mais limpas, e até, com um tom de certo modo utópico, fez referências anticapitalistas como a redução de consumo em algumas partes do mundo. O fato é que sua contribuição para o consumo consciente é inquestionável, colocando mais uma vez no centro da discussão o equilíbrio entre a satisfação pessoal e a sustentabilidade.
De olho nesta mudança, as empresas, cada vez mais desafiadas a inovar na produção e comercialização, buscam formas de explorar as novas motivações dos consumidores. Não é de hoje a corrida para lançamento de produtos mais compactos, que consomem menos energia, utilizam materiais recicláveis ou que sejam criados a partir de fontes renováveis ou de produtos reutilizáveis. Empresas de ponta divulgam seus selos verdes e fazem o chamado Marketing Ambiental, conjunto de atividades para gerar e facilitar trocas voltadas a satisfazer as necessidades e desejos humanos com o menor impacto ao meio ambiente.
A indústria de tecnologia, uma das mais importantes em termos de consumo e tendências, aparece como locomotiva nessa mudança de comportamento. A incorporação do fator ecológico no marketing já se faz presente há vários anos em suas decisões, identificando necessidades e desejos de mercados-alvo e buscando satisfazê-los mais eficaz e eficientemente do que os concorrentes, sem desconsiderar a preservação ou ampliação do bem-estar dos consumidores e da sociedade. Empresas reconhecidas por ditar inovações e por liderar tendências tratam o assunto estrategicamente em todas as etapas de desenvolvimento e comercializações de seus produtos. Uma rápida pesquisa na internet e encontramos notebooks com revestimento de bambu, impressoras que utilizam pó de café como tinta, baterias recarregáveis sem a necessidade de energia elétrica, capa-carregador solar para celulares, entre outras inovações. Existem até iniciativas que surpreendem pelo conceito, como a da Google que anunciou em maio um projeto de criação de tecidos condutores que poderão fazer parte de peças de vestuário e poderão registrar toques e no futuro próximo, transmitir informações simplesmente passando a mão sobre a manga da roupa. Fascinante, mas difícil imaginar até para quem gosta do assunto.
Em automação comercial não poderia ser diferente. Os varejos buscam novidades alinhadas com sua busca por desempenho e estratégia de marketing. Os fabricantes incorporam tecnologias limpas em seu processo produtivo em contraposição àquelas mais poluentes que estão presentes no mundo desde a revolução industrial. Produtos são lançados a todo instante com essas preocupações: impressoras que otimizam o consumo de papel, soluções e equipamentos compactos que prometem menor consumo de espaço e energia, propostas de otimizações de parques instalados via mobilidade e uso de tecnologias virtuais, utilização de campanhas promocionais inteligentes direcionadas ao indivíduo ao invés da massa, entre outros. O ciclo se alimenta e evolui continuamente. Experiências vivenciadas pelo consumidor resultam em novos traços individuais e criam uma orientação geral para as próximas inovações e situações de consumo.
A plateia aguarda novidades. Com as mudanças de regulamentação, muitas novidades na indústria de automação comercial surgirão em breve, algumas até já relatadas em artigos anteriores. O fato é que a revenda precisa estar atenta e caminhar com a evolução da sociedade, ofertando produtos adequados a esse consumidor que começou a ter mais consciência da sua importância nas transformações econômico-sociais no mundo. Lembre-se que a empresa no azul também precisa ser verde.

