O desenvolvimento da tecnologia e da comunicação tem feito a diferença.

A mudança no comportamento social, a busca pela sustentabilidade e a quebra de paradigmas nas novas gerações já estão modificando o perfil social e profissional das pessoas. Novas especialidades e necessidades criam desafios para a formação profissional, e nos próprios métodos educacionais que vão sendo vencidos todos os dias. 

No entanto, não vejo com bons olhos o movimento oportunista com o qual temos tratado do assunto em nosso país. Atravessamos uma crise econômica que parece difícil de ser vencida, e com ela, a questão do emprego. Esse ambiente perverso cria condições para que falsos profetas mobilizem jovens (e não tão jovens) para novos caminhos, oferecendo formação profissional com promessas que muitas vezes não serão cumpridas.  Por esta razão, sempre com o olhar prático e com foco na visão de tecnologia da informação e comunicação, resolvi escrever uma série de artigos que tratam desse assunto para, de alguma forma, ajudar a estabelecer um cenário realista das oportunidades que certamente estão ou serão abertas nos próximos anos, mas que dificilmente serão conquistadas se não houver uma preparação e posicionamento profissional adequados. 
A Lei Geral de Proteção de Dados é um assunto que está na pauta, mesmo que ainda de forma tímida na maioria das organizações.  Por isso decidi iniciar por este assunto. Simbioticamente relacionada com disciplinas e práticas como segurança da informação e governança de dados, a LGPD colocou holofotes sobre categorias profissionais antes consideradas muito técnicas e especializadas, que antes ocupavam os bunkers tecnológicos em empresas ou consultorias, mas que a luz da privacidade e proteção de dados passam a ter um papel protagonista e fundamental. 

A exemplo do que já vem acontecendo com os hoje chamados “Cientista de Dados”, a carreira de segurança da informação, por exemplo, passou a ser muito valorizada, até por conta do aumento de ciberataques e crimes digitais em todo o mundo.  Por outro lado, uma outra categoria profissional passou a ter uma importância crucial por conta da nova legislação. Como se trata de uma adequação à lei, o profissional de Direito passou também a ser protagonista, e o Direito Digital, que já vinha se tornando uma disciplina em ascensão também por conta dos crimes e ataques digitais, garantiu um lugar de destaque em projetos de consultoria de governança e conformidade, antes só destinados a consultores de negócios. Isto mostra que não somente as profissões novas têm lugar no cenário, mas as tradicionais também poderão ganhar uma nova roupagem, novos papéis e até novas especialidades. 

Nesse cenário, a lei prevê uma “nova profissão”, que tem gerado um movimento muito grande e tem sido colocada como uma grande oportunidade: o encarregado para proteção de dados pessoais.  Trata-se sim de uma oportunidade profissional emergente, porém, alguns cuidados devem ser observados por aqueles que desejarem ingressar nessa carreira. 

Antes de tudo, para que você aceite esse desafio, conheça bem qual o papel a ser desempenhado, as características e necessidades para exercer essa atividade.  Existem muitas interpretações e perspectivas. Pessoalmente, entendo que é um papel executivo, que precisa compreender o negócio e a organização para que possa representá-la de forma adequada, tanto junto aos titulares dos dados pessoais, quanto à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) nos termos da legislação. Contudo, mais do que isso, este profissional terá um papel muito importante nas ações de negócio das organizações que envolverem dados pessoais. Esta responsabilidade vai acabar em algum momento definindo quais caminhos seguir, por exemplo, quando inovações ou novos modelos de negócio forem propostos.
 

Enio Klein

Enio Klein

Enio Klein é especialista em Gestão estratégica do relacionamento com clientes, vendas e tecnologia da informação. Atuou como executivo de empresas fornecedoras de soluções de tecnologia na implantação de modelos de negócios com foco no cliente. Engenheiro pela PUC-RJ, atualmente é professor em vendas e marketing na Business School São Paulo, sócio da K&G Sistemas, Informação e Treinamento e gerente-geral de Operações na empresa canadense SalesWay Inc no Brasil. Dê sua opinião sobre este artigo ou faça sugestões para nossos colunistas, envie seu e-mail.