A hora é agora para os negócios

De acordo com números revelados pela AFRAC (Associação Brasileira de Automação Comercial), este mercado tem se mostrado em evolução constante nos últimos quatro anos. Em 2010, o volume de negócios foi de R$ 2,2 bilhões. No ano seguinte, chegou a R$ 2,5 bilhões em 2012, o crescimento foi de 10%, atingindo a marca de R$ 2,75 bilhões. Em 2013, foram R$ 3 bilhões e, até 2017, espera-se alcançar números ainda mais elevados, superando a casa dos 50%. Para este ano, o segmento tende a entrar novamente em ebulição graças às novas regras que vem sendo implementadas em todo o território nacional.

 

O cenário da Automação Comercial no país segue em um processo de readaptação devido às novas regras para os empresários que atuam no varejo e na venda direta ao consumidor e que passarão a vigorar em muitos Estados brasileiros nos próximos meses. Hoje, de acordo com a AFRAC, o mercado está exigente e é preciso trabalhar e desenvolver tecnologias inovadoras que visem a conveniência para o consumidor e a produtividade para o cliente.

O CF-e-SAT (Sistema Autenticador e Transmissor de Cupons Fiscais Eletrônicos) será o responsável pela substituição do ECF (Emissores de Cupons Fiscais), atualmente utilizado no varejo paulistano. Ele passará a ser obrigatório para varejistas com faturamento superior a R$ 60.000,00 por ano, diferente do atual ECF que obriga apenas os varejistas com faturamento superior a R$ 120.000,00 por ano. A tendência, segundo os especialistas do setor, é que o mercado de automação comercial se aqueça com a mudança. Em São Paulo, por exemplo, a implantação obrigatória do CF-e-SAT será a partir do dia 1º de julho. A mudança, que era para ter acontecido em novembro do ano passado, foi adiada a época para dar mais tempo do mercado se ajustar.

A partir desta data, todos os comerciantes que possuem o equipamento com mais de cinco anos de uso serão obrigados a utilizar o SAT-CF-e. A substituição vai muito além da simples troca de equipamentos. O novo sistema permitirá que a Secretaria da Fazenda paulista acompanhe diariamente a venda do comércio, inibindo, portanto, a sonegação.

De acordo com Dulce Macedo, gerente de Produtos para Automação Comercial da Epson, este será um ano relevante para o mercado, que as mudanças nas legislações fiscais impactarão de forma geral todos os Estados brasileiros. Para ela, a mudança terá maior expressividade a partir do segundo semestre, uma vez que vem sendo operacionalizada em alguns Estados desde o ano passado. “A grande mudança será no Estado de São Paulo, com a entrada da obrigatoriedade do CF-e-SAT para alguns segmentos e com maior agressividade em postos de gasolina, onde 100% será obrigado a portar a solução atual pelo CF-e-SAT. Nos dois convênios, NFC-e e CF-e-SAT, as impressoras deixam de ser fiscais e passam a ser impressoras não fiscais, o que é bastante atrativo para a Epson, que temos grande expertise no segmento, e, com isso, aumentaremos substancialmente nossas vendas”, diz a executiva.

Com a entrada das novas legislações fiscais, a venda da impressora passa a ser mais simplificada, embora, é importante ressaltar que o formato de venda para esse mercado é consultivo, onde o cliente final espera receber uma solução completa e de alguém especializado, pois muita informação que deve ser trocada no momento da venda. “A grande oportunidade nesse cenário é para empresas que prestam serviços, que além de entregar o hardware, prestará o serviço de armazenamento das informações do pequeno e médio varejo, o que se aplica principalmente no caso da NFC-e. O formato do negócio de automação comercial está mudando e quem estiver mais bem preparado sairá na frente”, pontua Dulce. A executiva ressalta ainda que para vender automação comercial, o canal deve se especializar e agregar valor à solução, pois assim garantirá boas margens.

 

Vantagens das novas legislações fiscais para as vendas

A Ingram Micro acredita que, com o fim da obrigatoriedade do uso do ECF, haverá um aumento considerável de soluções móveis baseadas em tablets e dispositivos móveis, assim como impressoras portáteis e leitores de código de barras com comunicação sem fio. “A implantação da NFC-e e o crescente número de pontos de vendas móveis, como de “food trucks”, por exemplo, devem manter o mercado aquecido. Paralelamente, em momentos de conjuntura econômica que sugere ajustes, é importante ter controles eficientes. Por tudo isso, acreditamos  no mercado de automação e nos negócios que ele pode gerar, principalmente  porque temos portfólio, parcerias estratégicascapacidades de estoque, logística e financeira para dar todo o suporte necessário as revendas e integradoras”, diz Diego Utge, presidente da Ingram Micro Brasil.

