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A cibersegurança e o mundo do ‘Novo Normal’

Por Anderson França, CEO da Blockbit

Publicado em 09/12/2020 às 11:12

            Já imaginou sua empresa sendo obrigada a ficar uma semana inteira paralisada?
Esse, no caso, foi o tempo em que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ficou
fora do ar durante o mês de novembro. No ano que ficará marcado pelo avanço de
um vírus que ameaçou o planeta, um dos principais pilares do judiciário
brasileiro foi impactado, na prática, por um ataque de outro tipo de vírus: o
cibernético. 



           
No entanto, por mais impactante que seja imaginar que a justiça de nosso País
pode ser bloqueada por ataques hacker, o fato é que eventos como esse – o de
interrupção de serviços por conta de cibercrimes – não chega a ser nenhum caso
especial. Vimos isso claramente durante a realização das eleições municipais,
quando uma série de ataques prejudicaram a apuração dos votos e tentaram
derrubar os servidores do Tribunal Superior Eleitoral (STE), em Brasília. 



Por isso mesmo, na verdade, a grande notícia para você, em
todos esses casos, é justamente essa: em um mundo hiperconectado como o nosso,
os riscos do cibercrime estão por aí e podem, sim, impactar qualquer pessoa ou
organização. Pesquisas indicam que mais de 3,4 bilhões de tentativas de ataques
e fraudes virtuais foram realizados no Brasil, entre janeiro e setembro de 2020
– pouco menos de 1 bilhão somente no terceiro trimestre. 



           
Agora, pense nessa realidade e lembre-se de nossa atual necessidade de promover
o distanciamento remoto, com a adoção de novos modelos de trabalho remoto.
Segundo análises feitas pela Fundação Instituto de Administração (FIA), quase
metade das empresas brasileiras adotaram algum tipo de política de trabalho à
distância durante a pandemia. É muito - ainda mais se considerarmos que a
maioria dessas operações não tinham a qualquer experiência com o teletrabalho.
 



           
Esse é um cenário que exigirá mais atenção das empresas, sem dúvida, no que
tange à segurança das informações. Mas calma, pois não se trata de acabar
com o teletrabalho ou com o uso da conectividade como um fator de negócios. Ao
contrário. 



Assim como bem disse o presidente do Supremo Tribunal
Federal (STF), ministro Luiz Fux, a  transformação digital das
organizações exigirá de todos nós uma nova consciência, com o aprimoramento
tecnológico e de processos que permitam a real mitigação das ameaças e a
extração do real potencial das inovações das plataformas e serviços de TI (seja
em um ambiente local ou remoto). 



Em outras palavras, é preciso que as empresas entendam que
a digitalização das operações e rotinas de trabalho deverá vir acompanhada de
novas prioridades e ações – principalmente no que tange a Segurança das
Informações. Por mais que os colaboradores estejam em suas casas (ou dispersos
em qualquer localidade) usando tecnologias disruptivas e de alta colaboração, é
importante que os gestores de TI e negócios entendam que é fundamental proteger
os dados com soluções adequadas para esse tipo de tarefa. 



           
Como fazer isso? As companhias devem, em primeiro lugar, reforçar a orientação
de seus colaboradores, ajudando-os a evitar tentativas de fraude que miram o
usuário final como porta de entrada das corporações. O Brasil é recordista no
número de ataques de phishing, quando as pessoas têm seus dados roubados por
meio de comunicações falsas – e é fundamental ensinar todos os times e
colaboradores sobre esses riscos. A cibersegurança é cada vez mais uma
responsabilidade de todos, e isso precisa ser deixado claro. 



           
Outra medida importante é garantir que os profissionais tenham acesso às
ferramentas atualizadas, com recursos que maximizem a proteção dos registros.
Uma forma de conciliar esse cenário é adotar soluções de comunicação
criptografada - entre o computador do teletrabalhador e a rede local da empresa
-, por meio do uso de VPN e sistemas para a autenticação do acesso dos
usuários. Além disso, é sempre indicado manter um antivírus atualizado e
incluir firewalls que permitam a gestão do conteúdo navegado dentro do ambiente
corporativo. 



           
Com a pandemia, investir em conectividade e em digitalização de processos
deixou de ser apenas uma questão de se preparar para o futuro. Agora, diante
das restrições impostas pela crise do coronavírus, implementar modelos de
trabalho à distância e ferramentas de colaboração se transformaram em temas
fundamentais para a manutenção das operações na maior parte das companhias.
Essas propostas, contudo, não podem vir desacompanhadas de medidas de segurança
que garantam maior visibilidade e proteção às informações sigilosas e chaves
para o sucesso das companhias. 



           
O futuro chegou rápido para quem imagina um mundo hiperconectado e sempre
disponível. Há de se considerar, agora, o que sustenta e protege o avanço dessa
comunicação constante e cada vez mais rápida. Não é questão de evitar a
transformação, mas de protegê-la, cercando os times e colaboradores com as
soluções que a indústria de cibersegurança está constantemente desenvolvendo.