Entrevista exclusiva com Humberto Menezes, diretor geral da Synnex Westcon Comstor Brasil

A Westcon-Comstor agora é SYNNEX Westcon-Comstor. E tem um novo logo, refletindo o poder da marca que adquiriu a Westcon-Comstor Américas. No dia a dia do relacionamento com fabricantes e revendas continua tudo exatamente como antes, assegura o diretor geral no Brasil, Humberto Menezes. Neste momento, as diferenças estão no modo de interagir, seja com fabricantes e revendas, seja entre os próprios funcionários da empresa. Cuidadosamente, a SYNNEX Westcon-Comstor vem fazendo os ajustes necessários para atravessar a fase de pandemia da Covid-19 garantindo a saúde da empresa e de seus colaboradores, além de ajudar as revendas para que possam passar por esse período da melhor maneira possível. Nesse sentido, o momento é, sim, de mudanças. O que está porvir, não se sabe. Mas certamente o mundo terá que se adaptar a uma transformação digital ainda mais acelerada, trazendo consigo profundas alterações no modelo econômico das empresas e de toda a sociedade. A seguir o nosso bate-papo com o diretor geral da companhia:

Partner Sales: A Westcon-Comstor mudou junto com sua nova marca, com seu novo logo?

Humberto Menezes: O que mudou foi apenas a apresentação da empresa, que agora é SYNNEX Westcon-Comstor. A aquisição pela SYNNEX das operações da Westcon-Comstor nas Américas foi concluída em 2017, e agora a marca muda efetivamente. E nada mais justo do que a marca SYNNEX ser o destaque principal em nosso logo. Normalmente quem adquire assume a marca principal. Isso já aconteceu inúmeras vezes com outras empresas de tecnologia adquiridas. Com a nova marca estamos destacando uma empresa, a SYNNEX, que fatura 20 bilhões de dólares por ano, que está entre as 200 maiores da Fortune e que está há 120 trimestres dando lucro com saúde financeira – o que é fundamental para quem movimenta altos volumes de caixa.

PS: Podemos dizer que a nova marca, ao manter o nome da Westcon e o da Comstor, também reflete a reputação construída por essas marcas?

HM: Aí estamos falando do outro lado da balança. O que para nós representa a união dos dois melhores mundos: o lado financeiro somado à capacidade de distribuição. Seja a capacidade da SYNNEX, com sua experiência de 30 anos como distribuidor no mercado americano, que é um mercado extremamente competitivo, seja da Westcon-Comstor, que tem um nome muito forte como distribuidor de valor, e uma presença importante nas regiões onde já atuamos antes da aquisição: a América Latina, do México para baixo, Brasil, e também nos Estados Unidos. Estamos, então, unindo reputações muito fortes, de marcas com tradição no mercado de distribuição, pelo portfólio, que reúne as mais importantes marcas globais do segmento de TI e pela capacidade logística, atendendo a milhares de revendas com centenas de linhas de produtos.

PS: O volume de negócios no Brasil decaiu com a pandemia?

HM: Estamos conseguindo adequar nossos resultados às demandas que estão surgindo. Estamos sendo bem-sucedidos, por exemplo, na área de segurança de informação, que tem crescido muito. E também na de colaboração, com a telepresença e videoconferência. Os data centers também têm crescido. As empresas têm feito alguns investimentos obrigatórios: imagine milhões de brasileiros trabalhando remotamente como isolamento social... Com isso, o dinheiro mudou de lugar, e alguns segmentos estão sofrendo muito. No nosso caso, estamos superando as dificuldades deste momento graças à nossa musculatura financeira.

PS: Há outros fatores a destacar como importantes para o sucesso da empresa nesta fase?

HM: Eu destacaria a capacidade de inovação que nossa estratégia de hybrid multicloud (HMC) possibilita. Estamos trabalhando com fabricantes que atuam em vários níveis da nuvem híbrida, combinando nuvens privadas com diferentes nuvens públicas. Para esses ambientes, é preciso ter novas soluções em segurança e sistemas de alta disponibilidade, por exemplo. E não somente no nível de IaaS ou PaaS. É necessário desenvolver as aplicações especificas para a nuvem híbrida, e estamos trabalhando com ISVs nesse sentido, também com muito sucesso. O momento que estamos passando exige muita adaptação, porque está acelerando a transformação digital das empresas por uma simples questão de sobrevivência.

PS: A nuvem híbrida e múltipla seria o grande projeto da empresa no Brasil?

