A boa impressão é a que fica
Fabricantes de impressoras apresentam seus lançamentos e apontam as tendências do mercado, que deve crescer acima das expectativas este ano graças ao aquecimento das vendas de PCs e à queda dos preços.
 
A vitalidade do mercado de PCs e a queda do dólar elevaram as expectativas de vendas do mercado de impressoras para este ano. O crescimento do mercado e o câmbio provocaram o encolhimento dos custos e até mesmo dos produtos – cada vez mais, tecnologias antes disponíveis apenas para equipamentos de maior capacidade marcam presença em soluções de impressão mais compactas, gerando ainda mais oportunidades de vendas para os canais. “O ano passado foi bom e as perspectivas são ainda melhores para este ano”, diz Ivan Kotchetkoff, supervisor de marketing e produto da Canon. De acordo com ele, segmentos como o de multifuncionais de baixo volume da marca, com capacidade de até 28 páginas por minuto, venderam no primeiro semestre de 2008 o mesmo que no ano passado inteiro.
 
A Canon foi uma que introduziu funções como gerenciamento eletrônico de documentos em equipamentos menores. Embora algumas tendências atraiam os compradores e resultem em desempenhos mais favoráveis para tecnologias como laser, multifuncionais e soluções de impressão a cores, ainda há espaço para qualquer linha no mercado. Desde a impressão matricial, segmento que tende ao encolhimento, mas cujo custo por página ainda é imbatível, até a qualidade da impressão a gel, cada cliente pode escolher o que melhor lhe cabe e as fabricantes investem na apresentação de seus diferenciais. “Mais importante, para o cliente, não é a tecnologia, mas o tipo de uso. Ao canal, cabe identificá-lo para acertar na oferta adequada”, diz César Ramacciotti, diretor de marketing para a área de imagem e impressão da HP, que destaca a tendência de migração de equipamentos de função única para multifuncionais e de maior versatilidade dos produtos.
 
Espaço para laser e para jato de tinta
 
A Samsung é uma das beneficiadas pela aposta na migração para a tecnologia laser. De acordo com o diretor de impressoras e multifuncionais Reinaldo Smith, a expectativa inicial da IDC para este ano, de venda de 900 mil unidades neste segmento, deve ser ultrapassada em cerca de 20%. “O preço dos equipamentos caiu praticamente pela metade e o custo por página é extremamente favorável”, diz. “A migração foi mais rápida que o esperado, principalmente nos segmentos doméstico e Soho.” Entretanto, o diretor de marketing da Oki, José Henrique Amorosino, lembra que a preocupação das empresas com seus custos totais de propriedade está levando à maior adoção da tecnologia laser também neste setor. “A tecnologia laser terá crescimento devido à renovação do parque das grandes empresas”, estima Gustavo Assunção, gerente de negócios da unidade Consumer Products da Epson.
 
Mas se a queda de custo beneficia os equipamentos a laser, a evolução tecnológica também dá um empurrãozinho naqueles com base em jato de tinta, permitindo soluções com preços inferiores e qualidade e capacidades crescentes. A HP, por exemplo, oferece produtos com capacidade de impressão de até 7,5 mil páginas. A Epson amplia seu portfólio de impressoras e multifuncionais – equipamentos com alta velocidade e conectividade. “Esperava-se forte retração em impressoras a jato de tinta com função única. Mas observamos aumento principalmente em relação àquelas de baixo custo, como produto de entrada, que atende aos clientes mais sensíveis a preços”, diz Gino Cammarota, gerente de marketing da Elgin, representante exclusiva no Brasil das impressoras Canon nesta linha, que até o fim do ano deve apresentar novos modelos voltados à cor.
 
A Kodak é outra que optou pelo inkjet. Em julho, anunciou a chegada de dois modelos de sua linha ESP de multifuncionais a jato de tinta no mercado nacional. A economia é um dos principais atrativos. “Estamos cumprindo nossa promessa de acabar com o alto custo gerado pelas tintas de impressoras, oferecendo uma tinta de qualidade superior, que permite economia de até 50% nos custos de impressão”, afirma o gerente de produto Bernardo Aguiar. “A tecnologia jato de tinta crescerá em torno de 15% este ano, com o aumento do consumo nos segmentos doméstico e de pequenas e médias empresas”, registra Assunção, da Epson, que destaca as multifuncionais jato de tinta como uma das alavancas do mercado, com crescimento ao redor de 25% ao ano e cerca de 3 milhões de unidades vendidas este ano.
 