Para David Melo, consultor de Marketing da Diebold, as desafiadoras perspectivas da economia brasileira favorecem uma reflexão sobre a eficiência das operações de comércio, a qual pode ser melhorada através da automação. “Devido ao fato da transição na regulamentação, isto irá gerar mais negócios no sentido das empresas se readequarem ao novo cenário. Por isso mesmo, analisamos o mercado com otimismo. O segmento da automação comercial permite que empresas de todos os portes tenham atuação através da segmentação dos clientes e com soluções específicas”, diz o executivo.

O diretor da DN Automação, Luiz Alberto Brenner, prevê que as novas tecnologias de Nota Fiscal Eletrônica de Consumidor e SAT Fiscal movimentarão o mercado e gerarão bons negócios. “As grandes novidades estão ligadas às novas tecnologias fiscais. Este ano teremos pelo menos três fabricantes lançando suas soluções de SAT. Além disso, temos desenvolvido parcerias para prover soluções de apoio aos canais de software-houses”, explica o executivo.

A Schalter comemora os resultados obtidos em 2014 e espera para este ano um cenário ainda mais animador. “Onde há crise, há oportunidades. Nossos produtos estão posicionados dentro de duas linhas de consumo que possuem uma alta demanda atualmente no país: CPUs de baixíssimo consumo de energia e alto desempenho e terminais de autoatendimento. Ambas linhas representam uma ampla redução de custos para qualquer empresa”, avalia Lucas Caetano, analista de Marketing da companhia. 

Ele acredita que o canal já se deu conta de que necessita agregar valor nos produtos comercializados. “Com o fim do ECF na forma tradicional, diversas revendas buscam novos produtos que possam trabalhar de forma estruturada e que tenham demanda no mercado. Isto facilitará muito qualquer possibilidade de fechamento de negócios. Nossos canais já se deram conta deste cenário”, diz Caetano. Ele acrescenta que, por outro lado, será maravilhoso a implementação da CF-e, já que os terminais de autoatendimento poderão ser utilizados sem a necessidade de uma impressora fiscal dentro dele. “Significa que iremos ter a junção da demanda de mercado por autoatendimento com a praticidade de colocar qualquer impressora para emissão de comprovantes”, esclarece o executivo.

Para o executivo Romeu de Sousa Junior, diretor Comercial e de Marketing da POS Tech, por ser um ano de mudanças na legislação do ICMS no que se refere à NFC-e para vendas no varejo, se abrirão oportunidades para outros players e também novos produtos e tecnologias para o mercado. “Em alguns casos, isto pode significar receitas recorrentes (software) e em outros a oportunidade de aumentar o mix de produtos na carteira da revenda. Para quem já está no canal, novos produtos serão agregados como o SAT-Fiscal e PDVs integrados com impressoras, ou seja, abrem-se novas oportunidades de receita”, diz Sousa Junior.

O principal lançamento da empresa é o “e-PDV”, um PDV touch screen de 10”, compacto e com as interfaces de conectividade utilizadas na automação, porém, de baixo custo e permitindo o uso de aplicativos desenvolvidos em Android ou Windows.

Para Marcelo Café, diretor comercial da BenQ, a mudança das regras e a obrigatoriedade da implantação de sistemas em empresas menores irá aumentar, consequentemente, as vendas para este ano. “Para tanto, este é um segmento que exige que os canais estejam capacitados e agreguem solução. O canal que estiver mais preparado sentirá a diferença no bolso”, prevê o executivo.

José Paulo Mattos, responsável pelo departamento Comercial da CIS, o setor de automação apresenta boas margens, pois oferece uma série de ofertas e oportunidades distintas, como vendas do tipo “COMBO” (consultoria, solução e produtos). “Este ano temos programado lançar diversos produtos e soluções para captura de dados, como sensores biométricos híbridos e mobile, e meios de pagamentos eletrônicos - os terminais mobile (Mpayment)”, diz o executivo.

Recém atuando no segmento da automação, a Mazer acredita que as perspectivas para este ano são as melhores possíveis. Ismael Schneider, gerente de Marketing da distribuidora, prevê que, pela forte atuação da distribuidora no Sul, terá todas as condições de ser um forte player da indústria, especialmente na região. “A meta é que a automação comercial represente, já em 2015, uma importante fatia do nosso negócio, graças a aderência das revendas à esses produtos na região Sul e pelo relacionamento da distribuidora de longa data no setor de TI”, pontua o executivo.

Schneider acrescenta que as revendas que ainda não trabalham no segmento devem ficar alertas, já que este é um segmento com rentabilidade superior à TI tradicional. “A automação comercial se trata de muito mais do que somente impressoras fiscais. Há vendas agregadas de PCs, leitores de código de barras, monitores, impressoras de código de barras, no-breaks etc. Somados, aumentam relevantemente o ticket médio das vendas realizadas ao cliente”, explica Schneider.

