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Automação

Posse ou acesso?

Marcelo Martinez

Publicado em 13/10/2016 às 12:31


Vivemos tempos difíceis. Desde as manifestações de 2013 contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, o Brasil tem passado por mudanças significativas do aspecto político, social e econômico. O brasileiro, reconhecido por sua autoestima e otimismo, tem se mostrado mais cético e desconfiado em relação ao futuro do país, frequentemente tão repleto com manchetes de escândalos de corrupção e exemplos de mau uso de recursos públicos, evidenciados pela exposição pública do cinismo de cerca de 300 deputados denunciados no dia da votação do impeachment, incluindo o presidente da sessão, bradando ao microfone pelos bons costumes.



De fato, o recente processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff expôs a fragilidade do sistema presidencialista de coalisão, com pouca ou nenhuma ideologia partidária e que, como um dos resultados, adia reformas estruturais necessárias para avanços consistentes e de longo prazo. Como era de se esperar, esse cenário de incerteza, criou dificuldades para as empresas e abalou a confiança do consumidor. A inflação superou o patamar dos 9%, a renda ficou comprometida com dívidas assumidas, a taxa de desemprego cresceu a índices nunca antes alcançados e a desconfiança no consumo comprometeu investimentos importantes para a retomada do crescimento.



Ainda assim, como previsto na Lei da Evolução Natural, apesar de todos os contratempos e perspectivas pessimistas, o mercado teve que se adaptar ao novo ambiente. Como resposta a esse cenário de crise, emergiu um novo perfil de consumidor mais consciente e racional, o qual, orientado pela inflação, apoiou a diversificação de canais de compras e o crescimento de redes focadas em preço, como os atacados varejistas e supermercados que promovem descontos para compras maiores. Do lado dos fabricantes, ocorreram também movimentações para a redução de custos e ações de marketing, como o down trade de categorias e marcas para recuperar clientes ou o apoio a marcas próprias de varejos, uma discussão antiga e complexa.



Contudo, de todas as mudanças, uma das mais triviais e radicais é a consolidação da economia colaborativa, na qual soluções inovadoras ofertadas em mídias digitais surgem com escala e custos operacionais baixos para suprir demandas convencionais. Exemplos dessas novas empresas estão em todos os setores, como a UberPOOL, que oferece até 40% de desconto para corridas compartilhadas; a Netflix com cerca de 75 milhões de usuários ativos e faturamento em torno de R$ 1,1 bilhão no Brasil em 2015 (30% superior ao do SBT); a OLX, maior plataforma de classificados online do país com 14 milhões de anúncios ativos; e a Airbnb, empresa fundada em 2008, com mais de 2 milhões de acomodações ao redor do mundo por meio da oferta de aluguel de casas e quartos, número duas vezes o da rede Marriot, maior grupo hoteleiro do mundo.



Não se pode ignorar a realidade ao seu redor, mas temos que entendê-la para sobrevivermos a ela. Mudanças ocorrem a todo instante. Foi assim quando as máquinas registradoras deixaram de existir. Será assim quando o mercado de venda de hardware migrar completamente para soluções em nuvem. Se antes a posse era a prioridade, hoje ter o acesso ganha espaço mediante a dificuldade crescente em se ter algo e pagar por isso.  Os clientes, consumidores e empresas, buscam novos modelos de negócios com serviço e investimento baixo, e o empresário de automação, ou de qualquer setor, tem que estar atento e se antecipar a essas mudanças. Em um país incerto, com históricos recentes de rupturas e mais de 10 milhões de desempregados, o espírito de flexibilidade e criatividade é premissa para atender a clientes mais exigentes e informados.



Faça desse momento de crise, o aprendizado para se transformar, enxergando as tendências ao redor para pegar carona nas novas oportunidades. Apenas aqueles que escolhem vencer são os vitoriosos. A queda nos ensina a levantar e o otimismo vem junto com a realização. Vamos realizar!