Entrevista exclusiva com Fernando Garcia, VP,  gerente geral para a América Latina da Vertiv
Com uma posição estratégica na Vertiv, Fernando Garcia, vice-presidente e gerente geral para a América Latina da companhia, é o responsável por liderar as operações de vendas,  serviços e desenvolvimento de novos negócios na região.  Vale destacar que a Vertiv é provedora global de soluções e serviços de infraestrutura crítica que garantem que as aplicações vitais dos clientes funcionem continuamente. Como Arquitetos da Continuidade, a companhia procura resolver os mais importantes desafios enfrentados pelos atuais data centers, redes de comunicação e instalações comerciais e industriais, com um portfólio de soluções e serviços de energia, refrigeração e infraestrutura de TI que se estende do Cloud ao Edge da Rede. Com sede em Columbus, Ohio, EUA, a Vertiv emprega aproximadamente 20 mil pessoas e faz negócios em mais de 130 países. Confira o nosso bate-papo com o executivo: 

PartnerSales: Fale-nos sobre o desafio do cargo que ocupa na Vertiv neste ano atípico no mercado global?

Fernando Garcia:
A Vertiv é reconhecida por ser uma empresa que fornece soluções críticas, essenciais para a continuidade da economia. Um dos principais desafios tem sido continuar provendo serviços aos nossos clientes em meio à pandemia.  Outra adversidade é manter uma comunicação constante com nossos clientes e nossos funcionários, apesar do isolamento social. É um momento de gerenciar as incertezas e seguir em frente, completamente comprometidos com a segurança de nossos funcionários e a continuidade dos negócios digitais de nossos clientes.   

PS: Como está a atuação da Vertiv na América Latina especificamente no Brasil e o que os canais podem esperar da companhia em 2020?

FG: A Vertiv LATAM foi a região que mais cresceu em nível mundial em 2019. Nossa região cresceu cerca de três vezes mais rápido do que o mercado em geral. Um dos principais impulsores desse crescimento foi o Brasil. Os investimentos em infraestrutura crítica feitos no país em 2019 foram incríveis, representando um aumento maior em relação a 2018. Estamos vendo que o Edge Computing (Computação de Borda) começa a ter protagonismo no Brasil. A tecnologia está impulsionando o progresso do canal Vertiv no Brasil – nós esperamos que, em 2020, os canais sejam beneficiados por esse investimento do mercado em Edge Computing.

PS: No início do ano, a Vertiv anunciou que se tornará uma empresa de capital aberto através de uma fusão com a GS Acquisition Holdings Corp (NYSE: GSAH, GSAH.U, GSAH WS), qual o impacto desta transação para o mercado?

FG: O resultado mais importante dessa mudança é que nos convertemos na maior líder do mercado global de infraestrutura crítica. Outra vantagem é que, agora, somos independentes, o que nos dá ainda mais estabilidade financeira e capacidade de desenvolver uma estratégia e uma visão em longo prazo. Para a Vertiv LATAM e Brasil, em especial, isso significa uma maior capacidade de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento. Iremos investir cada vez mais, também, em mercados, em desenvolvimento, adaptando nossa oferta às demandas específicas de mercados emergentes. 

PS: Como a Vertiv avalia o desempenho do mercado brasileiro no que se refere aos serviços de aplicações vitais, ou seja, de missão crítica?

FG: A verdade é que o mercado brasileiro está na vanguarda de tudo o que diz respeito à capacidade de processamento de dados e a capacidade dos data centers, em relação à América Latina. A população brasileira está à frente de outras populações da região em relação à cultura digital. Uma prova disso é a disseminação do acesso à Internet – o Brasil tem aproximadamente 2/3 de sua população conectada à Internet.  Vale destacar, também, a forte penetração de aplicações de e-Commerce, Internet Banking e e-Government em todas as regiões brasileiras. O segmento de bancos, por exemplo, está bem desenvolvido em relação a outros países LATAM. 

PS: O que a companhia tem feito para manter as aplicações vitais de seus clientes de modo contínuo?

FG: É importante lembrar que os produtos e serviços Vertiv são considerados essenciais para o Brasil. Portanto, mesmo durante a pandemia, seguimos oferecendo serviços essenciais aos nossos clientes que, por sua vez, garantem o funcionamento da economia digital brasileira.  Não se trata somente de serviços de manutenção. A inteligência de desenvolvimento da Vertiv permite que realizemos ações preventivas e preditivas para preservar o processamento de dados dos nossos clientes.  Há uma diferença entre os dois termos. Uma ação preventiva é realizar a manutenção de tal forma que se evite falhas em serviços críticos; uma ação preditiva utiliza a informação dos sensores presentes na tecnologia Vertiv para indicar a possibilidade de uma falha antes que ela efetivamente aconteça.  Finalmente, vale destacar que damos muita ênfase à monitoração remota. Trabalhamos 24x7 num estado de constante vigilância, monitorando permanentemente as infraestruturas críticas dos nossos clientes.

PS: Em um estudo realizado pela Vertiv intitulado: “O Data Center Moderno: Como a TI está se adaptando às Novas Tecnologias e à Hiperconectividade” observa-se que os data centers não atendem a todas as necessidades do mercado o que deve ser feito para que atendam as demandas atuais no mundo cada vez mais digital?

