CLOUD COMPUTING 2015

por Marcello Almeida

Um estudo do IDC, do ano passado, apontou que duas em cada três empresas brasileiras enxergavam o cloud computing como fator chave para o sucesso de um negócio. Ainda de acordo com a consultoria, no Brasil, o mercado de computação em nuvem movimentou US$ 257 milhões em 2013 e, até o final do ano passado, a previsão era de chegar a US$ 798 milhões, números que comprovam a consolidação deste modelo no país.

 

Para Willian Pimentel, diretor de Canais da Citrix no Brasil, o tema continua a ser uma das principais prioridades dos CIOs no Brasil. No entanto, ele revela que ainda existe um equívoco ao pensar que a cloud necessariamente deva ser pública, pois muitas empresas que possuem um Data Center próprio estão bem próximas de terem a sua própria “nuvem”. “As nossas soluções suportam o cliente nessa transformação e, mais importante, acreditamos que o futuro está exatamente entre a nuvem privada e a pública, o modelo híbrido, onde se possa orquestrar os serviços de TI que se necessite através da infraestrutura ou plataforma que faça mais sentido para um determinado negócio. A execução dessa visão é um espaço que abrimos para os nossos parceiros, pois o cliente precisa desse auxílio especializado, iniciando desde a criação da mobilidade corporativa até a orquestração dessas nuvens híbridas. Isto é interessante porque permite uma execução integrada e em fases”, explica Pimentel.

Por ser uma companhia focada 100% na venda e entrega através de um ecossistema de canal, a Citrix entende que através do seu portfólio a demanda por integração e serviços profissionais seja fundamental, obtendo assim uma excelente fonte para melhorar a rentabilidade. Dentre algumas dessas soluções, encontram-se, por exemplo, a Cloud Platform (Orquestração de Cloud) e Cloud Portal (Provisionamento e autoatendimento de TI) para orquestração e provisionamento de cloud incluindo o auto serviço de TI e oferecendo Infraestrutura como Serviço (IaaS).

Francislaine Muratorio, diretora sênior de Alianças e Canais da Oracle do Brasil, aponta que o tema não se trata apenas de uma “buzz word” (palavra de moda) do mercado. Para ela, este novo modelo transforma o modo de adotar uma tecnologia e possibilita a inovação nas empresas de diversos portes. “A nuvem leva as empresas a outro patamar de competitividade e oferece ganhos de produtividade nos mercado em que atuam, além de trazerem vantagem considerável em termos de redução em custos de TI”, revela Francislaine.

De acordo com Bruna Wells, gerente nacional de Canais e Marketing da Silver Peak, as empresas brasileiras já entenderam as vantagens do modelo e o crescimento deverá ser impulsionado por projetos relacionados à Terceira Plataforma, apoiada nos pilares de social mídia, mobilidade, Big Data e, claro, nuvem. O software da companhia está diretamente ligado à questão de desempenho e disponibilidade da nuvem. “Além de acelerar dramaticamente o acesso, ele consolida a nuvem, a internet e a rede WAN em uma única estrutura, ou seja, a solução permite que os times de TI tenham total controle da rede em nuvem, além de solucionar entraves como a congestão e saturação de banda, latência e lentidão de conexão”, diz Bruna.

Paulo Cardoso, country manager da Lifesize, diz que o cenário cloud no Brasil se encontra em plena expansão e se desmistifica a cada dia na medida em que a adoção vem aumentando por parte de empresas tradicionais e até mesmo públicas. “Com o cloud as empresas tem muito mais tempo, recursos e diversificação de aplicações personalizadas ao seu negócio e nisso se encaixa também as próprias aplicações que agora passam a integrar esse portfólio de serviços na nuvem diminuindo o investimento em desenvolvimento próprio e maximizando a personalização dos serviços na nuvem”, diz Cardoso. A empresa possui uma solução completa em cloud para videoconferência e colaboração por vídeo. “Para isso, conectamos nossos sistemas de sala de vídeo e aplicativos móveis ao nosso serviço em nuvem. Qualquer pessoa, em qualquer lugar, tem a possibilidade de estar a uma vídeo chamada de distância da sua sala de reuniões, permitindo até 25 participantes por vídeo em cada chamada. Basta ligar o sistema de vídeo Lifesize Icon 600 ou qualquer outro codec de outra fabricante à Internet e conectá-lo ao Lifesize Cloud”, explica Cardoso.

