No meu trabalho como Consultora tenho acesso a muitas empresas, de diferentes segmentos, portes, nacionalidades e culturas. Apesar das inúmeras diferenças, uma coisa é comum: a transformação digital.

 Todos, de uma forma ou de outra, em diferentes níveis e com variados progressos, estão na “onda” dessa transformação.  Ser “agile” tornou-se um imperativo e não atuar por “squads” faz parecer que a organização está fora da atualidade. Mas será que estamos preparando as pessoas, os líderes e a organização para esse movimento?  É claro que a tecnologia está a serviço da evolução e todas as organizações devem, sim, entender como a transformação digital pode aprimorar, diferenciar e, até, disruptar o negócio.  Diante do fato que as empresas já entraram ou entrarão num processo de mudança digital, como a área de Recursos Humanos está atuando com relação às pessoas, líderes e cultura?  Apesar da modificação ser “digital”, ela requer, prioritariamente, uma transformação cultural. Sem trabalhar na modelagem da cultura e nos comportamentos dos profissionais, a transformação digital pode ficar apenas no “desejo” ou na “intenção”.  Todo processo de mudança impacta as pessoas e essas poderão impulsionar ou criar obstáculos, a depender de como a mudança é trabalhada, informada, dialogada.  

Algumas questões para que o RH possa refletir:  

• As pessoas conhecem a estratégia de transformação digital da organização? (clareza da estratégia e comunicação são fundamentais).  

• Os profissionais que são alocados em squads estão 100% dedicados a isso, ou eles dividem sua atenção e tempo entre suas atribuições normais e os squads? Exemplos bem sucedidos do mercado têm demonstrado que a dedicação exclusiva ao squad é o melhor caminho para o sucesso dos projetos. Empresas que criaram squads e os membros continuavam com as suas atribuições de rotina, os squads não foram muito efetivos.  

• Os líderes da organização estão preparados para essa transformação? Eles possuem competências que podem alavancar essa jornada ou precisam desenvolver um modelo mental diferente? 

 • Os líderes são capazes de atuar como agentes positivos desta mudança? O quanto eles estão engajados na causa e serão capazes de propagar as mensagens necessárias?  

• Os líderes conseguem criar um ambiente de inovação nas suas áreas? 

 • A política de remuneração está refletindo as novas estruturas ágeis? Como os profissionais dedicados aos squads e/ou às ações da transformação digital estão sendo remunerados?  

• A área de RH da sua empresa está atuando em sinergia com a área de TI? A área de Tecnologia geralmente lidera a transformação digital, mas a área de RH também precisa ser protagonista deste processo, com relação à transformação cultural que se requer para que a transformação digital se viabilize.  Convido as áreas de Recursos Humanos à reflexão e à ação! Essa transformação pode ter o nome de “digital”, mas vai muito além da tecnologia. Essa transformação requer pessoas engajadas, envolvidas, informadas, treinadas, adequadamente remuneradas e com repertório comportamental que sustente e impulsione as mudanças e os avanços. Essa transformação necessita de líderes ágeis, que possam ser exemplo e inspiração. Essa transformação precisa de uma boa sinergia e parceria entre as áreas de TI e RH, um (TI) liderando a frente de tecnologia e outro (RH) liderando a frente de liderança, capacitação e cultura. Essa transformação precisa de um RH protagonista, que assuma a relevância do seu papel e embarque nessa transformação, que vai muito além da tecnologia. 

Milene Lopes Schiavo

Milene Lopes Schiavo

Administradora de empresas e publicitária, pós-graduada em Marketing pela ESPM e em Recursos Humanos pela FAAP. Atuou por dez anos no mercado de distribuição de TI em posições executivas nas áreas de Marketing e Recursos Humanos. Atualmente trabalha em uma consultoria global de gestão estratégica do capital humano.