Antena
320 quilômetros pedalados em três dias e meio: a alegria de superar os limites
Por Rafael Garrido, vice-presidente da Vertiv LATAM
Publicado em 26/10/2021 às 10:30O desafio das subidas: sob um Sol de 40ºÁguas da Prata, sexta-feira, dia 3 de setembro, 6:17 da manhã. Monto na bike e dou início ao desafio de pedalar 320 quilômetros no Caminho da Fé. Esse trajeto pelas montanhas de Minas Gerais e São Paulo envolve subidas e descidas que, facilmente, chegam a 2500 metros por jornada. A meta era chegar, três dias e meio depois, em Aparecida do Norte. Nessa jornada, passaria pelas cidades de Águas da Prata (SP), Borda da Mata (MG), Paraisópolis (MG), Campos do Jordão (SP) e Aparecida do Norte (SP). A cada dia pedalaria, em média, 80 quilômetros.
Passei dez meses me preparando para esse momento.
Foram cerca de quatro treinos por semana, em que saia de casa às 5:30 da manhã para pedalar na companhia do meu personal trainer. Nesses dez meses percorri mais de 5000 quilômetros, enfrentando todo tipo de trilha, levando tombos e me levantando, aprendendo técnicas para subir e para descer montanhas, enfrentando e superando as dificuldades.
Minha esposa, Letícia, minhas filhas, Marina e Érica, minha família e meus amigos me apoiaram muito.
Essas pessoas sabiam que, para mim, o desafio de percorrer de bike os 320 quilômetros do Caminho da Fé era um grande momento de transformação.
Como vice-presidente para a América Latina de uma grande empresa global, eu trabalho de forma intensa e apaixonada, sempre buscando oferecer a melhor experiência aos nossos clientes, aos nossos colaboradores, aos nossos parceiros de negócios.
Hora da pausa: a importância da hidrataçãoPor mais técnica e inovadora que seja a nossa oferta, para mim é claro que o mundo da infraestrutura crítica digital nada mais é do que a base para as pessoas viverem melhor, e terem acesso a serviços e oportunidades que, antes, talvez nem existissem.
Esse foco em pessoas percorre toda a minha história, e me deixa muito realizado.
A partir do ano passado, no entanto, minha esposa me propôs fazer algo por mim. A ideia era trazer para a minha vida pessoal toda a gana que sempre apliquei à minha vida profissional.
Eu consegui, e a sensação é boa demais.
Campos do Jordão, domingo, dia 5 de setembro, 15:00 horas. Chego ao lugar onde vou dormir, a última noite do trajeto. O corpo quebrado vibra, mas exige cuidados. Muito gelo na perna, alguns exercícios de relaxamento. A bike também exige cuidados para estar pronta para o dia seguinte, o último do desafio de vencer o Caminho da Fé.
O tempo todo um sorriso no rosto pela alegria de estar conseguindo enfrentar, com muito planejamento e preparo físico e psicológico, o desconhecido.
Não é porque algo é difícil que é impossível de ser feito. Não é porque um desafio é duro que o enfrentar é pesado. Sim, houve dias em que a temperatura chegou a 40 graus. Sim, as subidas foram mais intermináveis do que eu tinha imaginado. Sim, as descidas eram mais íngremes, com mais buracos e pedras do que eu tinha conseguido visualizar antes.
O importante, porém, é que tantos meses de preparo me ajudaram a realizar essa jornada com muita segurança.
Aparecida do Norte, segunda-feira, dia 6 de setembro, às 11:30 da manhã. Completei o Caminho da Fé, chegando à Basílica de Aparecida do Norte.
Além da alegria de ter realizado esse desafio, fica a certeza de que o que eu conquistei ao longo desses 320 quilômetros pedalados me fez muito bem. Encarei o desconhecido, não tive medo de arriscar, acreditei na superação dos limites, vi os resultados de um planejamento rigoroso e muito bem executado.
Estou, agora, sonhando com o próximo desafio.