De acordo com Rodrigo Guerrero, diretor nacional de Vendas da Alog, que opera serviços de datacenters no Brasil, o cloud computing deixou de ser uma tendência para tornar-se uma realidade, onde empresas de diferentes portes, sejam pequenas, médias ou grandes, já incorporaram este modelo como parte de suas estratégias de negócios. “Esse movimento deve-se ao fato de que, cada vez mais, as companhias são pressionadas a conseguir mais resultados com menos recursos e a nuvem é um modelo que exige, geralmente, baixos investimentos iniciais”, explica Guerrero.

 

Pública, Privada ou Híbrida. Afinal, qual é a mais interessante?

Para Daniela de Paoli, vice-presidente de Marketing e Produtos da Officer Distribuidora, atualmente, as empresas querem entender como se beneficiar da nuvem pública ou híbrida e dos aplicativos e softwares disponíveis na nuvem. E é dentro desse contexto que a distribuidora enxerga que a revenda precisa se preparar para atender essas demandas e entender quais são as ofertas disponíveis das fabricantes e quais delas fazem mais sentido para os seus clientes. “Com esse conhecimento, as revendas podem criar uma venda incremental, aonde a nuvem chega para aprimorar o seu faturamento. A Officer está trabalhando com todas as soluções cloud das fabricantes, desde infraestrutura até softwares e aplicativos. A distribuidora atua com uma “Plataforma de Gestão de Contratos na Nuvem” que auxilia as revendas a controlarem seus contratos em cloud e, em breve, lançará uma plataforma que oferecerá pacotes de soluções na nuvem”, diz Daniela.

Vicente Lima, diretor de Canais Brasil e Cone Sul da EMC², acredita que o Brasil dá passos largos para a consolidação do cenário cloud, porém, com um atraso de cerca de dois anos quando comparado aos mercados mais maduros. “A maior parte dos usuários deverá adotar uma estratégia de cloud híbrida onde uma parte de seu workload (volume de trabalho) deverá permanecer “on premises” (nas próprias instalações) e uma outra parte deverá ser disponibilizada sob uma infraestrutura “off premises””, diz Lima.

Marcelo Ehalt, diretor de Canais, Managed Services e Cloud da Cisco, acredita que o tema no Brasil é bastante positivo e com um crescimento exponencial. “Novas ofertas são criadas e os clientes continuam buscando soluções que contemplem as suas necessidades de negócio. Por aqui, tudo indica que as redes híbridas dominarão o mercado de nuvem nos próximos anos, seguindo uma tendência mundial. Cada vez mais as soluções de cloud pública complementarão as de cloud privadas. O maior inibidor para uma adoção mais rápida de nuvens híbridas e públicas por parte dos clientes é segurança. Não por acaso, a Cisco oferece soluções que respondem a essas preocupações”, explica Ehalt.

A Lenovo em breve anunciará ofertas específicas para os modelos de Cloud Pública, Híbrida e Privada, onde hoje já compreende um portfólio completo na linha completa de servidores, storages e switches com diferenciais críticos para uma infraestrutura de cloud. “Já estamos desenvolvendo arquiteturas de referência com as principais empresas do mercado de TI, e criando “bundles” (pacotes) com condições especiais aos nossos clientes. Sem dúvidas, somos o fornecedor de TI com maior flexibilidade para estabelecer parcerias com empresas, sempre priorizando os melhores produtos do mercado”, diz Adriano Bolzani, diretor do grupo de Enterprise Business da Lenovo.

Bolzani diz que os produtos possuem características únicas em pontos críticos de uma infraestrutura para cloud. “Trata-se de um ambiente altamente virtualizado, que concentra todas as cargas críticas de uma empresa. Portanto, os fatores críticos de sucesso são performance, tempo de parada, segurança e suporte. Oferecemos máquinas x86 com o menor tempo de parada (downtime), o maior nível de segurança contra invasões e vazamento de dados, além de um alto  nível de serviço”, completa o diretor da Lenovo.

Kleber Oliveira, gerente de canais da VMware no Brasil, acredita que o cloud já é uma realidade no mercado brasileiro e não somente por grandes empresas, mas também pequenas e médias que buscam a oferta de TI como serviço nos provedores de cloud computing. “Uma estratégia de nuvem híbrida é uma realidade em nosso mercado e nossos clientes já entenderam o quanto podem ter uma TI simplificada e acompanhando as demandas de negócios, pagando pelo uso da infraestrutura (pay per use) consumindo os recursos de TI, sem construir uma infraestrutura interna dedicada”, diz Oliveira.