HM: Sem dúvida o nosso grande projeto hoje é prosperar na arquitetura de hybrid multicloud e sermos reconhecidos como o distribuidor de excelência nesta tecnologia. É um projeto que já vinha se delineando, que definimos com mais precisão no final do ano passado e aprovamos em janeiro. Agora, com o problema da pandemia, esse projeto se acelera, porque as empresas passam a depender mais da nuvem.

PS: Qual o seu foco de atenção, hoje, como diretor geral da empresa no Brasil?          

HM: O ponto principal hoje é conseguirmos atravessar – nós e nossos parceiros – este momento. Estamos vivendo uma crise sem precedentes no Brasil. Uma crise sanitária somada a uma crise econômica. Isso é complicado, e o mais importante é sobreviver bem nesse período, até que tudo fique mais tranquilo. Hoje não há condição de prever como vai ser o mundo daqui a dois, três meses. Hoje é impossível ver o fim da curva, prever quantas empresas vão sobreviver. Mesmo as empresas que hoje vivem um momento de grande demanda, numa inércia de necessidade, pode ser que sofram um pouco mais à frente.

PS: Qual seria então o seu horizonte?

HM: É muito temerário fazer qualquer previsão. O que a gente quer é manter a empresa funcionando bem, saudável e com estratégia de negócio. Uma grande preocupação são os nossos colaboradores. Nós não demitimos ninguém. Muito pelo contrário,estamos contratando, especialmente nas áreas de vendas, pré-vendas e suporte técnico. Temos alguns novos funcionários que foram ao escritório só para pegar o laptop e equipamentos para poder trabalhar remotamente.

PS: A demanda por financiamento de projetos aumentou?

HM: Aumentou. Falta Capex. O modelo tradicional ficou para trás. Agora a tendência é pagar por recorrência e/ou consumo. Vários fabricantes estão oferecendo essa modalidade, e nós estamos repassando isso para os clientes. O modelo econômico está mudando muito rapidamente, em consequência da aceleração no movimento de transformação digital.

PS: Essas mudanças todas de que estamos falando, na sua opinião, elas vieram para ficar?

HM: Acredito que sim, em muitos aspectos. A área imobiliária, por exemplo, vai sofrer um golpe muito forte, porque as empresas perceberam que elas podem trabalhar remotamente. No dia seguinte ao que fechamos o escritório, estava todo mundo trabalhando remotamente, com eficiência, sem disrupção para nossos negócios. Nossos dois warehouses continuam operando do modo tradicional, mas com todos os cuidados. Veja que a tendência ao trabalho remoto traz impacto a uma série de setores. Por exemplo, como ficam os restaurantes todos que existem nas regiões onde se concentram as empresas em São Paulo? E a frequência aos shoppings que existem nessas regiões? E o transporte público? E por aí vai. Não sabemos ainda exatamente como será o modelo futuro. Alguns ficam em casa o tempo todo? Outros ficam no escritório parte do tempo? Creio que haverá um período de adaptação, e a demanda por melhor banda de internet em casa, VPNs, enfim, por tudo o que permita o trabalho remoto com mais eficiência e segurança.

PS: E o que está acontecendo no dia a dia de relacionamento com as revendas nessa nova realidade?

HM: O relacionamento com as revendas continua como sempre foi. Mas de modo remoto. Temos feito reuniões virtuais todos os dias. Temos feito webinars e reuniões individualmente com as revendas para saber das necessidades delas e como podemos ajudá-las a ultrapassar esse momento. E tem demonstrações de produto, sim, mesmo virtualmente na maioria dos casos. O mundo não parou completamente, não. Inclusive estamos trabalhando mais, mais concentradamente. Antes, o tempo de você se deslocar do ponto A para o ponto B era o momento de ouvir uma música, um noticiário no rádio, de conversar com a pessoa a seu lado. E mesmo durante a reunião havia momentos de descontração de trabalho. Hoje você faz mais reuniões, várias por dia. E ao final do dia está mais cansado, mentalmente, porque você não parou.

PS: E os funcionários da empresa, como estão vivendo a adaptação a esse novo modelo?

HM: Nossa área de recursos humanos está orientando os nossos colaboradores a terem disciplina. A manter o horário de trabalho com intervalos, a desligar no fim do dia de trabalho. E temos um programa para periodicamente falar com os funcionários, dar um update de como os negócios estão indo, para deixá-los tranquilos. Acho importante manter a tranquilidade. Quando você tem um medo constante, você entra em estresse, que vira doença, muitas vezes mais danosa do que a própria Covid, porque são doenças crônicas, sem chance de recuperação. Estamos em um momento muito peculiar da nossa história enquanto seres humanos.