Segundo Ronaldo Miranda, presidente da Officer Distribuidora, o mercado de automação comercial, no Brasil, está crescendo, mas ainda tem muitas oportunidades a serem exploradas. “Um desafio muito grande é promover a sinergia entre as diversas áreas, pois a automação não é simplesmente a impressora fiscal ou o PDV. Saber integrar esses produtos com outras possibilidades, como os monitores, desenvolvimento de sistemas e mecanismos de coleta, gestão e análise de dados, por exemplo, podem ser importantes para se ampliar os resultados da área”, avalia o executivo.

 

Feira AUTOCOM mostrará as principais novidades do setor

A AUTOCOM é o principal evento de automação para o comércio da América Latina. Desde 1997 reúne anualmente os maiores nomes da automação, como fabricantes de hardware e periféricos, software-houses, suprimentos e canais de distribuição. O evento, realizado no Expo Center Norte,  em São Paulo, entre os dias 7 e 9 deste mês, é o grande ponto de conversão entre o ecossistema da automação e o comércio. Uma das principais características da feira é a presença de expositores com soluções já adequadas à legislação e necessidades nacionais, que permitem a sua aplicabilidade imediata no comércio brasileiro. A expectativa dos organizadores é superar os quase 10 mil visitantes profissionais da última edição, das áreas de automação comercial, indústria, varejo, logística, revenda, bancos e instituições financeiras, e setor público. Uma das principais atrações do evento é o Congresso, que a cada edição promove o debate dos temas mais atuais e relevantes para o setor. O ponto mais esperado é a apresentação de cases de sucesso onde os congressistas poderão conhecer na prática os resultados das inovações apresentadas na feira. “O mercado encontrará na Autocom 2015 as principais novidades tecnológicas que inovarão a experiência de compra. Inovação é a palavra da vez. Iremos, também, demonstrar as principais questões que movimentam o varejo em nosso Congresso que contará com a presença de grandes nomes do mercado”, diz Araquen Pagotto, Presidente da AFRAC.

Haverá espaço, também, para as palestras. E são muitas. Destaque para “Wearables” (Vestíveis), ministrada por Eduardo Valentin, vice-presidente de Marketing da AFRAC e gerente de grupo de Produtos da Epson do Brasil. O executivo tratará o novo conceito de maneira bem dinâmica. Apesar de segmentos como entretenimento e bem-estar terem saltado na frente – com óculos para videogames e relógios que monitoram as funções vitais, por exemplo, vistos principalmente durante a maior feira de eletrônicos de consumo, a International CES Las Vegas, no início do ano. A utilidade destes gadgets vão muito além e, num futuro próximo, podem até mesmo revolucionar a experiência de compra dos consumidores. “Os smartglasses (óculos inteligentes) podem ser utilizados para uma visita guiada dentro de uma loja ou oferecer uma experiência de realidade aumentada de um produto. Um smartwatch (relógio inteligente) pode avisar o consumidor da promoção que ele viu na internet quando estiver passando perto da mesma loja física, o que vem ao encontro da atual tendência “omnichannel” (uso de todos os canais de vendas simultaneamente)”, diz Valentin.

 

Ser um especialista é fator-chave

A Epson oferece treinamento tanto nas distribuidoras, como em revendas de grande porte e a participação em eventos cooperados. Para este ano, especificamente no mercado de automação, estará produzindo uma série de vídeos tutoriais que auxiliarão principalmente as software-houses a entenderem um pouco mais das facilidades que a companhia disponibiliza, além de um novo site com muita informação dirigida e boletins quinzenais.

A Diebold dispõe de treinamento específico de produtos, tanto presencialmente, como através de vídeos. Há, inclusive, um time de especialistas alocados nas distribuidoras e um canal “Fale Conosco” na internet.

Brenner, da DN Automação, acredita que os canais que já trabalham e conhecem o segmento estarão prontos e aptos a atender com qualidade as principais demandas do mercado. “Para isto, colaboramos com a realização de eventos e também treinamentos em conjunto com as fabricantes”, diz o executivo.

Neste momento, o foco é capacitar a equipe de vendas, diz Schneider, da Mazer. “Montamos uma estrutura exclusiva para atender as revendas interessadas em automação comercial. Estamos investindo na capacitação a fim de providenciar um atendimento mais qualificado”, explica o gerente.

A POS Tech mantém gerentes de produtos dentro das distribuidoras e comunicação via e-mail e site para as revendas mais distantes e que, por vezes, não tem condições de se deslocar para participar dos programas destas, mas que contam com o total apoio da empresa.

A Schalter, após a seleção do canal, faz um treinamento “in loco” com os principais produtos, como o Mini PC Schalter BlackCyber, onde o custo X benefício é o grande atrativo.  “São produtos de ponta, baixo consumo de energia e prontos para as mais diversas demandas de mercado”, diz Caetano.

A hora é ideal para àqueles canais que já atuam no segmento e favorável aos que queiram entrar. As possibilidades são inúmeras e o retorno financeiro é o principal atrativo. Aproveite para visitar a AUTOCOM 2015 e conheça de perto as vantagens que o setor de automação comercial tem a oferecer. Boa sorte!