A VMware não somente possibilita às empresas a terem sua nuvem privada através de todo portfólio de soluções de infraestrutura, passando pela nova plataforma convergente EVO, mas provê que os clientes tenham uma estratégia de nuvem híbrida por meio dos seus provedores inscritos no programa vCloud Air Network. “Ou seja, clientes que possuem uma infraestrutura “on-premise”, podem migrar seus workloads e aplicações para a nuvem com parceiros da VMware de forma ágil e totalmente compatível e integrada com a infraestrutura atual e legada”, diz Oliveira.

 

Como o cloud está transformando a indústria de TI

Segundo Ricardo Kamel, Head of Commercial & Consumer da Ingram Micro Brasil, o cloud talvez seja o maior desafio que o canal está enfrentando nos últimos anos, pois representa uma nova forma de atender ao cliente, tanto na venda quanto no suporte. “O cenário é muito empolgante e ao mesmo tempo desafiador. A Ingram Micro tem investido mundialmente na consolidação de uma estratégia focada, com uma organização e time dedicados, parcerias e até aquisições de empresas do segmento. Temos, inclusive, um portal onde os parceiros podem oferecer aos seus clientes um ponto focal único para a entrega de todas as soluções cloud com billing único”, diz Kamel. A aquisição da empresa canadense Softcom, além da parceria com a empresa Paralels são diferenciais da plataforma de comercialização das soluções de cloud, que possibilitam escalabilidade, gestão e flexibilidade com cobrança individualizada por licença, solução ou usuário – tanto revenda como cliente final.

O Portal Ingram Micro Cloud é um ecossistema de compradores, vendedores e soluções que permite aos parceiros do canal configurar, supervisionar e gerenciar serviços na nuvem para seus clientes de forma segura e confiável, com uma plataforma automática e suporte da distribuidora.

Antonio Couto, estrategista em cloud da HP, analisa que as empresas entendem que sua área de TI Tradicional, gradualmente, vai se tornar em uma nuvem privada e que a grande maioria terá um modelo híbrido de prestação de serviços de TI. Para ele, as palavras de ordem são: padrões abertos, agilidade, interoperabilidade e segurança.

Todas as soluções de cloud da empresa fazem parte do portfólio HP Helion, agregando sob uma mesma estratégia um conjunto de soluções que tornam reais os benefícios que a nuvem se propõe trazer, principalmente, agilidade. “Conseguimos auxiliar nossos canais e clientes a construir e operar uma nuvem, seja ela privada, pública ou híbrida”, diz ele. Entre algumas das soluções do HP Helion, encontra-se o HP CloudSystem, uma solução de orquestração para o ambiente de TI corporativo, o HP Helion OpenStack, plataforma de cloud/orquestração open-source altamente escalável e o HP Helion Development Platform, plataforma aberta e interoperável de desenvolvimento de aplicações para cloud com portabilidade, através da TI tradicional, nuvens privadas e públicas. “A HP tem um conjunto completo de treinamentos e certificações para que os canais se posicionem neste mercado e passem a entender e agir neste sentido. Contamos com uma página exclusiva do programa HP PartnerOne for Cloud, onde explicamos como se tornar um canal HP certificado”, diz Couto.

A Globalweb Corp. oferece soluções de nuvem pública, privada, híbrida e serviços de monitoramento e consultoria para tomada de decisão no ingresso à nuvem. Os serviços de outsourcing são oferecidos a partir de Data Centers disponíveis no Brasil e nos EUA, proporcionando opções de redundância para os casos de disaster recovery. “Contamos com um time de especialistas, oferecendo aos nossos clientes diversos benefícios e garantindo que o caminho para a nuvem aconteça de forma transparente, segura e otimizada”, diz Alexandre Siffert, diretor de Estratégia de Mercado da companhia.

Marcos Silva Filho, gerente de negócios para Caribe e LATAM da Alcatel-Lucent Enterprise, opina que as oportunidades para provedores de soluções baseadas no modelo da nuvem são bastante promissoras. “Estimamos um crescimento de mais de 50% em serviços de comunicação na nuvem como CaaS/ UCaaS/ CCaaS (Communication/ Unified Communication/ Contact Center as a Service), que estará voltado principalmente para as PMEs. Elas começam a renovar seus processos de comunicação corporativa. O modelo de negócios em nuvem se mostra muito mais viável economicamente e oferece flexibilidade significativa para entrega de serviços sob demanda”, diz o executivo.

