Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em recente pesquisa divulgada, um quarto dos desempregados do Brasil, ou, 26,2%, o equivalente a 3,35 milhões de pessoas, está em busca de emprego há pelo menos dois anos.  

A informação preocupa, não só pelo contingente atual, mas pela complexa solução para esse caso. Em tempos de revolução exponencial, quanto maior o período fora do mercado, maior é a dificuldade de reinserção. O desempregado fica desatualizado e compete, em um ambiente com menos vagas, com pessoas mais qualificadas, que acabaram de sair de seus empregos ou de uma instituição de ensino. É um ciclo que se retroalimenta, e pior, agravado não só pela crise econômica do país, mas por um processo definitivo de mudança de perfil de profissionais buscados pelas organizações, cada vez mais automatizadas e digitalizadas. 

Na prática já se sabe que todo trabalho que envolva atividades repetitivas e uma lógica previsível será substituído por máquinas, como indica uma recente pesquisa global da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que aponta que 57% das vagas de emprego serão robotizadas ou automatizadas em um futuro breve. Em outras palavras: mais da metade das funções exercidas hoje pelo homem serão substituídas por máquinas em um futuro próximo. Outro dado relevante divulgado no Fórum Mundial Econômico em Davos, em janeiro deste ano, indica que 65% das nossas crianças vão trabalhar em empregos que ainda não existem. 

A Quarta Revolução Industrial está interagindo com fatores socioeconômicos e demográficos para criar uma tempestade perfeita de mudanças no modelo de negócios em todas as indústrias, resultando em grandes perturbações nos mercados de trabalho. Na era digital a informação e a conectividade impactam o mercado de trabalho e suas posições, demandando por novas competências. A pergunta simples de todos, mesmo aqueles que estão trabalhando, é como se manter atualizado e empregável no ambiente de negócios do século XXI. 

Poucos especialistas arriscam-se a prever as profissões do futuro, mas a maioria concorda que os profissionais mais disputados serão aqueles com características inerentes dos seres humanos como criatividade, capacidade de aprendizado e adaptação, visão do momento e facilidade para se relacionar. Soft skills, aquelas habilidades subjetivas, de difícil identificação e diretamente relacionadas à inteligência emocional das pessoas, serão mais valorizadas como a capacidade de comunicação, o pensamento criativo, a resiliência, a empatia, a liderança e a ética no trabalho. 

A transformação digital irá redefinir totalmente a forma como as pessoas trabalham, vivem e aprendem. Como em outras épocas e contextos, revoluções trazem consigo mudanças radicais e estabelecem uma nova ordem. Não será diferente agora. A única diferença será a velocidade em que essa revolução se consolidará em uma sociedade cada vez mais conectada, atenta e participativa. À medida que os avanços tecnológicos colocam desafios aos modelos e práticas de negócios existentes e os modificam, o desafio que fica é com que rapidez iremos nos adaptar e reabilitar a força de trabalho para esse futuro em constante mudança. 

Segundo o Gartner, as tecnologias da Inteligência Artificial (IA) e Machine Learning estarão virtualmente em todos os lugares nos próximos 10 anos. Entretanto, neste ponto mora a oportunidade. Um estudo da consultoria McKinsey aponta que, para cada posto de trabalho eliminado pela tecnologia, 2,4 novos serão criados, principalmente em startups. Embora os avanços em máquinas e tecnologia dizimem funções pelo mercado, elas também abrem um mundo de novas oportunidades de carreira. É para elas que os profissionais devem voltar seu olhar para perseguir a empregabilidade demandada neste novo cenário de trabalho. Não se sabe ainda quais são as novas carreiras, mas sem dúvida, o que se sabe é que elas exigirão um novo mindset de aprendizagem e adaptabilidade contínuas de todos nós, algo que precisamos entender rapidamente para responder a pergunta do título dessa coluna e sobreviver ao novo mercado de trabalho. 

Marcelo Martinez

Marcelo Martinez

Marcelo Martinez é engenheiro químico pela Poli-USP, pós-graduado em Marketing pela ESPM, com Mestrado em Administração pela FEA-USP e Doutorado em Administração pela FGV. Executivo com mais de 20 anos de atuação em empresas multinacionais, possui sólida vivência nas áreas de vendas, produtos e marketing, e experiência na elaboração e implementação de estratégias de negócios orientadas a resultados em diversos canais. Já foi membro efetivo de conselho consultivo de empresa de tecnologia, atuou como representante da indústria em entidades setoriais e participou de vários projetos de grande relevância, entre eles aquisições de empresas e implementação de Políticas Comerciais e Programa de Relacionamento. É palestrante em Congressos nacionais e internacionais e tem artigos publicados em revistas. Dê sua opinião sobre o artigo ou faça sugestões para nossos colunistas, envie seu e-mail.