Os comportamentos do líder impactam diretamente o clima e engajamento da equipe e, consequentemente, o seu desempenho. 

Mudanças sempre ocorreram e transformaram os cenários de negócios e as sociedades. O que temos vivenciado, porém, é um contexto de transformações mais acelerado e dinâmico, atrelado à evolução tecnológica e disrupção que as transformações digitais estão trazendo às relações de trabalho, questões sociais, demográficas e de comportamento. 

Muitos denominam esse cenário de “Mundo VUCA”: volátil, incerto, complexo e ambíguo. A volatilidade traz dinamicidade, velocidade e a efemeridade das coisas, não seguindo padrões previsíveis. A incerteza traz a falta de previsibilidade sobre o amanhã, gerando um ambiente inconstante e que não segue padrões lineares. A complexidade gera um ambiente caótico e de alto risco, alterando bastante a previsibilidade. E, por fim, a ambiguidade traz um contexto que pode ter várias respostas, ou várias soluções possíveis para algum problema, provocando indefinições no processo decisório. 

Todo esse contexto traz desafios, mas também oportunidades. Tudo vai depender de como as organizações e seus executivos atuarão frente a essa nova dinâmica. Será que os líderes estão preparados para serem bem sucedidos diante de todas essas transformações e disrupções? Transformação digital, mudanças demográficas e no comportamento do consumidor, novos modelos de negócios e competidores, economia em plataforma, modelos ágeis, inteligência artificial, a força do “analytics”, etc. Se os líderes já eram bastante demandados até aqui, agora eles precisam refletir o quanto estão preparados para o que está por vir. E entender se algum desenvolvimento é necessário ou desejável para que sejam bem sucedidos nos tempos de disrupção e agilidade. 

Quais as características que o líder deve ter para que possa dar conta deste contexto com sucesso? Compartilho um estudo do Korn Ferry Institute que apresenta informações interessantes sobre o perfil deste líder. Após um estudo de três anos sobre o futuro do trabalho em transformação, análise do perfil de 150 mil executivos e a partir da opinião de 795 investidores e analistas, apresentou o líder autodisruptivo; aquele que vai conseguir disruptar continuamente a ele mesmo, sendo capaz de incentivar mudanças para navegar no mundo de negócios; atual e futuro. 

Este líder engloba características que o tornam capaz de atuar nos modelos ágeis, na transformação digital e na criação de oportunidades em contextos novos e incertos. É um líder inclusivo e apto a conectar os recursos para gerar um ecossistema de inovação, sob um ambiente de confiança e propósito. O estudo da Korn Ferry nomeou como o líder ADAPT; apresentando cinco dimensões que permitem que os líderes se movam rapidamente e levem as organizações e as pessoas com eles, adaptando-se sempre. 

ADAPT é o acrônimo das palavras Anticipate (antecipar), Drive (impulsionar), Acelerate (acelerar), Partner (fazer parcerias) e Trust (confiar) e representa o perfil do líder autodisruptivo: 

• Antecipar: demonstra inteligência contextual, sendo capaz de julgar rapidamente, criar oportunidades e prover clareza em ambiente volátil e ambíguo. 

• Impulsionar: energiza as pessoas criando senso de propósito, gerenciando a perda de energia quando as pessoas precisam movimentar-se no “novo”, cultivando um ambiente positivo. 

• Acelerar: gerencia o conhecimento para produzir inovações constantes, usando processos ágeis e abordagens novas para implementar e comercializar ideias rapidamente, obtendo resultados de negócio superiores. 

•  Fazer parcerias: conecta pessoas e stakeholders, dentro e fora da organização, provendo abertura à troca de ideais, combinando capacidades complementares e liderando organizações matriciais e fluidas. 

• Confiar: demonstra comprometimento com objetivos compartilhados, abertura à diversidade, integra diferentes perspectivas e valores, apoiando cada indivíduo a descobrir seu propósito para que possam dar sua contribuição máxima.  O quanto você e/ou os líderes da sua organização estão próximos deste perfil do líder ADAPT?

Convido para uma reflexão sobre isso para que possam se preparar e se desenvolver. Afinal, se a transformação está disruptando os negócios, os líderes também deverão ser capazes de se autodisruptarem. 


Fonte: Estudo Korn Ferry Institute – Self-disrupter Leader 

*VUCA (Volatility, Uncertainty, Complexity and Amibiguity) 




 

Milene Lopes Schiavo

Milene Lopes Schiavo

Administradora de empresas e publicitária, pós-graduada em Marketing pela ESPM e em Recursos Humanos pela FAAP. Atuou por dez anos no mercado de distribuição de TI em posições executivas nas áreas de Marketing e Recursos Humanos. Atualmente trabalha em uma consultoria global de gestão estratégica do capital humano.