Para o CEO da CLM,  Francisco Camargo, os canais estão se adaptando rapidamente a uma nova maneira de trabalhar, dedicando mais tempo e atenção à instalação de nuvens privadas e públicas e incorporando a seus clientes uma tecnologia cada vez mais avançada. Camargo sugere ao canal que em vez de vender “nuvem”, eles se especializem na criação de nuvens privadas ou na melhoria do uso de nuvens públicas pelos seus clientes. A CLM fornece a tecnologia necessária para a implantação rápida de nuvens públicas e privadas, através de fornecedores de equipamentos e tecnologia para a criação destas, como Nutanix, WebScale, SilverPeak, A10 Networks, Huawei, Arista, etc.

A A10 Networks possui, por exemplo, o “aCloud”, uma espécie de “pay as you go”, ou seja, pague na medida em que necessitar. “Temos aparelhos de hardware, que podem ser usados por um provedor de nuvem para vários usuários finais, além de um híbrido que roda máquinas virtuais”, diz Alain Karioty, diretor regional para América Latina e Ibéria da empresa. Ele acrescenta que o canal pode não apenas se beneficiar das vendas de hardware e software, mas também dos serviços agregados, dos quais são uma excelente oportunidade de rentabilizar.

Marcelo Murad, diretor de produtos da Westcon, acredita que pelo Brasil ser um país de dimensões continentais, o cloud permite que os canais alcancem seus clientes e realizem negócios independentemente de sua localização geográfica, ou seja, mais uma maneira de disponibilizar tecnologia para todos, incluindo aqueles que hoje não têm acesso. “Oferecemos soluções que atendem todos os segmentos e tamanhos de empresa que envolve segurança, alta disponibilidade, performance, armazenamento e comunicação”, diz o executivo.

Leonardo Victorino, diretor de Alliance & Vertical, Setor Público, IoT & Cloud da Comstor, acredita que o mundo hoje se volta para um modelo em que a TI estará na nuvem. “A nuvem como modelo de negócio, transformando a TI em serviço, começa a decolar no Brasil, e o caminho natural de pequenas e médias empresas é fazer essa migração. Alguns canais já estão antenados a esse modelo e outros estão buscando entendê-lo. O papel da Comstor é atuar para que os canais possam ter um papel consultivo junto aos clientes finais, ajudando-os na adoção desse modelo. Com o modelo de nuvem os canais se tornam um recurso de outsourcing do cliente final, podendo levar uma série de soluções a seu cliente”, diz Victorino.

Sebastián García Piscicelli, License Program Manager da Adistec, empresa especializada em treinamentos oficiais para a indústria de TI, como implementação de serviços e consultoria na nuvem, acredita que o nível de maturidade de gestão de infraestrutura de tecnologia da informação do mercado ainda está abaixo do esperado. “Todavia, há uma enorme oportunidade para crescer e oferecer serviços àquelas empresas que estão começando a entender o modelo e obtendo benefícios do cloud”, diz o gerente.

Piscicelli acredita que, hoje, o mercado brasileiro está marcando o caminho que tomará nos próximos anos e com isto se tornará o maior do segmento na América Latina, podendo oferecer desde aqui mesmo tecnologia para o restante do mundo no formato “on demand”, pagando pelo uso mensal. Ele recomenda aos parceiros que ainda não ingressaram no segmento que tenham muito presente que este é o momento ideal. “O cloud está crescendo de maneira rápida. Ao brindar licenças, como aluguel, o parceiro poderá fornecer ao seu cliente a utilização de produtos e serviços que poderiam não estar ao alcance de compra”, opina o executivo.

Rodrigo Gazola, gerente da MAXfocus Brasil, empresa que trabalha com uma solução baseada 100% em cloud computing e recursos SaaS, pontua que ainda existem enormes oportunidades no Brasil se compararmos com mercados maduros em tecnologia. “Já passamos pelo primeiro “degrau” do conhecimento na tecnologia e estamos trabalhando para superar a desconfiança em segurança que os clientes ainda possuem. Acreditamos que este modelo deve conquistar cada vez mais participação no mercado, inclusive com soluções que só são possíveis através do próprio cloud”, diz o executivo.

O canal vislumbra uma série de oportunidades na nuvem para este ano. São inúmeras maneiras de transformar e potencializar o seu negócio. Capacite-se e aproveite o melhor que o cloud computing tem a oferecer. Não se trata apenas de um modismo mas sim uma questão de sobrevivência.

 

*No portal www.partnersales.com.br , as fabricantes dão maiores detalhes sobre o tema cloud computing.