FG:
O que os resultados da pesquisa indicam é falta de planejamento e de preparo no segmento de data centers.  Acredito, também, que os data centers atuais não são flexíveis e adaptáveis às diferentes demandas do mercado. Muitos são monolíticos e rígidos. O outro principal problema é a segurança. Estou falando de segurança física e lógica – há vulnerabilidades nas duas frentes. São, na verdade, duas faces de um mesmo problema.

PS: Em relação ao 5G na América Latina e especificamente no Brasil o que tem a nos falar? Quais serão os benefícios gerados com a introdução do 5G nos produtos e soluções baseadas nas novas tecnologias como IA, IoT, Edge Computing, AR, entre tantas outras?

FG:
O principal benefício da rede 5G é a baixa latência – na verdade, a ultra baixa latência – e, em segundo lugar, a maior densidade de dispositivos que podem ser suportados por uma antena 5G. A nova era 5G vai facilitar o avanço da nossa região. Haverá mais investimento em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e a hiperconectividade será uma realidade. Tudo isso irá acelerar a criação de serviços AR, VR, AI, etc. 

PS: Quais são as soluções e produtos que a Vertiv disponibiliza no mercado no que se refere ao 5G?

FG: A Vertiv atua em duas áreas de produtos em relação ao mundo 5G.  Uma é dirigida especificamente às redes de comunicação 5G (ativos das operadoras de Telecomunicações). Nesse sentido, a Vertiv provê soluções de energia e gerenciamento climatizado para a infraestrutura digital das antenas 5G.  Nossas soluções para as antenas 5G incluem o projeto, construção, implementação e monitoração remota de Plantas Externas (Outside Plants) e cabines (shelters) que trazem dentro de si retificadores para os equipamentos de alimentação de energia (baterias), além de soluções de climatização para assegurar as condições internas do container.  Nossa segunda área de atuação diz respeito às soluções de infraestrutura digital crítica para Edge Computing (Computação em Borda). Esse segmento vai além das empresas de telecomunicações, incluindo todo tipo de empresa que precisa diminuir a latência entre o processamento e o consumo de dados. Nesse contexto, oferecemos soluções muito flexíveis de infraestrutura digital, que partem de um SmartCabinet e podem avançar para uma SmartRow (uma fila de racks preparados para receber os equipamentos), etc.  Vale destacar, também, nossa oferta SmartMod, com data centers pré-fabricados implementados e operacionais dentro de containers (uma estrutura totalmente digitalizada e monitorada). Normalmente um novo data center leva de 6 a 12 meses para entrar em operação. Com o Vertiv SmartMod, isso pode baixar para 4 meses, ou menos.  Todas essas ofertas exigem, ainda, serviços Vertiv. Nosso time de experts, em conjunto com os profissionais dos parceiros em todo o Brasil, oferecem todos os serviços necessários para garantir a continuidade dos negócios digitais de hoje, principalmente quando a rede 5G estiver operando.  São serviços de gerenciamento de facilities essenciais para o funcionamento da economia digital. 

PS: Estamos em um momento que o mercado todo está se reinventando, como o parceiro deve avaliar esse período para garantir a rentabilidade?

FG: Agora é o momento para investir em conhecimento e se preparar para as mudanças que vão acontecer.  É uma fase de muita incerteza, mas, ainda assim, é importante tomar a decisão de investir em treinamento e construir uma visão estratégica muito bem fundamentada nas reais necessidades do mercado.  Vale a pena, também, olhar a pandemia como uma fonte de oportunidades. Uma das mudanças ocorridas após o isolamento social é a deslocalização. Educação, indústrias, governo – tudo agora está fora de lugar; o trabalho que era feito nas instalações do empregador acontece, agora, em casa. Essa realidade está gerando uma demanda muito grande sobre as redes de Telecom periféricas.  Desse modo a revenda pode aproveitar  essa chance para prover soluções destinadas a periferia das infraestruturas digitais, conquistando clientes nos universos da telemedicina e educação. Quem fizer isso terá lucratividade. 

PS: Como está o programa de canal da Vertiv atualmente na preparação do parceiro na era digital dos negócios?

FG: Uma das nossas iniciativas mais relevantes é o programa de treinamento online (webinars), o Vertiv Partner Digital Webcast Series. Atuamos, também, para garantir que nossas distribuidoras contem com estoques dos produtos de maior demanda do mercado brasileiro. Isso acelera o go-to-market dos nossos parceiros, que conseguem entregar e implementar as soluções Vertiv com rapidez em seus clientes.  Vale destacar, também, que algumas das nossas distribuidoras oferecem programas de financiamento para o canal Vertiv. 

PS: Para concluir, qual a sua mensagem para os canais brasileiros?

FG: Agora é o momento de se preparar para o novo normal. Esta crise está acelerando a transformação digital no Brasil, principalmente em tudo o que diz respeito às novas infraestruturas de Edge Computing. Estamos assistindo uma descentralização e um deslocamento da infraestrutura digital brasileira.  O canal está posicionado para oferecer em todo o Brasil, para clientes de todas as verticais, os produtos e serviços Vertiv. O parceiro tem a capilaridade, a penetração e a cobertura necessárias para garantir o fornecimento das soluções para a criação da infraestrutura de Edge Computing que é a maior oportunidade para o canal dos últimos dez anos.