Cores e mais cores
 
O movimento de queda de custos e evolução tecnológica, que permitiu a sofisticação das soluções de gerenciamento, também beneficia a adoção dos equipamentos coloridos de impressão. “O mercado corporativo tende a contar com maior presença da cor principalmente a partir de 2009, reproduzindo o movimento que já cobriu mercados como o doméstico e de home office”, diz Smith, da Samsung. Para Amorosino, da Oki, com a percepção de que imprimir em cores se torna viável do ponto de vista de custos, as empresas estão progressivamente optando por este tipo de impressão.
 
A Konica Minolta é uma das que investiu neste caminho apresentando uma nova multifuncional colorida para formato A4 – segundo Fuzio Ymayo Filho, gerente nacional de marketing e novos projetos da fabricante, outra tendência a que o mercado responde é a conexão de equipamentos como máquinas fotográficas e pen drives diretamente na impressora, eliminando a necessidade do usuário de até mesmo ligar seu PC. “O custo ainda é maior que o monocromático, mas é bem mais competitivo do que antes”, diz. A empresa, cujos produtos são principalmente focados no formato A3 (tablóide) lançou recentemente uma multifuncional A4. O mesmo movimento foi adotado pela Canon, que em setembro deve apresentar seu equipamento multifuncional neste formato. “As empresas tendem a migrar para o A4”, diz Ivan, da Canon.
 
 
Green print
 
A preocupação com a redução de consumo de papel, energia e danos à natureza tem sido foco do mercado. A Lexmark é uma que desenvolveu iniciativas nesta linha. Seu CEO Paul Curlander participou em agosto do PrintConcept, evento promovido pela fabricante que este ano teve como tema Sustentabilidade e Mundo Digital. Além de desenvolver soluções relacionadas a otimizar o processo de impressão – seja pela racionalização do uso do equipamento, como autorização de impressão (o documento enviado fica na fila até ser autorizado no equipamento), seja por melhor gerenciamento do que ele chamou de ecossistema de impressão –, no Brasil a fabricante desenvolveu parceria com a Oxil, especializada em manufatura reversa, para que equipamentos e suprimentos descartados sejam desmembrados e os materiais resultantes, reciclados.
 
A Simpress, responsável pela distribuição da Ricoh no Brasil, investe no projeto Impressão Consciente, iniciativa que busca disseminar junto a usuários das empresas clientes as melhores práticas de impressão para reduzir desperdício de papel, insumos e energia. Entre as informações divulgadas, dicas como incentivo ao uso de impressão frente e verso, de modo livreto e rascunho para revisão ou distribuição de documentos extensos ou de impressão segura, que permite que o documento seja retirado depois, evitando perdas e retrabalho. A Ricoh possui certificação ISO 14000 e oferece equipamentos com modo de economia de energia, que reduz o consumo quando o equipamento está fora de uso.
 
Soluções on demand
 
O outsourcing de impressão vai bem, obrigado. Está sendo adotado mais rapidamente por empresas cada vez menores, enquanto as maiores sofisticam suas demandas por soluções customizadas que agreguem valor a seus negócios. A Lexmark, marca que tem como clientes nove entre dez dos maiores bancos no país, é uma que nada de braçada nesta maré. “Depois de mostrar para o cliente o quanto ele gasta com impressão, agora estamos apontando como ele pode ganhar dinheiro com isso”, diz Leonel Costa, vice-presidente e gerente geral para a América Latina da Lexmark. Ele sugere que os canais aproveitem esta onda e acompanhem o movimento da empresa, que escapou da venda de caixas pela tangente dos serviços. “
 
O empresário do segmento deve escolher entre por o dinheiro no bolso ou investir na empresa para ganhar rentabilidade”, diz Leonel, que atualmente se empenha em levar para o México a experiência angariada por canais brasileiros promovendo joint ventures entre eles e seus pares mexicanos. “O mercado corporativo tende a comprar serviços. O movimento está descendo na pirâmide e, no limite, tende a chegar ao mercado doméstico”, analisa César Ramacciotti, da HP. Segundo ele, a tendência do mercado é chegar a oferecer um plano de impressão adequado a cada tipo de consumidor com apoio da evolução tecnológica, que permite às impressoras apresentar custo por página e volumes cada vez mais adequados às necessidades de qualquer perfil de consumo.