Estratégias Digitais
Pequenas empresas, grandes desafios
Marcelo Martinez
Publicado em 13/05/2021 às 17:31No início de abril a Forbes divulgou o ranking global dos bilionários em 2021. Nele aparecem 30 brasileiros entre as pessoas mais ricas do mundo, sendo 11 deles novatos. Sem dúvida, esse seria um ótimo sinal de prosperidade para o nosso país, se essa pujança refletisse por toda a sociedade. Entretanto, ao contrário o que se vê são milhões de pessoas que perderam suas fontes de renda na crise, demitidas ou forçadas a fecharem seus negócios.
Segundo o relatório Panorama Social da América Latina 2020 publicado em março pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), a pobreza em nosso país atingiu durante a pandemia, apesar dos auxílios emergenciais, um dos maiores patamares das últimas décadas.
Com a falta de perspectivas, o que se viu em 2020 foi o maior número de empreendedores de nossa história, impulsionados não exatamente por vocação, mas por necessidade. Segundo a Pnad Contínua do IBGE, no último ano houve um registro de 2,6 milhões de novos microempreendedores individuais, um crescimento de 8,4% em relação ao ano anterior, 79,3% das empresas abertas no ano passado.
Infelizmente, poucas dessas empresas prosperarão. Empreendedores sem formação em negócios, acesso a linhas de crédito e lutando contra uma grave crise econômica, tendem a falhar. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), 91% das empresas do segmento não conseguiram pagar integralmente as folhas salariais em abril.
Uma das iniciativas públicas para ajudar (ou mesmo salvar) empreendedores foi o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), que disponibilizou em 2020 mais de R$37 bilhões para financiar a juros baixos cerca de 520 mil micros e pequenos empreendedores durante a pandemia. Suspenso, o programa encontra-se em fase final de aprovação para voltar em breve. Outros movimentos com o mesmo objetivo também estão sendo criados pela iniciativa privada. Um deles, o Estímulo 2020, criado por empresários e executivos, já ajudou milhares de pequenos empreendedores ao redor do Brasil afetados pela pandemia da Covid-19.
Não há dúvida de que a pandemia colocou em evidência a divisão extrema na vida social e econômica do Brasil. Difícil acreditar que ela nos ajude a reverter esse quadro, mas ao menos, apesar do contexto adverso, que ela nos deixe um legado de inclusão digital para essas pequenas empresas, apresentando-as para as conveniências das plataformas de vendas online, das novas formas de capacitação, e de novos produtos de fintechs ou startups, feitos especialmente para o pequeno empreendedor. Somente assim conseguiremos reduzir a desigualdade e podemos esperar um progresso em direção a um país mais justo e próspero.

