Daniel Dystyler é diretor de Soluções de Infraestrutura da Sonda Kaizen

O volume de informações na mídia sobre o tema Cloud Computing é denso e provém de uma pluralidade de fontes. Se partimos para um conceito global, a chamada computação em nuvem possui cinco características básicas que devem estar presentes em qualquer modelo de implementação.

Começando pelo usuário, através de ferramentas de auto-serviço, ele pode aumentar ou diminuir a quantidade de uso da nuvem sob demanda. Portanto, o usuário passa a ter controle. Outro ponto diz respeito ao acesso, que deve ser disponibilizado pela rede, ou seja, pela Internet. No quesito infraestrutura, é necessário que a mesma seja compartilhada, o que implica na segurança, que passa a ser fundamental. A quarta característica envolve a escalabilidade, que demanda uma estrutura elástica, para mais ou para menos, e fechamos com a capacidade de medição, que pode ser feita por transação, por uso de storage e por consumo de CPU, entre outras formas.

Essas cinco características (auto-serviço, acessibilidade, compartilhamento, escalabilidade e medição) permitem que tenhamos quatro modelos de implementação da nuvem: a nuvem pública (public cloud), a nuvem privada (private cloud), a nuvem híbrida e a nuvem comunitária.

A nuvem pública, cuja infraestrutura é totalmente compartilhada e transparente para a empresa usuária, é usada principalmente em ferramentas de colaboração e serviços de hospedagem de servidores virtuais, como sites, por exemplo. Atualmente, exemplos populares deste tipo de implementação remontam aos modelos oferecidos por empresas como Amazon, Google e etc.

Já a nuvem privada tem como principal característica uma infraestrutura dedicada à empresa usuária e pode ser interna, utilizando um Data Center virtual da empresa, ou externa, hospedando em algum provedor. O terceiro modelo de implementação de Cloud Computing é a nuvem híbrida, que possibilita a distribuição de recursos entre as nuvens privadas e públicas, por exemplo, em momentos de pico de consumo de recursos, ou que a empresa opte por manter dados confidenciais em determinado tipo de implementação da nuvem.

O último modelo, a nuvem comunitária, refere-se a duas ou mais empresas, normalmente de um mesmo grupo empresarial ou setor governamental, compartilhando a mesma nuvem privada.

Hoje, fala-se muito sobre o assunto, o tema está em voga o tempo todo quando o assunto é TI e algumas empresas possuem visão de futuro, porém poucas proporcionam ofertas concretas e reais de computação em nuvem. O que vemos no mercado é uma grande adoção da nuvem interna – a ideia do Data Center virtual – principalmente no que diz respeito às operações de TI que suportam o core business. Uma breve análise do mercado atual de TI nos mostra que ele ainda está caminhando para entender a cloud e começando a analisar os benefícios que uma estrutura como essa pode trazer. Este quadro se confirma com a pesquisa realizada em junho de 2010 pelo grupo IDC, que revela o crescimento nos serviços de cloud, podendo chegar a US$ 55,5 bilhões em 2014.

O processo de transição para a private cloud deve preencher requisitos básicos para que a utilização da nuvem seja eficiente e traga resultados positivos. Por isso, o primeiro passo é a virtualização do Data Center da empresa. O objetivo é garantir que todas as informações estejam centralizadas e que o acesso seja feito de forma virtual, sem uma ligação direta com o hardware físico. Desse modo, conseguimos reduzir custos de infraestrutura, garantir compartilhamento de recursos e otimizar espaço físico corporativo.

 Essa virtualização, que abrange todos os recursos computacionais (redes, servidores e armazenamentos, como na oferta completa da EMC, Vmware e Cisco, denominada VBlock), garante que a Tecnologia da Informação possa ser ofertada também como um serviço, aumentando a agilidade na provisão de recursos de TI para as demandas de Negócios, assim como os SLAs (Service Level Agreement) e a performance de uma infraestrutura virtual.
Em um segundo momento, a empresa deve determinar as diretrizes que vão gerir este ambiente virtual para que a governança aconteça de maneira clara e bem-sucedida. Com a definição de diretrizes e o desenvolvimento de SLAs (Service Level Agreement), fica claro para as partes envolvidas no processo quais e de quem são as responsabilidades, direitos e deveres.

Por fim, não podemos esquecer que deve haver alinhamento entre usuários e processos. Portanto, colaboradores devem ser treinados para gerir o ambiente de nuvem privada. Dessa forma, consegue-se agilidade no gerenciamento dos processos, segurança no armazenamento, difusão de dados e simplificação da TI da empresa.
A adoção de uma solução completa em nuvem é uma longa jornada, que está apenas começando. As ferramentas para construção de uma nuvem privada já são oferecidas pelo mercado com muita maturidade é a base para uma solução de nuvem mais abrangente. E as empresas, iniciando a jornada, já usufruem dos inúmeros benefícios que esse modelo oferece. E isso é apenas o começo. Com a popularização das public clouds, as possibilidades e ganhos para as empresas serão imensas.